18 maio 2007

Passear


Desde a senhora gordíssima que conduzia o táxi que me trouxe do aeroporto ao hotel, passando pela empregada do café junto ao convento, onde me inclino perante os cientistas e a ciência, as pessoas com quem me cruzo na rua e a quem pergunto direcções e opiniões, até ao generoso empregado do restaurante que, desta vez, me recomendou uma especialidade da casa e da região, trazendo-me, inchado e orgulhoso, metade de um frango panado mal frito, sem qualquer acompanhamento, só encontrei uma senhora antipática, magra, tipo espinafre, azeda que nem vinagre, repetindo exactamente as mesmas palavras incompreensíveis depois de eu lhe ter dito, o mais delicadamente possível, que não falava a sua língua. Parecia um computador com voz grasnante.

Ainda por cima eu estava totalmente descomposta, cheia de sacos, o casaco pendurado na pasta pesadíssima (com papéis, resumos de comunicações e mapas), totalmente alagada depois de duas horas a pé, à torreira do sol.

Sim: ontem chovia e hoje, na televisão do quarto, consegui descortinar que estavam nove graus (às 8:00h). Portanto, apesar de transpirar por todos os poros devido à temperatura climatizada, armei-me de casaco, chapéu e guarda-chuva dentro da pasta, para além de um lenço à volta do pescoço. Depois do pequeno-almoço, e perante um céu imaculadamente azul, decidi que era melhor desistir do peso do guarda-chuva e do lenço do pescoço.

É claro que a meio do caminho (meia hora até ao dito convento) já eu resmungava pelo casaco, pela carteira, pela pasta, enfim, pelo calor que já estava àquela hora da manhã.

No convento estava uma temperatura agradável e, apesar das cadeiras desconfortáveis (deve ser para os ouvintes não adormecerem) e do esforço para entender o inglês dos palestrantes, foi uma manhã e uma tarde interessantes e proveitosas.

No fim do programa cumprido, cheia de novidades e projectos futuros, decidi conhecer mais um pouco da cidade andando pelas ruas, hoje bastante animadas (ontem era feriado), entrando nas lojas, olhando, ouvindo, cheirando as flores nas ruas. Perdi-me por diversas vezes o que só aumentou a canseira e o calor com que me arrastava. Mas valeu a pena. É uma cidade muito simpática. Fico com vontade de voltar.

17 maio 2007

Candidatar vs. Mandatar

Há algumas coisas que ferem o equilíbrio, seja ele de que tipo for.

Falo do facto de Fernando Negrão, candidato à Câmara de Lisboa pelo PSD, ter como mandatária (nunca percebi para que servem os mandatários)
Manuela Ferreira Leite!

Não seria melhor e mais lógico ser Manuela Ferreira Leite a candidatar-se em vez de mandatar a campanha do cordeiro sacrificial? Claro que Manuela Ferreira Leite (ou Paula Teixeira da Cruz) não devem achar graça a este tipo de sacrifícios, mas mesmo assim…

Os partidos estavam em verdadeira agonia para encontrar candidatos, mas já os encontraram, com excepção do CDS/PP. Paulo Portas (que tem estado a ser levado ao colo pela comunicação social pois não há jornal ou televisão que não perca tempo a mostrar as suas opiniões sobre tudo e sobre nada, relevantes ou irrelevantes, dando-lhe oportunidade para treinar a voz, o sorriso, o brilho dental e as frases bombásticas) ainda não conseguiu tirar da cartola um candidato, da enorme quantidade que espera, ansiosa, o chamamento do chefe.

Ele não, claro (cruz credo), porque ir a votos pode voltar a ser um fiasco, e isso Portas deixa para os seus fiéis servos...

Adenda: José Miguel Júdice a mandatar António Costa?? De facto, não devo mesmo perceber para que servem os mandatários.

Intervalo

Gosto das bicicletas, dos cafés com mesas redondas e toalhas de tecido, dos jornais esticados por pauzinhos de madeira à disposição de quem os quer ler, do pequeno tabuleiro com o café, o açúcar, o leite e o copo de água, da tranquilidade, dos eléctricos.

Mas não é fácil quando se desconhece a língua nativa. Os panfletos que me deram na recepção do hotel, sem sequer os pedir, estão em alemão, tal como os mapas e as ementas.

Hoje, depois de grandes esforços de parte a parte (de mim e do empregado), em que dei a entender com o meu inglês macarrónico que queria qualquer coisa leve, por exemplo vegetais (estava a pensar em sopa de legumes, salada, guisado), ele presenteou-me com um prato de beringelas panadas, acompanhada de um molho com maionese e pickles. Não estava mau, mas depreendi que o inglês dele era tão macarrónico como o meu.

Tem chovido, mas nem isso impede as caminhadas pela margem do rio, para desenjoar de palestras ditas num inglês inclassificável (igual ao meu!), sobre milhares de coisas tecnológicas e de ficção científica que, felizmente, já estão ao alcance da maioria dos nossos países europeus. Tem havido um desenvolvimento exponencial na ciência e nem sempre conseguimos aplicá-la às nossas necessidades. Se calhar alguma não tem aplicabilidade (ainda…).

Também gosto daquelas carteiras enormes e cheias de moedas que os empregados dos cafés e restaurantes transportam à cintura. São desmedidas!

16 maio 2007

De perto

Nesta distância de te amar
olhos na memória dos teus
mãos que procuram as tuas
em gestos banalizados
o vinho no copo de tão natural
a partilha do pão do riso do sal
de todo este tempo
a qualquer distância
de te amar.

(pintura de Marc Chagall: Wedding)

15 maio 2007

Outras paragens


Nos próximos dias estarei mergulhada noutras paragens, noutra língua, noutras ciências.

Pode ser que consiga vir aqui espreitar, de fugida.

Fitas



De facto já percebi as razões que levaram à colocação de parras em frente ao sexo das figuras nuas, fossem elas estátuas ou pinturas. O fundamentalismo e o politicamente correcto, a hipocrisia e a idiotice, que já levou a substituir o cigarro de Lucky Luke por uma palhinha, estão em alta e em perigoso avanço!

Intercalares na governação


José Sócrates resolveu o problema. Substituiu António Costa por Rui Pereira, uma pessoa com prestígio e uma imagem de competência e rigor, embora me pareça no mínimo estranho abandonar-se um cargo que se ocupou há apenas um mês...

Por outro lado, se for verdade que Luís Amado será o número dois do governo, também parece ser uma boa escolha.

Mas o peso político de António Costa e a existência de um ser pensante com valor intrínseco próprio ao lado de Sócrates pode ter-se perdido. E é um luxo a que o país e o próprio primeiro-ministro não se podem dar. O deserto e a aridez aumentam em torno dele. Vai ficando cada vez mais rodeado de aparelho e aparelhistas.

Para Lisboa é uma boa notícia. Helena Roseta teve, para já, esse mérito. A marcação das eleições para dia 1 de Julho inviabilizam, na prática, candidaturas independentes. É um gesto de uma democraticidade muito duvidosa. Mas será que Helena Roseta ainda tem espaço político para se defender em eleições? A hipótese de coligação à esquerda é impossível, até pela indisponibilidade dos próprios partido comunista e bloquistas.

Mas se Helena Roseta tiver uma boa lista, constituída por pessoas credíveis e com vontade de trabalhar, pode fazer alguma mossa ao PS.

Considero o aparecimento de candidaturas independentes um bálsamo. Mais uma vez o PS e, mais precisamente Sócrates, meteram os pés pelas mãos. A solução que arranjaram é de peso, mas de um enorme risco para o país.

Quanto ao PSD, até faz pena. Palavra que faz pena!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...