13 setembro 2006

Nada sabemos

Nada sabemos

Nunca sabremos si los engañados
son los sentidos o los sentimientos,
si viaja el tren o viajan nuestras ganas,
si las ciudades cambian de lugar
o si todas las casas son la misma.
Nunca sabremos si quien nos espera
es quien debe esperarnos, ni tampoco
a quién tenemos que aguardar en medio
del frío de un andén. Nada sabemos.
Avanzamos a tientas y dudamos
si esto que se parece a la alegría
es solo la señal definitiva
de que hemos vuelto a equivocarnos.

(poema de Amália Bautista; pintura de Maria Teresa De Carreño: fotografía sobre cemento)

Dúvidas

Sócrates está em condições de garantir que a despesa pública vai este ano cair em função do PIB - e isso será algo de inédito em 30 anos de História das finanças públicas em Democracia.

Vítor Constâncio admite fazer uma revisão em alta do crescimento económico.

Teixeira dos Santos diz que a revisão do PIB é sinal positivo.

Ouvimos e duvidamos. Estamos tão habituados a que nos avisem dos tempos difíceis, que nos assustem com o défice, que nos castiguem com a crise.

Será que devemos acreditar? Será que é desta que a retoma chega?

12 setembro 2006



Tú, que me diste todo, palabras al silencio,
tacto a mi piel, asombro a mi mirada,
calor y luz y fuerza y esperanza.
Tú, que creíste em mí cuando yo no creía
ni en mí ni en nadie ni en ninguna cosa.
Tú, que me diste más de lo que tienes
y más de lo que puedes. Tú,
que todo me lo diste, me has quitado
mi único patrimonio:
mis ganas de morirme.


(poema de Amalia Bautista; pintura de Ana Gonzalez Prieto: la procesion del silencio)

Medo do terrorismo global


Não vi a totalidade do programa “Prós e Contras” sobre o terrorismo, com Mário Soares e Pacheco Pereira.

Do que vi, Mário Soares está longe da sua forma. Trémulo, pouco preciso, esquecido, trocando palavras, um pouco surdo, Mário Soares é uma pálida amostra do que já foi.

Mas, concorde-se ou não com ele, Mário Soares tem ideias bem definidas. Acha que Bush e a sua administração têm uma lógica imperial, querendo impor os seus valores ao mundo, apelida Bush de fanático religioso, e ataca a estratégia antiterrorista dos USA, olhando para os resultados. Advoga os princípios do direito internacional e repudia o conceito de guerra preventiva. É claro que as humilhações ao mundo islâmico e o diálogo com Bin Laden, a Al Qaeda e afins parecem-me totalmente descabidas.

Por outro lado Pacheco Pereira, que também tem ideias bem definidas, embora aparente aceitar alguns erros da administração americana, compreende e aplaude o “fazer qualquer coisa”, reagir, atacar, tendo inclusivamente aceite a eventual necessidade de invasão do Irão, explicando o conceito de guerra civilizacional. Para Pacheco Pereira, o direito está desfasado da realidade e destas novas ameaças, pelo que não se incomoda muito com os atropelos dos americanos aos direitos humanos, que eles dizem defender.

Dos representantes da comunidade islâmica, e mais uma vez repito que não vi tudo, um deles defende sem defender a teoria da conspiração, segundo a qual os terroristas tiveram a conivência da administração Bush para perpetrarem os ataques de 11 de Setembro.

De todos, pareceu-me que Helena Matos foi a única que teve uma intervenção interessante e lúcida.

Enfim, Mário Soares está velho e senil. E qual é a desculpa de Pacheco Pereira?

11 setembro 2006

September 9, 2001


Heaven Help Us All

Heaven help the child who never had a home,
Heaven help the girl who walks the street alone
Heaven help the roses if the bombs begin to fall,
Heaven help us all.

Heaven help the black man if he struggles one more day,
Heaven help the white man if he turns his back away,
Heaven help the man who kicks the man who has to crawl,
Heaven help us all.

Heaven help us all, heaven help us all, help us all.
Heaven help us, Lord, hear our call when we call
Oh, yeah!

Heaven help the boy who won't reach twenty-one,
Heaven help the man who gave that boy a gun.
Heaven help the people with their backs against the wall,
Lord, Heaven help us all.

Heaven help us all, heaven help us all, heaven help us all, help us all.
Heaven help us, Lord, hear our call when we call.

Now I lay me down before I go to sleep.
In a troubled world, I pray the Lord to keep, keep hatred from the mighty,
and the mighty from the small,
Heaven help us all.
Oh, oh, oh, yeah!
Heaven help us all.


William Galison: (…) “Stevie Wonder and Joan Baez covered this amazing song in the early 70’s and made a deep impression on my mind. The song asks for compassion for both the victim and the victimizers, from Heaven at least, if not from us. The lyrics are timeless, but I was inspired to write one additional verse after 9/11.” – William Galison & Madeleine Peyroux - Got you in my mind (2003/2004)

onze de Setembro de dois mil e um


Data


Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça



(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

10 setembro 2006

Sándor Márai


“A herança de Eszter” é uma história contada na primeira pessoa, cuja acção decorre em dois planos temporais: o primeiro num dia, o segundo em 20 anos.

Com uma rara elegância de linguagem, mas de uma arguta e melancólica realidade, a narradora discorre sobre os seus pensamentos, que dissecam as fibras sentimentais do desencontro que foi a sua vida, toda ela na esperança de que um dia se realize no entendimento daquele que lhe suspendeu a existência.

É um livro agridoce, muito bem escrito, de uma aparente simplicidade, em que se espelha o intrincado mundo de amores e ódios, coragem e abnegação, mentiras e desespero, que nos deixa presos às páginas e ao mesmo tempo numa leve e funda tristeza.

“As velas ardem até ao fim” tem uma estrutura narrativa semelhante, com poucos diálogos, em que parece estarmos inseridos na cabeça do narrador e, ao transformarmo-nos nele, sentimos e vivemos os seus percursos, lembramos e somos lúcidos depois de uma longa e intemporal auto análise, de examinarmos e reexaminarmos todos os cambiantes do que foi marcante, mesmo que, na altura, não o tenhamos sentido como tal.

Autor húngaro, que se opôs ao nazismo e ao comunismo, deambulou pela Europa e acabou por se fixar nos Estados Unidos, suicidou-se com 89 anos, só e esquecido. Que eu saiba, em português, só estão traduzidos estes dois livros. É pena. Gostaria que houvesse mais.


(Estátua de Sándor Márai em Košice, Slovakia)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...