21 janeiro 2006

“À Manhã”

“a gente tem-se uns aos outros e mais nada…”

Um texto de ternura, solidão e carinho, os dois extremos da vida num espaço minimalista, quente e etéreo. Actores verdadeiros, luz e som na medida certa. Pequenos fragmentos estes, que nos reconciliam com a vida.

(Teatro Municipal S. Luiz - Lisboa)

Declaração de voto

Defendo o quadrado. Podia ser o rectângulo ou o círculo, uma qualquer figura geométrica que pudesse desenhar a alma, a nossa alma, lusitana, ibérica ou global, a alma de quem vive na procura da felicidade.

Uma felicidade feita de momentos, de fragmentos de luz, dos sons de algumas frases épicas, ou das palavras murmuradas de quem nos ama. Uma felicidade conquistada todos os dias, um a um, mas com a certeza de que haverá sempre um amanhã, mesmo que já não seja nosso.

Defenderei sempre estes quadrados, em grandes ou pequenos formatos, infinito conjunto como infinitas são as almas.

(pintura de Brittany Branch)

18 janeiro 2006

Untitled


Faltam 4 dias. É preciso votar. Como diz Manuel Alegre, não há vencedores antecipados. Todos devemos participar. As sondagens não são eleições, são apenas isso mesmo, sondagens. Não há nada nem ninguém que substitua o acto de votar. Depois logo se vê!

Amanhã estreia “À Manhã”, o novo trabalho do Teatro Meridional, escrito por José Luís Peixoto, encenado por Miguel Seabra e Natália Luíza, interpretado por Carla Galvão, Carla Maciel, Paula Diogo, Pedro Diogo e Romeu Costa.
O Teatro Meridional habituou-nos a um trabalho original e de grande beleza: “A noite de Molly Bloom”, “Macbeth. Uma Tragédia Ibérica”, “Qfwfq. Uma história do Universo”, “A Varanda do Frangipani”, “Geração W”, para citar apenas os que vi.

Corram todos ao Teatro Municipal de S. Luiz, (sala principal), às 21 horas.

16 janeiro 2006

Untitled


Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


(poema de Fernando Pessoa; pintura de Chichorro)

Untitled



De vez em quando, vale a pena regressar às origens:

Constituição da República Portuguesa
Princípios fundamentais
Artigo 1.º (República Portuguesa)
Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Artigo 2.º(Estado de direito democrático)
A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Artigo 63.º(Segurança social e solidariedade)
1. Todos têm direito à segurança social.
2. Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.
3. O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.
4. Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.
5. O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.

Artigo 64.º(Saúde)
1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

(…) “A questão da sustentabilidade da segurança social é uma questão de regime.”(…) “Se houvesse uma ruptura, isso significaria a falência do próprio 25 de Abril e da democracia. Esta é uma questão de regime. E como tal compete ao Presidente da República colocá-la aos partidos políticos, à Assembleia da República, aos sindicatos e às entidades patronais de todas as forças sociais e políticas do país.” (…) – Manuel Alegre, candidato a Presidente da República.

Untitled

Por vezes a imobilidade forçada mostra-nos mundos desconhecidos revelados pela permanência em frente a um televisor. Mundos repetitivos, grotescos, bacocos.

As televisões nacionais e internacionais são, na sua maioria, de uma confrangedora mediocridade. Não só há poucos programas interessantes como são repetidos até à exaustão.

A comunicação social já decidiu (desde o início da pré campanha) quem vai ser o próximo presidente. Ontem tivemos direito a um directo de cerca de 20 minutos, do discurso de Cavaco Silva, numa acção de campanha. Os outros candidatos, ontem, não devem ter feito discursos.

Por outro lado, se fosse um qualquer dos outros candidatos a ter aquela expressão facial que me recuso a classificar, por falta de adjectivos de espanto e/ou horror, a imagem teria sido repetida, comentada e gozada por todas as televisões, teria sido comentada por todos os nossos comentadores imparciais, teria sido uma monumental gargalhada nacional.

Será este o representante por quem o país anseia?

15 janeiro 2006

Untitled


Faltam 7 dias para as eleições presidenciais.

Melhores ou piores, foram estas as pessoas que se expuseram à avaliação pública, sempre incompleta, muitas vezes injusta. Se não gostávamos destes candidatos, tínhamos sempre a hipótese de propormos outros ou, inclusivamente, de nos propormos nós próprios.

É sempre mais fácil criticar quem tem responsabilidades de decidir, porque decidiu mal, do que assumir essas mesmas responsabilidades.

Concordemos ou não com cada um, tenham ou não o nosso voto, todos os candidatos merecem, pelo menos, o nosso respeito.

O que está em causa é a eleição do mais alto representante do país, aquele a quem, por poucos poderes que tenha, em alturas críticas, pode ter que exercê-los. Cada um de nós vai ser responsável por essa escolha: por acção ou omissão.
(pintura de Evelien Kalenda)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...