06 julho 2006

Que se referende!


Esclareço desde já que sou a favor da despenalização do aborto, que acho bárbaro e selvagem haver julgamentos e condenações pela prática do mesmo.

Quando Marcelo Rebelo de Sousa propôs o referendo para mudar a lei, o PS, chefiado por António Guterres (católico) apoiou a ideia, retirando à Assembleia da República capacidade política para legislar.

Quanto a mim tratou-se de uma manobra para evitar que as facções mais conservadoras, mesmo dentro do PS, criticassem uma mudança da lei, sempre defendida pelo PCP e pela ala esquerda do PS. António Guterres comprometeu-se a aceitar o resultado do referendo, qualquer que fosse a afluência às urnas, talvez porque também estava convencido, como toda a esquerda, de que a vitória seria do “sim”.

Como todos sabemos, a afluência às urnas foi inferior a 50% o que, legalmente, não tornava o resultado vinculativo, e a vitória foi do “não”. Mas o PS estava amarrado à promessa prévia à consulta referendária, obrigando-se a mudar a lei apenas após novo referendo, pelo que o problema ficou adiado mais uns anos.

Veio Sócrates que, em manobras muito pouco dignas, fingindo que queria resolver o problema rapidamente, tentou obrigar o presidente a aprovar o agendamento de um referendo a correr e à pressa, solução que Jorge Sampaio, e muito bem, não aprovou. Penso que era mesmo essa a ideia: culpar o presidente por não haver referendo.

Quando o Bloco de Esquerda anda com falta de visibilidade, regressa à ribalta com temas “fracturantes”. Neste caso, e ajudado pelas condenações em Aveiro, volta a insistir com o aborto, depois do caso do “barco do aborto” ter ficado esquecido.

Por outro lado, quando se começa a ponderar a hipótese de despenalização do aborto, saltam de vários buracos múltiplas associações cristãs, de famílias numerosas, dos amigos das prostitutas e das fadas do lar, que adoram a educação sexual e ajudam imenso as pobres mulheres que tiveram a (in)felicidade de engravidar mas não têm apoios. Ficamos todos inundados por tão boas ideias e intenções, tantas almas generosas, que se escondem rapidamente logo que se acaba o zelo "fracturante" dos bloquistas.

Que se faça o referendo, depressa, que se motivem e esclareçam as pessoas, todas, que se mobilizem os dois campos opostos, que se vote maciçamente para que, sinceramente espero, se avance para uma sociedade mais justa e tolerante, mas sobretudo menos hipócrita!


(escultura de Colleen Madamombe: mother)

Inacreditex


Bem sei que D. Afonso Henriques já não pode protestar. Mas francamente, decidam-se: desenterram-no ou não?

Já pediram autorização ao D. Duarte Pio? Sim, na realidade ele deve ter uma palavra a dizer sobre este melindroso assunto, sempre é da família… afastada, é certo, mas da família! Se calhar também devia dar a sua autorização!

Tinha ouvido falar de um inovador programa governamental que se chamava simplex. Também ouvi dizer que estava muito complicado implementar esse programa nalguns ministérios.

Já sabemos que o ministério da cultura foi um deles, e que a Sra. Ministra é um bocado molenguex, burocratex e gosta de não ser desrespeitadex.

Que tristex!

Manhã de praia


Quando a sesta bate à porta insistentemente, lembrando tardes longas e solarengas, mar quieto e bem azul, livros saborosamente lidos, quando a languidez se apodera da vontade, todos os dias estão demasiado longínquos e nunca mais é manhã de praia!



(pintura de John Bonner: beach)

Portugal vs França



Tudo já foi dito. Perdemos o jogo, mas não é por isso que devemos estar menos orgulhosos da selecção. Ao contrário do que alguns comentam, até acho que Portugal jogou bem. Dispensava-se o penalti, que Ricardo Carvalho assumiu ter provocado. Enfim, paciência. É bastante irritante perder com a França (mais uma vez) e, ainda por cima, por causa de uma grande penalidade (que Ricardo quaaaassssseeeeee defendeu…).

Por um lado ainda bem. Já não se aguenta tanto futebol! Na televisão proliferam os intelectuais da bola, com ar circunspecto e palavreado florido, tecendo considerações cabalísticas e destilando veneno clubístico. É patético!

Parabéns aos jogadores e a Scolari.

Já só falta um jogo que, é claro, vamos ganhar! E depois, voltemos à nossa vida, por favor!

04 julho 2006

Férias


Às vezes sinto a espuma das ondas
nos pés, a areia morna que massaja,
o sol em brasa nos meus ombros.

Desejo de mar e de sal,
de carícias bem terrenas
e de divinas ternuras.


(pintura de William Berra: day at the beach)

Reorientar

O objectivo anunciado pelo governo em tentar que 2500 professores que não podem exercer a sua profissão, pelo menos a componente lectiva, de forma definitiva, possam reformular a sua carreira profissional noutros serviços da função pública, parece-me razoável e meritório.

Não acho bem que professores que, por razões de saúde, estejam incapacitados de dar aulas, sejam considerados incapazes. Por isso devem fazer-se todos os esforços para que esses profissionais se integrem nas escolas, noutras componentes que não a lectiva, de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem, de avaliação e orientação de profissionais menos diferenciados, em bibliotecas e clubes, etc.

Mas também compreendo que, como ainda se têm que somar os 3000 professores que também não podem leccionar, mas ainda de uma forma temporária, seja muito complicado encontrar trabalho efectivo, verdadeiro e necessário, para 5500 profissionais!

É claro que a requalificação profissional é imprescindível. Não é possível ao estado ter nos seus quadros 5500 profissionais que não estão capazes para o trabalho que é suposto fazerem. Nos casos em que não é possível a recolocação, parece-me evidente que terá de haver reformas antecipadas.

Espero que se faça o mesmo noutros quadros profissionais do estado, nomeadamente médicos, enfermeiros, polícias, juízes e outros. Os serviços públicos têm que ser redimensionados na exacta medida em que servem os cidadãos, mesmo que esta atitude, em certas circunstâncias, pareça uma desumanidade.

Mais uma vez os sindicatos não estão a servir os seus associados. Deveriam negociar, com realismo e em defesa dos professores, uma recolocação digna, de acordo com as capacidades e currículos individuais, dando aos profissionais a alegria de se sentirem úteis e realizados.

Mais Timor

Mesmo para quem ainda acreditava nas boas intenções de Xanana Gusmão, as notícias que se vão acumulando levam definitivamente à conclusão de que nada do que se passou foi inocente. E se a Austrália é um lobo com pele de cordeiro, ainda podemos admitir a desculpa de estar a defender os seus interesses.

Mas qual é a desculpa de Xanana Gusmão? Definitivamente, uma pedra aqui, outra acolá, tal como Medeiros Ferreira diz no seu artigo do DN, tudo foi movimentado com o objectivo de afastar Mari Alkatiri, primeiro-ministro indicado pelo partido maioritário eleito. Para que Xanana Gusmão assumisse o poder, juntamente com Ramos Horta e a Igreja, que abençoa esta democracia tutelada pela Austrália.

Parece que está a haver alguma dificuldade em formar governo porque Xanana está a impor algumas condições. Não lhe bastava já ter forçado a demissão do governo. Também se ouve Ramos Horta suspirar, temendo que o país não esteja tão cedo preparado para novas eleições…

Há sempre uma altura de cair na real.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...