06 setembro 2006

Pecado original

Na busca incessante
de compreender
o todo, o nada, o instante,
sem vontade e sem crer
que o infindo procurar
é a essência do ser,
nascemos da sede infinita
de alcançar e saber.

(para o Torquato da Luz)

(pintura indiana tribal: árvore da vida)

De menos

De menos

O que fica por dizer
é sempre mais do que se diz.
Ninguém há-de ser feliz
se não souber
que só disse metade
do que tinha na vontade.

O que fica por fazer
é sempre mais do que se faz.
Ninguém há-de ser capaz
de se entender
se pensa que tudo fez
de vez.

O que dizemos ou fazemos
é sempre de menos.

(Torquato da Luz)

Estes Loureiros


O Loureiro é uma árvore (género Laurus, família das Lauraceæ ou lauráceas). É proveniente do Mediterrâneo, podendo atingir 20m de altura. As suas folhas são vistosas, coriáceas e com odor muito característico.

Simplex

Como mãe sou uma privilegiada, pois os meus filhos são independentes e autónomos, poupando-me a filas intermináveis e a estéreis perdas de tempo.

Mas por muito rebeldes que sejamos, há sempre uma altura em que somos engolidos pelo sistema.

Este ano, e por causa da complicadíssima grelha de disciplinas obrigatórias, opcionais, específicas, técnicas e outras denominações que nunca entendi, em várias combinações a serem escolhidas no 10º ano de escolaridade, disponíveis em escolas consoante o número de alunos para cada área e para cada combinação numa mesma área, foi necessário mudar de Escola Secundária.

Pensava eu, na minha santa ingenuidade, rendida e aplaudindo o choque tecnológico, que tudo poderia ser feito da primeira para a segunda escola, por métodos informáticos.

Em Julho e após a saída dos resultados dos exames do 9º ano, abriram as matrículas na 1ª escola. O meu filho, que já sabia tudo sobre opções, escolas e papéis necessários, estendeu-me alguns para assinar (que entretanto ele já tinha preenchido) e, munido das fotografias, fotocópias e originais do boletim de saúde, bilhete de identidade e sei lá que mais, entregou todos os papéis na 1ª escola, onde o informaram que tratariam da transferência do processo e da matrícula para a 2ª. Lógico, pareceu-nos a todos.

Antes de irmos para férias, ainda em Julho, ele desloca-se à 2ª escola onde o informam que o processo ainda não chegou, mas que ele tem que lá ir, acompanhado pelo encarregado de educação, mostrar os originais do bilhete de identidade e do boletim de vacinas, para confirmar a matrícula, e pagar a respectiva propina. Como no dia indicado não estávamos disponíveis, agendaram a excursão para Setembro, às 9:30 horas.

Pontualmente às 9:30 horas no dia determinado plantámo-nos (eu e o rebento) à porta do refeitório da referida escola, onde decorria o processo de confirmação da matrícula. Nas mesas dispostas em 2 filas contínuas, estavam espalhados 4 computadores com as respectivas impressoras. Junto a um computador agrupavam-se 3 professores, que trocavam impressões em voz alta e ligeiramente histérica, sobre processos que não encontravam, referentes a 2 desgraçadas crianças à nossa frente, com os respectivos encarregados de educação.

Sentei-me. Foi-se formando uma fila de jovens, pais e mães atrás de nós.

Às 10:00 horas, depois de muitas andanças dos professores à volta dos computadores que, pelo que percebi, estavam a ser instaladas as impressoras naquele exacto momento, escada a cima escada a baixo à procura de processos que já deveriam ter chegado, apelando alto e bom som para a preciosa ajuda de uma das professoras que parecia ser a única que sabia o que estava a fazer, fomos chamados.

À nossa frente uma professora muito formal e bem-educada, que olhava com ar embasbacado para o computador, teclando no teclado com 2 (talvez 3) dedos hesitantes e medrosos, perguntou-nos o nome (do rapaz), tendo-se levantado de seguida para ir buscar o processo. Ao trazê-lo, e aos papéis de matrícula já entregues em Julho, pede-nos para preenchermos outra vez os papéis todos, enquanto foi também preenchendo uns formulários no computador, já meio preenchidos, e viu os boletins e os bilhetes todos que eram pedidos. Quando se tratou de escolher as disciplinas, descobriu-se que a escola obrigava os alunos a matricularem-se numa disciplina, que não era obrigatória, para depois anularem a matrícula, caso quisessem fazer a outra disciplina a partir do 11º ano! Confuso? Porquê? Há lá coisa mais lógica!

Às 10:45 horas a professora deu-nos um dos papéis para irmos pagar a matrícula à secretaria.

A secretaria, após 4 lanços (ou 8, já nem me lembro) de escadas, estava deserta, ou melhor, com um senhor que aguardava, dizia ele, “que fossem buscar papel”. Uns largos minutos depois aparece uma senhora (outra que não a que tinha ido buscar papel) que ficou muito espantada por eu estar ali a pagar as propinas, pelo que foi telefonar não sei a quem, com a velocidade do caracol (não é preciso dizer que, nesta altura, eu estava que nem uma panela de pressão!).

Felizmente apareceu uma miúda que nos informou que o pagamento era na papelaria, ao lado do refeitório onde decorriam as matrículas.

Tornámos a descer as escadas, e lá encontrámos a papelaria. Quando estendi o papel para pagar, a empregada pediu-me o processo. Qual processo? perguntei eu contendo a fúria; o processo do menino, sem o processo não posso receber! respondeu ela, com ar de evidência.

Explodi, insinuando com muitos maus fígados que estavam a gozar comigo, pois estava há 1 hora e meia a confirmar uma matrícula, ao que a rapariga ficou muito indignada. O meu filho lá foi buscar o processo e já passava das 11 horas quando, finalmente, conseguimos sair da escola.

SIMPLEX? Por muitos choques tecnológicos que o Eng. Sócrates faça, sem alguns choques de inteligência e profissionalismo não há nada a fazer.

O ano das decisivas decisões

De vez em quando podemos orgulhar-nos de qualquer coisa, nomeadamente de sermos um dos países europeus com menor taxa de mortalidade materna e infantil. Não tenho dúvidas que a existência e implementação nas últimas 3 décadas de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi determinante na obtenção destes indicadores.

Segundo o Diário Económico está pronto o relatório sobre a sustentabilidade financeira do SNS. Até Outubro Correia de Campos irá pensar, em Outubro serão divulgadas as conclusões. Mas as conclusões preliminares apontam para um possível aumento de impostos (pelo menos de forma indirecta com a diferenciação das taxas moderadoras), excluindo como possíveis outras soluções (limitação da cobertura do SNS, por exemplo).

Este governo socialista tem nas mãos um dilema: a possibilidade de manter a universalidade do acesso à saúde, na vertente do estado como garante dessa obrigação, assumindo frontalmente a necessidade da limitação do crescimento da despesa, ou proclamar a incapacidade de se sustentar um SNS, incentivando a criação de planos de saúde privados alternativos (seguros de saúde, por exemplo).

Não é fácil para qualquer governo, muito menos para um governo socialista.

Os relatórios com os diagnósticos e as terapêuticas estão na mesa. O que falta agora é uma decisão política. É a ideologia que determina a forma como são distribuídos (ou concentrados) os recursos (neste caso escassos) da comunidade.

A António Arnault devemos a existência de um SNS. A Correia de Campos…

05 setembro 2006

Ética

O Atestado Médico é um documento oficial, que compromete a honra de quem o passa justificando as faltas ao trabalho ou declarando as condições de saúde de uma determinada pessoa.

O facto de se solicitar aos médicos (peritos em avaliar o estado de saúde ou de doença) a avaliação da capacidade ou incapacidade para se prestar um determinado serviço, ou a justificação para faltar ao trabalho por um determinado período de tempo, reconhece implicitamente a relação de confiança da comunidade, ou do estado, com esses profissionais.

Se o médico tem obrigações para os doentes, decorrentes da sua perícia, da sua actividade profissional e da sua ética de conduta, não tem menos obrigações perante a sua comunidade, precisamente pelos mesmos motivos: perícia, actividade profissional e ética de conduta.

A proliferação de solicitações à apresentação dos referidos atestados é enorme e disparatada, facilitadora de uma atitude menos rigorosa (dos doentes e dos médicos). Esta atitude menos exigente mina a relação médico doente, pois o respeito por determinados valores é universal, mesmo que não observados.

Compete a todos os profissionais zelar pela ética na sua profissão, preservando os valores e as atitudes que a dignificam e que são a base da confiança que merecem. Por isso e para isso há que cumprir sempre, penalizando os prevaricadores.

  • CÓDIGO DEONTOLÓGICO
  • Título II - O Médico ao Serviço do Doente
  • Artigo 75.º (Proibição de atestado de complacência)
  • É considerada falta deontológica o facto de o Médico emitir atestados de complacência ou relatórios tendenciosos sobre o estudo de saúde de qualquer pessoa.

04 setembro 2006

Al Cabo

Al cabo

Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdade nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.

(Amalia Bautista)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...