08 outubro 2006

Dia de ninho


Dia de chá
mantas e livros,
de pantufas
biscoitos e cama.

Dia de modorra
e de carinho,
de fim de festa,
de descanso.

Dia de ninho.


(pintura de Marty Walsh: Tea and Toast)

Pedreiros Livres


Por diversas vezes, e sempre que não se consegue justificar a nomeação de uma certa personagem para um determinado cargo, para o qual é lendariamente conhecida a sua incompetência, ou se há uma aura de pessoa intocável, quando se comentam pecados e pecadilhos, verdadeiros ou falsos, ou quando se pretende desacreditar alguém, não existindo quaisquer razões para tal, mesmo que esse alguém seja sobejamente apreciado pelas suas qualidades, sejam de que tipo forem, murmura-se, põe-se a correr, ou exclama-se com evidência – pertence à Maçonaria!

Segundo Mário Mesquita ("Conspirações ao correr da pena", no Público) e a Câmara Corporativa, parece que o director do SOL se juntou aos clarividentes reveladores de evidências, ligando a Maçonaria ao processo Casa Pia, o que para justificar, nem que seja remotamente, a inexcedível e vergonhosa trapalhada do processo, sob a responsabilidade de Souto Moura, é altamente engenhoso, de um equilibrismo e de uma falta de noção do ridículo notáveis, mas pouco original, convenhamos!

Anna Politkovskaia

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen; fotografia de Anna Politkovskaia)

07 outubro 2006

Uma pequeníssima nota


Não percebo porque é que tanta gente achou o discurso de Cavaco Silva sobre a corrupção TÃO importante, TÃO abre espaço ao governo de Sócrates, que TANTO agrega vontades, oh que bom que há tantos motivos de consenso na sociedade portuguesa.

Após um PACTO de justiça, patrocinado pelo mesmo Presidente, em que se não falava da dita corrupção, eis senão que se lhe dá um rebate na alma e vai de clamar contra esse veneno da democracia.

E, saído dos escombros do esquecimento, sai João Cravinho de espada em riste e leis preparadas para a nossa assembleia aprovar e, depois, ignorar.

Tal como se ignoravam olimpicamente os mesmos discursos anti corrupção do anterior Presidente Jorge Sampaio.

Porque é que é tão importante realçar a maravilhosa e sã convivência entre Sócrates e Cavaco?

Finanças Regionais


Nunca é demais realçar este facto político inédito, desde que Alberto João Jardim é Presidente do governo regional da Madeira, ou seja, desde sempre, que há um governo e um ministro das finanças que afrontam a demagogia, o populismo e a incrível falta de noção do que é a dignidade de um cargo público e o que significa esse cargo público.

Alberto João Jardim tem usado o facto de ser eleito para dizer todas as enormidades que lhe passam pela cabeça, chegando a ameaçar o Contnente com a independência do arquipélago, numa forma e com uns modos absolutamente inadmissíveis. Ele acha que as regras não se aplicam, nem a ele nem ao seu governo regional, partindo do princípio que o dinheiro continuará a fluir sem reservas, sem que as contas sejam feitas, assumindo-se como uma excepção, não se sabe ao abrigo de que leis, à prestação dessas mesmas contas.

Até agora, Presidentes da República, Primeiros-Ministros e líderes do PSD têm-se calado, assobiando para o ar, permitindo esta insanidade.

Finalmente, e como diria um grande e prezado amigo, Teixeira dos Santos e José Sócrates aplicaram-lhe um torniquete numa parte delicada da sua anatomia...

Gulodice

Guloso te lambo
como se um doce foras
servido sem restrições
à minha gula
até me lambuzar
todo
em ti
no exagero
que excede
do doce
e da fome
as dimensões.

Faço do teu ventre
guardanapo
limpando nele
a boca transbordante
e não resisto
num gesto de criança
a lamber os dedos
um a um
como me ensinaram
a nunca fazer.


(poema de Pedro Neves; pintura de Gina Bold: faun with shepardess)

Revista de imprensa (muito) matinal

Preferia que o suplemento “Mil Folhas” saísse ao sábado. Tenho mais tempo e disposição para saborear os jornais nas manhãs do fim-de-semana. Serei só eu?

Muito me interroguei sobre os acordos com o MIT, desde a célebre pergunta de José Tavares acusando Sócrates de ter sepultado o projecto, por pressões ou outras coisas escusas que não se perceberam, mas também não foram explicadas. É bom que comecem a ser divulgadas as áreas científicas que vão sendo abrangidas, as Universidades e os Institutos que estão englobados.

José Sócrates afirmou que o PS irá fazer campanha pela despenalização do aborto. Finalmente acabaram-se as meias tintas guterristas sobre este assunto. A posição do partido não colide com opções individuais, ao contrário do que António Guterres parecia defender.

A novela entre a Refer e a Teixeira Duarte por causa do túnel do Rossio é estranhíssima. Afinal, depois da Teixeira Duarte ter reduzido as obras de CINCO anos para UM ano e meio, a Refer afinal rescinde mesmo o contrato, e a Teixeira Duarte NÃO ENTENDE! Quem não percebe nada sou eu!

Em tempos em que se tenta impedir o fenómeno crescente da imigração ilegal, com a construção de muros legais e de pedra, é muito interessante a opinião de pessoas como Demetrios Papademetriou, que alerta para o futuro da crescente mobilidade de pessoas, em busca de trabalho, de melhor qualidade de vida, de felicidade, o que coloca desafios aos governos das nações que se dizem livres e democráticas, no sentido de facilitar e aprender a administrar essa mobilidade, cujos centros serão cidades em vez de países.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...