07 fevereiro 2006

Mercado criativo


POÉTICA (I)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Aonde há espaço:
- Meu tempo é quando.

(poema de Vinicius de Moraes; pintura de Mary Ann Guliov)

“Mercado criativo” – foram palavras que ouvi Martim Avillez Figueiredo proferir, no fórum TSF.

“No caso da PT, a Sonae condiciona ainda o sucesso da OPA à alteração dos estatutos da operadora de telecomunicações e à restrição dos direitos especiais do Estado ou que este aprove o plano de reestruturação que será apresentado.” – Público online

“A Sonae manifestou ao Governo disponibilidade para manter a «golden share» do Estado caso consiga ter sucesso na Oferta Pública de Aquisição lançada sobre a Portugal Telecom, disse Paulo Azevedo na conferência de imprensa para apresentação da operação.” – Jornal de Negócios online

(Deve ser a criatividade do dito mercado, que se move e arrebita, em prodígios imaginativos!)

Lamentável

Ontem, no programa “Prós e Contras”, o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente, no meio da sua prolixa argumentação, falando ininterruptamente sem dizer nada, brandiu a expressão “pensar bem”, a propósito da liberdade. Ou seja, há liberdade para quem pense bem. O que ele não explicitou, nem precisava, era qual a definição de pensar bem ou quem decidia da bondade do pensamento.

Ângelo Correia também se multiplicou na atitude de virgem ultrajada e indignada, relativamente ao horror perigoso que se estava ali a tentar demonstrar (Vasco Rato, entenda-se), confundindo uma infinidade de sensibilidades e culturas, e mais palavras politicamente correctas, penso que para agradar ao seu companheiro de lugar, o Xeque David Munir que, apesar de condenar as manifestações violentas, não permitiria a publicação dos "cartoons". Ou seja, ele tem direito a ficar ofendido, mas o cartonista não tem direito a publicar o que quer.

Inédito foi o facto de ter concordado, em várias ocasiões, com Vasco Rato, que, por norma, diz exactamente o oposto do que eu penso.

Lamentável a posição oficial do governo português, pela voz de Freitas do Amaral. É triste percebermos a falta de coluna vertebral de alguns países, como o nosso, tentando defender o indefensável.

06 fevereiro 2006

Momento


Sinto-me tão bem, rodeada pelo murmúrio da música, manta nos joelhos e gozo pela noite, a bebericar um chá de rooibos, passeando pela blogosfera.

Hoje, os problemas do mundo não me afligem. Egocentricamente, absurdamente, humildemente saboreio este momento de deleite.

(pintura de C Zhong)

05 fevereiro 2006

Declaração Universal (?) dos Direitos Humanos


Declaração Universal dos Direitos Humanos
(Proclamada pela Assembleia Geral da ONU a 10 de Dezembro de 1948)
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem;
(…)
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
(…)
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
(…)

Perseguir a Felicidade


IN CONGRESS, JULY 4, 1776
The unanimous Declaration of the thirteen united States of America

(…) We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness. — That to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed, — That whenever any Form of Government becomes destructive of these ends, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their Safety and Happiness. Prudence, indeed, will dictate that Governments long established should not be changed for light and transient causes; and accordingly all experience hath shewn that mankind are more disposed to suffer, while evils are sufferable than to right themselves by abolishing the forms to which they are accustomed. But when a long train of abuses and usurpations, pursuing invariably the same Object evinces a design to reduce them under absolute Despotism, it is their right, it is their duty, to throw off such Government, and to provide new Guards for their future security (…) - Thomas Jefferson, Virginia (and alt)

Perseguir – seguir, procurar alcançar


(rascunho do documento)

Liberdade


A nossa sociedade tolerante, tolera Deus e Alá, tolera ateus, agnósticos, hereges, blasfemos, beatos, esotéricos, astrólogos, cartomantes e maledicentes, descrentes, pessimistas, demónios, ilustradores, “cartoonistas”, escultores, músicos, economistas, donas(os) de casa, sopeiras, desocupados, donos do mundo, como Bush.

Tolera até o intolerável, como os actos de violência desenfreada e gratuita perpetrada pelos intolerantes.
(pintura de Abu Taher)

04 fevereiro 2006

Personalizar

Através do ancestral método científico das tentativas e erros, tenho conseguido alterar o “template” do blogue.

Tenho-me divertido imenso. Já estive com os “posts” a nadar num mar esverdeado, e com o contacto invisível. Mas não está mal!

O fim-de-semana afigura-se promissor!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...