
Ao folhear a alta velocidade a revista que sai com o DN aos sábados, li os títulos referentes a uma reportagem sobre Fátima Lopes (a estilista). Afirma, entre outras coisas, que só veste roupas, calça sapatos, usa jóias e malas, apenas desenhadas por ela. E que os próprios móveis são também por ela desenhados.
Fiquei a pensar naquilo. Como suspeito que Fátima Lopes não tenha dificuldades monetárias, ou seja, deve poder adquirir o que quer e quando quer, aquelas afirmações significam que só lhe apetece comprar aquilo que ela faz.
Será que, por muito que as peças de vestuário, calçado, acessórios, jóias e mobiliário dela sejam fantásticas, e é maravilhoso ser-se tão versátil, será que não há no mundo desenhadores de moda e de decoração que lhe agradem? Será que a sua imaginação e criatividade a preenchem, só por si?
Não consigo imaginar-me a viver rodeada por mim própria e pelas minhas criaturas, por muito que me agrade criá-las. A contemplação de si próprio, como Narciso, tem muitas facetas, é enganadora e muitíssimo limitadora. Surpreendem-me as pessoas que se envolvem em redomas, ainda por cima construídas à sua imagem e semelhança.
(pintura de Pier Paolo Pasolini: Narciso)
Fiquei a pensar naquilo. Como suspeito que Fátima Lopes não tenha dificuldades monetárias, ou seja, deve poder adquirir o que quer e quando quer, aquelas afirmações significam que só lhe apetece comprar aquilo que ela faz.
Será que, por muito que as peças de vestuário, calçado, acessórios, jóias e mobiliário dela sejam fantásticas, e é maravilhoso ser-se tão versátil, será que não há no mundo desenhadores de moda e de decoração que lhe agradem? Será que a sua imaginação e criatividade a preenchem, só por si?
Não consigo imaginar-me a viver rodeada por mim própria e pelas minhas criaturas, por muito que me agrade criá-las. A contemplação de si próprio, como Narciso, tem muitas facetas, é enganadora e muitíssimo limitadora. Surpreendem-me as pessoas que se envolvem em redomas, ainda por cima construídas à sua imagem e semelhança.
(pintura de Pier Paolo Pasolini: Narciso)



