24 abril 2006

Desde Abril


Foi em Maio que floresceu Abril
de há tantos anos, quantas são
as pétalas da esperança.

Foi Maio que colheu Abril
de tantos cravos como cruzes
de desenganos.

Foi em Abril que prometemos
Maio, mês início e virginal
de gritos e lágrimas.

É desde Abril que esperamos Maio.

Revolução

Amanhã vou comemorar revolucionariamente a forma como alguns já não precisam de comemorar a revolução. A liberdade permite a pessoas como Alberto João Jardim ter a ousadia e o mau gosto de declarar que não precisa de comemorar o 25 de Abril na Assembleia Regional.

Pois é: só por ter havido uma revolução existe governo regional da Madeira, e Assembleia e também falta de vergonha na cara.

Mas a liberdade é também a liberdade de ser estúpido e dizer estupidezes.

A minha liberdade é saborear estes anos todos de transformação e mudança em que, para o melhor e para o pior, estamos lutando, todos os dias, por aquilo que queremos.

Falta muito, para muitos, mas o caminho faz-se caminhando.

22 abril 2006

Parto


Tudo começa com um grito.
Depois vem o sol e depois as chuvas
e depois um pântano,
onde o amor se afunda.
O tempo passa, o pólen seca, os cabelos
são brancos;
já nada floresce como outrora, clamorosamente,
nos pátios de uma ilha,
nas cidades do mar.
Tudo acaba com um grito
entre murmúrios e cânticos de maternal
solidão –
dar à luz é dar à morte.


(poema de José Agostinho Baptista; pintura de Mamta: root)

Abril como se exige


Mergulhada por três dias na ciência, emerjo com vontade de subjectividade.

A chuva regressou e faz recolher o destapar das roupas e das janelas.

Primavera a sério, Abril como se exige.

18 abril 2006

Trabalhar


Braços, terra, papel, violinos,
prolongamentos do corpo,
como dedos, sons ou raízes,
entrelaçadas de nós.


Muito se tem falado sobre o abstencionismo dos deputados da Assembleia da República.

Penso que o problema é mais generalizado, vasto e profundo.

Hoje em dia o trabalho raramente é visto como um dever, como uma contribuição individual para o bem colectivo.

Deixou de ser compensatório, em termos sociais, ser um trabalhador competente, merecedor de confiança. Dá-se importância à remuneração em si, não se dá importância ao facto de ela ser resultado de um qualquer serviço do cidadão. Quase chegamos a pensar que temos o direito de receber um salário independentemente do trabalho que desenvolvemos.

Não se premeia o empenho, o saber, a assiduidade, a partilha de experiências. O trabalho existe no intervalo de todos os outros afazeres.

Penso que a noção de solidariedade ficou restrita à segurança social, às contribuições para as várias associações de apoio a diversos grupos de cidadãos, às pensões de subsistência, aos rendimentos mínimos e às esmolas.

Solidariedade rima com sociedade. Trabalhar é um acto de solidariedade com que, todos os dias, sustentamos a sociedade.

(pintura de Kristina Branch: Men at Work)

Medo

O mundo está perigoso ou, pelo menos assustador.

Será que o Irão vai ser o próximo Iraque? Será que o petróleo vai continuar a aumentar?

Será que o défice em Portugal está a aumentar?

Cada vez mais teremos que olhar para cima e para a frente, encolher os receios, enfrentar o desânimo, as más notícias, recusar o fado.

Todos nós somos responsáveis. Todos temos que nos mobilizar, sem esperar que alguém nos motive.

Todos temos que trabalhar mais, muito mais e melhor.

17 abril 2006

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...