Onde estão o pião e o arco com que brincávamos,o que foi feito do pátio e da casa enorme,
em que momento perdemos a inocência da infância?
O tempo era o nosso maior brinquedo
mas isso foi antes de termos relógios
e de sermos controlados por eles,
isso foi antes de termos agendas e calendários
para tornar os dias previsíveis e antecipados.
Inventávamos o mundo,
éramos cowboys, índios, marcianos,
podíamos ser tudo por sermos crianças
e não tínhamos imagens para nos aprisionar os sonhos.
Sabíamos talvez menos sobre as coisas
mas as descobertas eram nossas
e as sensações que tínhamos eram mais verdadeiras
porque não condiziam com as que vêm nos manuais.
Dizem que todas as infâncias são lugares mágicos
mas a nossa, por ser nossa e única,
tem uma magia que ultrapassa as palavras
e obriga-nos a libertar outra vez a criança
que o tempo submergiu neste nosso corpo das certezas.
(poema de José Torres; fotografia de Shirley Baker: street kids)
Desculpa Sofia mas o poema (se é que é poema) é de José Torres e não de Luís Torres. É verdade que somos irmãos mas nem sequer somos gémeos.
ResponderEliminarJosé, que horror, desculpa, foi um lapso, eu sei que TU és José.
ResponderEliminarJosé, não preciso de te dizer que É um poema, pois não?
ResponderEliminarGostei muito do poema e sobretudo gostei que o Zé tivesse aderido ao desafio. Foi muto bom teres tido a atenção de o publicar no teu blog.
ResponderEliminarEm relação à confusão dos nomes, não te apoquentes pois ninguém o atribuiria ao Luís...
Beijinhos
A atenção prende-se, principalmente, com a beleza do poema. Mas penso o mesmo que tu. O resto é da idade (da minha provecta).
ResponderEliminarO poema é lindo mesmo.
ResponderEliminarParabéns ao autor.
O lapso foi obviamente um lapso ;)
Beijinhos :)