13 maio 2006

Bem-estar


Há dias que são como doces: suculentos, brandos, inebriantes. Saboreamos com vagar e deleite estas sementes de bem-estar e alegria.

(pintura de Jean-René Bazaine: árvores)

12 maio 2006

Em busca


Corpo frio
estendido
inerte.

Alma nua
aqui habitou
navegou.

Corpo retalhado
em busca
da causa.

Enfim o fim
a dúvida
o nada.

11 maio 2006

Obscurantismo

Carta do Presidente do Irão ao Presidente dos EUA

(…)
Liberalism and Western style democracy have not been able to help realize the ideals of humanity. Today these two concepts have failed. Those with insight can already hear the sounds of the shattering and fall of the ideology and thoughts of the liberal democratic systems.
We increasingly see that people around the world are flocking towards a main focal point – that is the Almighty God. Undoubtedly through faith in God and the teachings of the prophets, the people will conquer their problems. My question for you is: Do you not want to join them?
Mr President, Whether we like it or not, the world is gravitating towards faith in the Almighty and justice and the will of God will prevail over all things.

Vasalam Ala Man Ataba'al hodaMahmood Ahmadi-Najad President of the Islamic Republic of Iran


Deus nos livre dos iluminados que em nome de Deus falam, julgam e decidem.

Comissões técnicas

É muito difícil qualquer governo iniciar, ainda que a medo, qualquer reforma. Por um lado clama-se por reformas estruturais, coragem política, diz-se com ar soturno que batemos no fundo e que não há mais oportunidades.

Mas se há algo a mexer no horizonte, como agora o tão falado fecho das maternidades, levanta-se a população, laboriosamente acicatada pelos partidos da oposição que, nestas questões estruturantes, em coro bradam contra a prepotência do governo, que não explica as medidas e que é apenas economicista.

De facto, o governo tem obrigação de explicar os critérios em que se baseia para tomar decisões, e é para isso que há um governo: para tomar decisões políticas, cuja avaliação é feita pelos eleitores. Mas convém que haja quem queira ouvir as explicações.

Espero que este assunto não acabe como a co-incineração. As comissões técnicas só são boas quando dizem o que queremos ouvir.

Penitência

Morreu-me o sorriso escarninho na cara. Fui má e Deus castigou-me

08 maio 2006

Ruído


Cansam-me estas tardes de ruído,
muita cor muita fúria muito pó,
sem goles de imensidão
nem relvas murmurantes de prazer.

Voo para longe para ti
as tuas mãos como um rio.
Espero a sombra da tua voz
o antegozo de te ver.


(pintura de Sofie Siegmann: sounds)

07 maio 2006

Grávidas de Barcelos


Desde ontem que os noticiários avisam que as “grávidas de Barcelos” se vinham manifestar em Lisboa, contra o fecho da maternidade.

Hoje fala-se de 10 000 habitantes de Barcelos a manifestarem-se.

Tenho curiosidade em saber: quantas são as grávidas? Estamos a falar de 123 831 habitantes, com cerca de 18% com idade inferior a 15 anos.

O encerramento de maternidades obedece a imperativos técnicos que se prendem, entre outros critérios, com o número de partos/ano, porque há falta de obstetras para fazerem os partos e, principalmente, porque não há número suficiente de parturientes que assegurem aos obstetras uma experiência suficiente para que os partos sejam feitos de uma forma tecnicamente perfeita ou, pelo menos, aceitável.

Este problema não se resolve colocando mais obstetras e parteiras nessas maternidades, mesmo pagos a peso de ouro. A acentuada redução da população em determinados locais do país é uma realidade. A desertificação das regiões do interior é um dos factores mais importantes na diminuição do número de partos por dia. E é a falta de soluções de emprego que leva à desertificação.

Problema insolúvel? Não sei. Mas a demagogia de quem pretende que estas medidas são apenas economicistas é prejudicial precisamente a quem permanece em Barcelos, ou em terras com problemas semelhantes.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...