12 julho 2006

Entrevista (II)

Falou-se ainda da pintura no feminino. Embora seja muito politicamente correcto falar das diferenças entre o masculino e o feminino na política, na arte, no exercício do poder, habitualmente formas artificiais de se realçarem aspectos mais ou menos positivos, consoante o que interessa, não tenho dúvidas que homens e mulheres são diferentes e que por isso têm maneiras diferentes de se exprimirem.

Biologicamente as mulheres têm menos velocidade de ponta, mas têm mais resistência. Culturalmente sempre foram obrigadas a cumprir as tarefas de manutenção da vida, como nascer e ajudar a nascer, dar de comer, amamentando e providenciando a alimentação da família, tratar da casa, das roupas, dos afectos, dos homens, do velhos, compreender, abraçar, suster, amortalhar. Aprenderam a ser meigas e duras, generosas e avarentas, a seduzir, a usar, a dar. Para as mulheres a vida é feita de coisas palpáveis, porque é a elas que se pedem contas dos usos terrenos, dos corpos.

Como Ana Sousa Dias dizia, a vida, na pintura de Graça Morais assim como na de Paula Rego, não é só bonita, com flores e borboletas. É crua, agressiva, violenta.

Foi um gosto conhecer mais um bocadinho de Graça Morais.


(pintura de Graça Morais: Maria)

Entrevista (I)


Assisti ontem, na RTP2, a uma entrevista feita pela Ana Sousa Dias, naquele seu jeito manso e intimista, a Graça Morais, de que gostei imenso.

Graça Morais, com o seu sotaque, os seus cabelos brancos em carrapito, os seus lábios vermelhos e as suas mãos esvoaçantes, sem artifícios, como ela própria se define, é de uma claridade e de uma simplicidade exemplares.

Para os nossos estereótipos do que é uma artista, nomeadamente uma artista plástica, o pragmatismo, misturado com uma sabedoria de gente autêntica, da terra, talhada na pedra, como as mulheres ancestrais, nomeadamente a sua mãe, com quem ela se confunde nos retratos que faz, são um bálsamo e um orgulho.

Dizia ela, a certa altura, que pinta porque precisa, que pinta o que conhece, o que sabe, o que sente. Pergunto-me se, de facto, podemos conhecer os artistas, pintores, músicos, poetas, romancistas, por exemplo, por aquilo que produzem, pela sua faceta criadora.

Pergunto-me se os artistas não se transformam, se não há uma parcela de loucura, se não há outras pessoas, outros seres, outras almas dentro de uma mesma pessoa, e se a expressão de todas essas criaturas, tantas vezes conflituosas, não será a expressão da arte criadora, o retrato de tantas vidas sobrepostas e misturadas.
(pintura de Graça Morais: visitação)

11 julho 2006

Chuva de Verão


Gosto do cheiro a terra que se desprende das gotas de chuva, daquele arrepio fugaz quando se encontra o ar a refrescar, como se o céu precisasse de um pranto que lhe aliviasse a dor.

Caminhos de fim de tarde, mais um dia que se arrumou, no arquivos da nossa vida. Este ainda não tem assunto ou campo de pesquisa, ainda está à espera de catalogação.

Hoje não foram precisos óculos escuros. O sol gozou folga.

A Madeira é um Jardim

O Herdeiro de Aecio tirou-me as palavras da boca, ou melhor dizendo, os dedos do teclado!

Como sei


Amo-te com as mãos
com a boca com os olhos.

Amo-te como só eu
cansada livre imensa.

Amo-te como louca
como posso como quero.

Amo-te demasiado bem
demasiado pouco.

Amo-te como sempre
como sei como vivo.


(pintura de Chagall: lovers)

Prémios

Se partirmos do são princípio de que a lei é igual para todos, pobres, ricos, médicos, empregada(o)s domésticos, militares e futebolistas;

se continuarmos com outros não menos sãos princípios de que trabalhar bem é uma obrigação e de que trabalhar o melhor possível é um dever moral;

e se ainda pensarmos que honrar o nome do país é uma alegria e uma compensação em si mesmo;

então não podemos compreender como é que jogadores profissionais de futebol, que auferem ordenados elevadíssimos, por chegarem ao 4º lugar de um campeonato mundial (o que todos nós aplaudimos e agradecemos, e do qual todos nós nos orgulhamos), onde cumpriram a sua obrigação e pela qual são reconhecidos pelo país e não só, visto que agora podem chover contratos chorudos para muitos destes jogadores, em clubes de prestígio, têm a coragem de pedir isenção de IRS de um prémio de 50000 euros/jogador pela sua actuação!

Cinquenta mil euros significam um ordenado de 3571 euros em 14 meses!E isto foi só o prémio!

Foi tudo a bem da nação! Não havia necessidade…

10 julho 2006

Agradecimentos

Agradeço a todos os que gostaram do novo template. Dá-me imenso gozo remodelar o blogue, de vez em quando. As letras são ligeiramente mais pequenas, mas creio que se lêem bem. Já consegui pôr imagens, o sitemeter também já funciona (embora com algumas alterações, que não compreendo).

De facto, sou totalmente ignorante no que diz respeito a estas linguagens. Por isso ainda é mais divertido! Continuarei (promessa ou ameaça?).

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...