26 outubro 2007

Escolas

Após um editorial muito inflamado de José Manuel Fernandes, clamando contra a Ministra da Educação que, oh horror, disponibilizou os resultados dos exames de 2007 sem, previamente, os ter divulgado aos jornalistas, não dando tempo ao Público de fazer um tratamento suficientemente rápido dos números, de forma a que o seu ranking aparecesse antes ou ao mesmo tempo dos rankings dos outros jornais, obviamente fiquei atenta ao que os media iriam dizer

O costume: que as escolas privadas são melhores que as públicas, esquecendo que as escolas públicas não escolhem os seus alunos, e esquecendo o custo das escolas privadas, o que fracciona imediatamente o universo estudantil.

Mas começam a desenhar-se outros argumentos, subtilmente, que considero potencialmente mais perigosos pela manipulação que poderão fazer da opinião pública: que as escolas religiosas são melhores que as laicas e que a separação de géneros melhora a performance escolar. Coincidência ou não, estes argumentos vêem das escolas que juntam estas duas características.

É verdade que há estudos científicos em que se observam diferenças de aprendizagem e de maturação entre os dois géneros, que poderão servir de base a abordagens diferentes na forma como se leccionam os vários assuntos, tendo em conta estas diferenças. Mas ainda não vi nenhum estudo que advogue uma separação entre os sexos para melhorar a aprendizagem.

Quanto ao factor religioso, é uma questão de crença. Mas nestas coisas do ensino, não sou a favor da fé num sistema, mas em sistemas que estejam confirmados cientificamente, na formação dos professores, na motivação dos alunos, que pode ser outra que não a religião, na disciplina, na exigência, na curiosidade, no gozo de aprender, nas leituras, no trabalho, na cultura do mérito.

A Escola Pública de qualidade é a única que pode propiciar uma verdadeira igualdade de oportunidades, é a única que pode ser um factor de inclusão social, de envolvimento e acolhimento das comunidades imigrantes, uma educação para a solidariedade.

Pois a Escola é mais do que formar máquinas que tiram boas notas. A Escola deve formar futuros cidadãos qualificados, que saibam e que gostem de aprender, inseridos na sua sociedade.

2 comentários:

  1. lino21:24

    Na verdade, a assexualidade e a água benta, mais a tutoria individual, a missa diária e umas estaladas na cara parecem comandar a inteligência (mais vernaculamente, a chico-espertice). No Mira Rio, no Planalto, nos Cedros e no Horizonte, convivência com o sexo oposto é pecado.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos14:59

    Exacto.

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