Esta é uma das razões do estado a que a nossa economia chegou. Os empresários portugueses, que acusam o estado de ser omnipresente, de desperdício, de gastar os recursos dos contribuintes mal gastos, os empresários que querem que o estado despeça funcionários e incentive o desenvolvimento da iniciativa privada, os empresários que entendem o aumento de lucros como uma diminuição do custo da mão de obra, esses empresários não se interessam por conferências sobre emprego científico, não vêm importância na investigação científica nem no investimento no saber.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
15 novembro 2006
Empresários
Esta é uma das razões do estado a que a nossa economia chegou. Os empresários portugueses, que acusam o estado de ser omnipresente, de desperdício, de gastar os recursos dos contribuintes mal gastos, os empresários que querem que o estado despeça funcionários e incentive o desenvolvimento da iniciativa privada, os empresários que entendem o aumento de lucros como uma diminuição do custo da mão de obra, esses empresários não se interessam por conferências sobre emprego científico, não vêm importância na investigação científica nem no investimento no saber.
A igualdade da desigualdade
Diz ainda Maria Antónia Palla que o secretário de estado lhe assegurou que era por uma questão de princípio e de igualdade. E então ela profere palavras sábias: que a igualdade só é igualdade no respeito pelas diferenças e, tartamudeando, qualquer coisa sobre a saúde dos jornalistas que penso que nem ela própria percebeu.
Pois é, quando se trata de acabar com a ADSE e com a ADME e com outros sub-sistemas (o que acho bem, desde já o afirmo), acabando com regimes de excepção injustificáveis, há o acordo e o aplauso geral. Mas quando essa igualdade se pretende generalizada, começam a aparecer as diferenças na igualdade!
Imperdível
(Pintura de Amadeo de Souza-Cardoso: Entrada)
Odisseia
Fui recebida pelo vento que me ia virando o guarda-chuva, pela rajada de água quer me foi encharcando, em banhos cíclicos e gelados, ao longo do caminho entra a porta da rua e a porta do carro. Começou pelos pés, cobertos por botas que não aguentaram a invasão líquida, depois as meias, as calças, a gabardina, a camisola, o chapéu, tudo o que tinha vestido ficou mais pesado e mais rígido, abrandando o passo e aumentando o frio que se entranhava nos ossos.Atravessar as ruas com lagos junto aos passeios, ver por onde andava com o guarda-chuva quase pregado à cara, perceber os alertas amarelos das luzes dos carros antes de estarem mesmo em cima de mim, acrescentou uma aura de mistério e perigo à odisseia invernal de chegar ao carro.
Começou o Inverno, com chuva, frio, vento e noites antecipadas. Como deve ser.
14 novembro 2006
Compras de Natal
Luís Delgado, depois de ter constatado a diferença abissal entre as várias e muitas vezes imaginativas versões jornalísticas sobre os casos da época, espantando-se com as histórias fantásticas que inventam, muito mais interessantes do que o tédio da realidade, congratulou-se por, finalmente, ficarmos a saber a verdade de Santana Lopes em confronto com as palavras do Presidente Sampaio, esquecendo-se que este também deve ter a sua verdade.
Enfim, todos temos que nos recrear com histórias leves e giras, com a gente do nosso jet-set.
Boa sorte para o espírito natalício!
12 novembro 2006
Espera por mim
Falta de convicção
José Sócrates insiste num erro. Não por falta de determinação mas, provavelmente, por falta de convicção.
O PS estava obrigado a mudar a lei da despenalização da IVG apenas e só depois de uma repetição do referendo. A isso o amarrou António Guterres ao aceitar, em primeiro lugar, que o assunto fosse a referendo, mas mais importante que isso, ao aceitar um resultado com uma participação inferior a 50%, ou seja, não vinculativo.
José Sócrates deixou hoje bem claro que respeitará o resultado do referendo, quer ele seja vinculativo quer não. E acrescenta: Muito me espanta que haja quem esteja permanentemente a dar lições sobre a importância da democracia participativa e esteja tão disponível para, na primeira oportunidade, desprezar o resultado de um referendo popular. A democracia participativa é para levar a sério, não pode ser uma questão de conveniência ou de oportunidade.
José Sócrates apenas se esquece do facto de estar na Constituição (na lei) que o referendo só é vinculativo se houver mais do que 50% de votantes. José Sócrates usa uma habilidade demagógica para justificar aquilo que deveria ser politica e moralmente inaceitável: que as leis do país não precisam de ser cumpridas, pois há outras legitimidades mais importantes.
José Sócrates apenas se esquece da legitimidade da Assembleia da República, que tem representatividade e legitimidade para fazer e alterar leis. Esquece-se porque lhe convém.
Significa portanto que, mais uma vez, a defesa de posições ideológicas é menos importante que a contabilidade fria da possível perda de votos de alguns sectores mais conservadores da sociedade que, neste domínio, têm definido e condicionado a política de todos os governos, mesmo os que dizem defender exactamente o contrário.
Aqui está uma amostra do conceito de democracia representativa e participativa de José Sócrates.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
PARTE III - Organização do poder político
TÍTULO I - Princípios gerais
- Artigo 115.º (Referendo)
- 11. O referendo só tem efeito vinculativo quando o número de votantes for superior a metade dos eleitores inscritos no recenseamento.
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