11 novembro 2006

Cães rafeiros

Será que na sociedade actual só deve ser permitido o acesso ao que se pode pagar? Será que é supérfluo assistir a uma peça de teatro, a um concerto, ler um livro de poesia, comprar uma pintura?

Será que é mais supérfluo ainda escrever poesia, pintar quadros, ser actor, compor uma melodia, cantar, esculpir? Será que a civilização, tal como a conhecemos, seria a mesma se não houvesse artistas? Qual o lugar dos artistas, qual o seu papel social, para que servem?

Como se avalia uma obra de arte? Quem define critérios de avaliação, quem assume a defesa de um pintor, de um escritor, de um escultor, de um músico?

Como sobrevive a arte numa economia de mercado, em que o objectivo último é o lucro e em que o decisor é a quantidade de pessoas que paga por uma determinada oferta?

Será útil subsidiar obras e ofertas culturais que se dirigem a minorias, cuja mais valia não é medida por dinheiro, mas por inovação, criatividade, bem-estar, originalidade? Se aceitamos mecenas privados, porque não aceitamos que o estado possa ser um mecenas?

O Público tem hoje uma matéria extensa e muito interessante sobre as ofertas culturais que existem por esse país fora, à custa do dinheiro dos contribuintes. Graças aos subsídios do estado, é possível aos artistas e às populações comunicarem, sonharem, imaginarem, soltarem-se do seu dia a dia, remodelarem-se e renascerem na procura da felicidade.

É claro que os criadores não podem viver apenas dos subsídios nem o estado tem possibilidades (nem deve) subsidiar tudo e todos. Mas, com os devidos critérios e com as devidas exigências, o estado tem obrigação de pugnar pela pujança das ofertas culturais diversificadas, desde o teatro experimental até ao circo, apoiar a inovação porque, em última análise, são os artistas os melhores espelhos e os maiores embaixadores da nossa cultura.

(Alberto Giacometti, 1951: Chien)

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