Sugiro ao Engenheiro Sócrates que não se esqueça de jogar no euromilhões esta semana (180 milhões de euros!!). Pode até fazer uma vaquinha com todo o governo e, inclusivamente, com o Presidente Cavaco Silva. De certeza que poderia ajudar no cumprimento das metas do Pacto de Estabilidade e Crescimento!
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
11 novembro 2006
Cães rafeiros
Será que na sociedade actual só deve ser permitido o acesso ao que se pode pagar? Será que é supérfluo assistir a uma peça de teatro, a um concerto, ler um livro de poesia, comprar uma pintura?Será que é mais supérfluo ainda escrever poesia, pintar quadros, ser actor, compor uma melodia, cantar, esculpir? Será que a civilização, tal como a conhecemos, seria a mesma se não houvesse artistas? Qual o lugar dos artistas, qual o seu papel social, para que servem?
Como se avalia uma obra de arte? Quem define critérios de avaliação, quem assume a defesa de um pintor, de um escritor, de um escultor, de um músico?
Como sobrevive a arte numa economia de mercado, em que o objectivo último é o lucro e em que o decisor é a quantidade de pessoas que paga por uma determinada oferta?
Será útil subsidiar obras e ofertas culturais que se dirigem a minorias, cuja mais valia não é medida por dinheiro, mas por inovação, criatividade, bem-estar, originalidade? Se aceitamos mecenas privados, porque não aceitamos que o estado possa ser um mecenas?
O Público tem hoje uma matéria extensa e muito interessante sobre as ofertas culturais que existem por esse país fora, à custa do dinheiro dos contribuintes. Graças aos subsídios do estado, é possível aos artistas e às populações comunicarem, sonharem, imaginarem, soltarem-se do seu dia a dia, remodelarem-se e renascerem na procura da felicidade.
É claro que os criadores não podem viver apenas dos subsídios nem o estado tem possibilidades (nem deve) subsidiar tudo e todos. Mas, com os devidos critérios e com as devidas exigências, o estado tem obrigação de pugnar pela pujança das ofertas culturais diversificadas, desde o teatro experimental até ao circo, apoiar a inovação porque, em última análise, são os artistas os melhores espelhos e os maiores embaixadores da nossa cultura.
- Arte (ars, artis) - conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa; talento; habilidade.
- Cultura (cultura) - desenvolvimento intelectual, saber; conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade; civilização.
(Alberto Giacometti, 1951: Chien)
A propósito e a despropósito
A propósito vale a pena ler "Há alguém para segurar a coroa de louros a Sócrates?”, de A. Teixeira.
A despropósito também gostei imenso de “Azia”, também de A. Teixeira e de “Grandes contos (9): Sophia”, do Pedro Correia.
A despropósito também gostei imenso de “Azia”, também de A. Teixeira e de “Grandes contos (9): Sophia”, do Pedro Correia.
Falta de comparência
Não deixa de ser interessante ler textos vigorosos de analistas/jornalistas sobre o PS, o governo, o PS no governo, Sócrates, Sócrates e o PS, Guterres e Sócrates, comparações e contradições.Guterres era o imperador do diálogo e por isso foi criticado, principalmente à direita mas também à esquerda – falava, falava, mas não decidia, queria agradar a gregos e a troianos, inclusivamente à Igreja, de que é devoto, ficámos a conhecer o socialismo cristão à portuguesa. Com bonomia e pouca determinação lá fomos, rindo e gastando, até à queda da ponte de Entre-os-Rios, que ditou a queda de Guterres, consumada numas eleições autárquicas catastróficas.
Agora temos a determinação, teimosia, autismo, prepotência, autoritarismo sem a emoção de Sócrates, como diz Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje do Público, tão sábia e inspirada, venenosa e cansativa (como sempre!).
Uma certa direita acusa-o de não fazer reformas, de fingir hipocritamente que tudo está a melhorar, de aumentar a despesa, de não reduzir os impostos, de manter uma corja de funcionários públicos larvar e apodrecida a corroer o estado, de não incentivar o mercado e a iniciativa privada.
Em desespero de causa, uma outra direita travestida preocupa-se com o povo e, principalmente com os funcionários públicos, apela ao diálogo, à negociação, à democratização do governo e do primeiro-ministro, assusta-se com a crispação da sociedade e aconselha-o a ouvir a rua!
À esquerda é o regresso (cíclico) do grande capital, a maior ofensiva desde o 25 de Abril à classe trabalhadora, operários, camponeses e mineiros (!), o neo liberalismo de Sócrates, o enterro do estado social, as greves, os apupos, as acusações aos socialistas de que estão a fazer aquilo que os sociais democratas nunca conseguiram, mas têm pena.
Seria o congresso do PS uma óptima altura de os votantes e apoiantes do socialismo, daqueles que deram a maioria absoluta ao governo, confrontarem, debaterem e dialogarem com os dirigentes, aqueles que decidem porque as críticas da oposição à direita e à esquerda são circunstanciais, sempre iguais e, agora, até se confundem, trocando papéis, a direita desdizendo o que sempre disse, a esquerda, honra lhe seja feita, repetindo o mesmo desde há 30 anos para cá.
Mas, ao contrário de algumas vozes que sempre se resignam a ser do contra, visto que todos os outros se transformam em blocos de unanimidade artificial, os socialistas falam em medo de ser crítico (de quê?), de falar e de sofrer represálias (de quem?), assistindo-se a queixas de "suspensões" e "retiradas de confianças políticas".
E este congresso, o tal que deveria ser para debater ideias e reforçar posições, clarificar políticas e assumir roturas, é uma grande festa em torno do líder e uma grande aclamação do governo, como nos elucidou o Secretário de Estado Valter Lemos, aos microfones da TSF (ontme).
É por estas e por outras que será o PS, e não a oposição, a determinar a derrota do governo, por falta de coragem e de comparência.
10 novembro 2006
Círculos
Continuamos
Realmente, nada de novo.
A crise continua, a greve foi um sucesso para os sindicatos e um fracasso para o governo, o PS vai ser unânime e feliz na consagração do seu incontestado líder, Helena Roseta está transformada na voz agoirenta, incómoda e muito desvalorizada no meio da homogeneidade socialista, houve mais uma acidente grave por conduzir em contra mão na auto-estrada, o José Manuel Fernandes gostou muito e achou muito bem a derrota dos republicanos do EUA, o Lobo Xavier até não acha mal que os bancos portugueses paguem menos impostos que os seus congéneres europeus, porque continuam a ser portugueses.
Realmente, nada de novo.
A crise continua, a greve foi um sucesso para os sindicatos e um fracasso para o governo, o PS vai ser unânime e feliz na consagração do seu incontestado líder, Helena Roseta está transformada na voz agoirenta, incómoda e muito desvalorizada no meio da homogeneidade socialista, houve mais uma acidente grave por conduzir em contra mão na auto-estrada, o José Manuel Fernandes gostou muito e achou muito bem a derrota dos republicanos do EUA, o Lobo Xavier até não acha mal que os bancos portugueses paguem menos impostos que os seus congéneres europeus, porque continuam a ser portugueses.
Realmente, nada de novo.
08 novembro 2006
A banca
Não há dúvida que há sectores da nossa sociedade e da nossa economia que se consideram intocáveis.Quando surgiram as primeiras notícias sobre um eventual aumento de carga fiscal para o sector bancário, previsto no Orçamento de Estado (OE) de 2007, João Salgueiro fez ver ao governo e ao país, não por estas palavras mas com este aviso, que a banca sabe bem como contornar a lei para que os impostos lhe sejam mais leves, o que lhe ficou bastante mal, para não dizer que foram umas declarações arrogantes e de “chico-espertice” que não se esperavam de alguém com a responsabilidade de João Salgueiro.
Nestes últimos anos, com o advento da tão conhecida e estafada crise, a vida não tem sido fácil para uma grande parte da população, principalmente da conhecida classe média, onde se engloba o tão pesado, ineficaz e gastador funcionalismo público.
Nunca ouvi João Salgueiro acusar Sócrates de arrogância e de peronismo, quando este afirma que é necessário reduzir, redimensionar e reorganizar o estado, quando se preparam medidas que vão facilitar os despedimentos na função pública, quando houve congelamento dos salários e da progressão automática nas carreiras, quando afronta professores, sindicatos, médicos, farmacêuticos, juízes e outras corporações, independentemente da justeza ou da injustiça da afronta.
Mas quando se pretende uma aproximação mais que justificada entre os encargos fiscais da banca e os dos outros contribuintes, mais uma vez João Salgueiro vem a público, denunciar as manobras estratégicas e pouco aceitáveis (para ele) deste governo.
Mesmo que seja um gesto simbólico, a justiça fiscal é um dos elementos mais importantes na credibilidade de qualquer governo que tenha necessidade de impor restrições às populações. Ainda por cima em sectores que estão tudo menos deficitários, não é aceitável que não se exija exactamente o mesmo esforço que se exige a todos os outros cidadãos.
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