27 outubro 2007

Respeito

As últimas sondagens mostram um decréscimo das intenções de voto no PS e em Sócrates e um aumento das intenções de voto no PSD e em Luís Filipe Menezes.

Não espanta a ninguém que isto suceda. Mas é preocupante, se concordarmos com a interpretação de que a descida da popularidade de Sócrates arrasta a descida do PS.

Este governo tinha (e tem) uma tarefa hercúlea pela frente: um défice enorme e a ameaça da espada do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), a reforma da administração pública (que todos os partidos acham indispensável mas nenhum a tentou), a sustentabilidade da segurança social e do serviço nacional de saúde, a reforma do sistema educativo.

É verdade que muita coisa tem sido feita. Mas muito mais tem sido dito que se vai fazer. Por outro lado, falta uma avaliação séria das medidas entretanto implementadas, principalmente aquelas que poderão ter mais consequências negativas no bem-estar da população, mesmo que só aparente.

Onde está a avaliação da reorganização dos serviços de urgência, dos blocos de parto, do reforço do INEM, da reestruturação dos cuidados primários de saúde, da implementação dos cuidados continuados?

Onde está a avaliação das alterações o sistema educativo, desde a do estatuto da carreira docente, à contratação dos profissionais por 3 anos, às aulas de substituição, à reforma do ensino da matemática e do inglês, até aos resultados dos exames nacionais?

O desemprego aumenta, como sempre nos disseram que seria de esperar. Mas as promessas eleitorais, ainda por cima em matéria tão sensível como esta, devem ser cumpridas, assim como justificadas as faltas de cumprimento.

Respeito. A falta de respeito nunca é perdoável. Sócrates e o PS devem respeito aos seus concidadãos. Sócrates deve ouvir e explicar, avaliar e reconhecer, preparar-se para o embate com o rei da inutilidade e do ruído de fundo que é Santana Lopes, não com irritação, paternalismo e condescendência, mas com a verdade dos factos e a segurança das suas ideias sobre o país.

O cumprimento das promessas eleitorais é um dos factores mais exuberantes da demonstração do que é o respeito, em termos políticos. O referendo ao tratado de Lisboa pode ser uma oportunidade para mostrar esse respeito por quem nele acreditou. Não bastam palavras nem boas intenções.

Este é o momento de viragem. Sócrates pode optar pela continuação do autismo e da arrogância governativas, que o levarão à derrota nas eleições de 2009, ou pela retoma dos valores de respeito por quem governa e de determinação para corrigir o que deve ser corrigido.

Eu ainda não me esqueci de Santana Lopes, de Durão Barroso ou de Guterres. Espero que Sócrates também não.

26 outubro 2007

Putin

Não gosto de Putin. Arrepia-me ver este homem ser recebido com esta pompa e esta circunstância por um país democrático, pelo Presidente de um país democrático, pelo Primeiro-Ministro de um país democrático, pela Presidência da União Europeia.

O Presidente da Rússia passeia-se com a segurança de um autoritarismo onde impera a repressão da expressão de opiniões, os crimes contra jornalistas e dissidentes, o apoio ao Irão nuclear, ao Irão negacionista, ao Irão teocrático, misteriosos e calados assuntos em tão estreita e rígida figura.

Não gosto de Putin. Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos deveriam ser para levar a sério neste país democrático, nesta Europa Unida.

Férias

Dormir, ler, comer, passear, namorar, o ócio, o prazer de nada fazer, sem compromissos de ocupação de trabalho ou de lazer.

Estas são as verdadeiras férias, de pulmões vivificados, de olhos banhados de verde e azul, de cabeça cheia de histórias que aguardavam a placidez destes dias.

Já não é Verão e ainda não é Outono. As árvores não se decidem entre o verde e o castanho, o chão recebe folhas estaladiças e, ao fim da tarde, sabe bem um abrigo.

Na preguiça das noites estreladas, devoram-se páginas de livros, olha-se distraidamente o jornal, adormece-se a ouvir as notícias.

Férias de nós e do mundo.

Escolas

Após um editorial muito inflamado de José Manuel Fernandes, clamando contra a Ministra da Educação que, oh horror, disponibilizou os resultados dos exames de 2007 sem, previamente, os ter divulgado aos jornalistas, não dando tempo ao Público de fazer um tratamento suficientemente rápido dos números, de forma a que o seu ranking aparecesse antes ou ao mesmo tempo dos rankings dos outros jornais, obviamente fiquei atenta ao que os media iriam dizer

O costume: que as escolas privadas são melhores que as públicas, esquecendo que as escolas públicas não escolhem os seus alunos, e esquecendo o custo das escolas privadas, o que fracciona imediatamente o universo estudantil.

Mas começam a desenhar-se outros argumentos, subtilmente, que considero potencialmente mais perigosos pela manipulação que poderão fazer da opinião pública: que as escolas religiosas são melhores que as laicas e que a separação de géneros melhora a performance escolar. Coincidência ou não, estes argumentos vêem das escolas que juntam estas duas características.

É verdade que há estudos científicos em que se observam diferenças de aprendizagem e de maturação entre os dois géneros, que poderão servir de base a abordagens diferentes na forma como se leccionam os vários assuntos, tendo em conta estas diferenças. Mas ainda não vi nenhum estudo que advogue uma separação entre os sexos para melhorar a aprendizagem.

Quanto ao factor religioso, é uma questão de crença. Mas nestas coisas do ensino, não sou a favor da fé num sistema, mas em sistemas que estejam confirmados cientificamente, na formação dos professores, na motivação dos alunos, que pode ser outra que não a religião, na disciplina, na exigência, na curiosidade, no gozo de aprender, nas leituras, no trabalho, na cultura do mérito.

A Escola Pública de qualidade é a única que pode propiciar uma verdadeira igualdade de oportunidades, é a única que pode ser um factor de inclusão social, de envolvimento e acolhimento das comunidades imigrantes, uma educação para a solidariedade.

Pois a Escola é mais do que formar máquinas que tiram boas notas. A Escola deve formar futuros cidadãos qualificados, que saibam e que gostem de aprender, inseridos na sua sociedade.

Sim à Europa

O referendo ao tratado constitucional /constituição foi uma promessa do PS e do PSD em campanha eleitoral. A própria constituição foi revista para se poderem referendar tratados que aprofundem a construção europeia.

Com a aprovação do Tratado de Lisboa, que substitui o referido tratado constitucional/constituição, o PS e o PSD parecem ter esquecido as promessas eleitorais e querem arriscar-se a ratificar o tratado sem o referendar.

Várias desculpas têm sido apontadas para que a ratificação seja parlamentar, desde a bondade da democracia representativa até à ilegibilidade do mesmo.

Seria bom que os nossos representantes, nomeadamente José Sócrates, não tratassem os eleitores como tontos, ignorantes, enfim, de uma menoridade mental assinalável, embora tenham tido esperteza suficiente para os elegerem. Se o tratado é ilegível (e é-o, de facto), não resta outra solução aos autores senão tornarem-no legível, e aos seus defensores explicarem-no, para que nos convençam da inevitabilidade e da importância da sua ratificação.

O que não é admissível é transformar o referendo a este preciso tratado num referendo à permanência ou saída de Portugal da União Europeia, como vem sendo advogado por Vital Moreira e, pasme-se, por Ana Gomes.

Ser-se a favor ou contra este tratado não é o mesmo que se ser a favor ou contra a permanência de Portugal na União Europeia. Esse é um argumento desonesto, demagógico e uma tentativa de chantagem inqualificável.

22 outubro 2007

Repouso



Lugar onde o silêncio é azul e a claridade uma melodia.

Pinto Monteiro e os media

O Procurador Geral da República incendiou a comunicação social de propósito ou incidentalmente?

Se foi propositado não percebo o objectivo.

Se foi sem querer, será que temos um irresponsável com esta responsabilidade toda?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...