15 novembro 2006

Empresários

"Feira de emprego cancelada por falta de comparência das empresas"

Esta é uma das razões do estado a que a nossa economia chegou. Os empresários portugueses, que acusam o estado de ser omnipresente, de desperdício, de gastar os recursos dos contribuintes mal gastos, os empresários que querem que o estado despeça funcionários e incentive o desenvolvimento da iniciativa privada, os empresários que entendem o aumento de lucros como uma diminuição do custo da mão de obra, esses empresários não se interessam por conferências sobre emprego científico, não vêm importância na investigação científica nem no investimento no saber.

A igualdade da desigualdade

Maria Antónia Palla revelou a sua enorme surpresa relativamente ao facto de o governo, a partir de 1 de Janeiro de 2007, acabar com as comparticipações do estado para o sub-sistema de saúde dos jornalistas.

Diz ainda Maria Antónia Palla que o secretário de estado lhe assegurou que era por uma questão de princípio e de igualdade. E então ela profere palavras sábias: que a igualdade só é igualdade no respeito pelas diferenças e, tartamudeando, qualquer coisa sobre a saúde dos jornalistas que penso que nem ela própria percebeu.

Pois é, quando se trata de acabar com a ADSE e com a ADME e com outros sub-sistemas (o que acho bem, desde já o afirmo), acabando com regimes de excepção injustificáveis, há o acordo e o aplauso geral. Mas quando essa igualdade se pretende generalizada, começam a aparecer as diferenças na igualdade!

Imperdível

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO
15 Novembro 2006 a 14 Janeiro 2007
Fundação Calouste Gulbenkian
Centro de Arte Moderna
Sede, Piso 0 e 01
Comissariado:
Helena de Freitas e Catarina Alfaro (adjunta)



(Pintura de Amadeo de Souza-Cardoso: Entrada)

Odisseia

Fui recebida pelo vento que me ia virando o guarda-chuva, pela rajada de água quer me foi encharcando, em banhos cíclicos e gelados, ao longo do caminho entra a porta da rua e a porta do carro. Começou pelos pés, cobertos por botas que não aguentaram a invasão líquida, depois as meias, as calças, a gabardina, a camisola, o chapéu, tudo o que tinha vestido ficou mais pesado e mais rígido, abrandando o passo e aumentando o frio que se entranhava nos ossos.

Atravessar as ruas com lagos junto aos passeios, ver por onde andava com o guarda-chuva quase pregado à cara, perceber os alertas amarelos das luzes dos carros antes de estarem mesmo em cima de mim, acrescentou uma aura de mistério e perigo à odisseia invernal de chegar ao carro.

Começou o Inverno, com chuva, frio, vento e noites antecipadas. Como deve ser.

14 novembro 2006

Compras de Natal

Aproveitando a época de Natal, em que o comércio se queixa da falta de vendas e da falta de dinheiro, as editoras aproveitam para dar à luz alguns livros com nomes que chamem compradores, ou pela hipótese de boa literatura (real ou virtual) ou pela hipótese de boa fofoca. Santana Lopes e a editora (Zita Seabra) aproveitam.

Luís Delgado, depois de ter constatado a diferença abissal entre as várias e muitas vezes imaginativas versões jornalísticas sobre os casos da época, espantando-se com as histórias fantásticas que inventam, muito mais interessantes do que o tédio da realidade, congratulou-se por, finalmente, ficarmos a saber a verdade de Santana Lopes em confronto com as palavras do Presidente Sampaio, esquecendo-se que este também deve ter a sua verdade.

Enfim, todos temos que nos recrear com histórias leves e giras, com a gente do nosso jet-set.

Boa sorte para o espírito natalício!

12 novembro 2006

Espera por mim

Espera por mim no poema
que demoro a escrever.
Espera pela flor de desejo
pela pele da ternura
que se esconde.

Assim me descubro,
a natureza breve e crua
da alma nua
que te entrego.


(pintura de Veva S. Dunckel: basswood)

Falta de convicção

José Sócrates insiste num erro. Não por falta de determinação mas, provavelmente, por falta de convicção.

O PS estava obrigado a mudar a lei da despenalização da IVG apenas e só depois de uma repetição do referendo. A isso o amarrou António Guterres ao aceitar, em primeiro lugar, que o assunto fosse a referendo, mas mais importante que isso, ao aceitar um resultado com uma participação inferior a 50%, ou seja, não vinculativo.

José Sócrates deixou hoje bem claro que respeitará o resultado do referendo, quer ele seja vinculativo quer não. E acrescenta: Muito me espanta que haja quem esteja permanentemente a dar lições sobre a importância da democracia participativa e esteja tão disponível para, na primeira oportunidade, desprezar o resultado de um referendo popular. A democracia participativa é para levar a sério, não pode ser uma questão de conveniência ou de oportunidade.

José Sócrates apenas se esquece do facto de estar na Constituição (na lei) que o referendo só é vinculativo se houver mais do que 50% de votantes. José Sócrates usa uma habilidade demagógica para justificar aquilo que deveria ser politica e moralmente inaceitável: que as leis do país não precisam de ser cumpridas, pois há outras legitimidades mais importantes.

José Sócrates apenas se esquece da legitimidade da Assembleia da República, que tem representatividade e legitimidade para fazer e alterar leis. Esquece-se porque lhe convém.

Significa portanto que, mais uma vez, a defesa de posições ideológicas é menos importante que a contabilidade fria da possível perda de votos de alguns sectores mais conservadores da sociedade que, neste domínio, têm definido e condicionado a política de todos os governos, mesmo os que dizem defender exactamente o contrário.

Aqui está uma amostra do conceito de democracia representativa e participativa de José Sócrates.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

PARTE III - Organização do poder político

TÍTULO I - Princípios gerais

  • Artigo 115.º (Referendo)
  • 11. O referendo só tem efeito vinculativo quando o número de votantes for superior a metade dos eleitores inscritos no recenseamento.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...