04 abril 2025

Aves sem asas

Kano Tsunenobu (1636 - 1713).jpg


Swallow


Kano Tsunenobu (1636 - 1713)


 


1.


De repente recomeçam as angústias


Incertezas vestidas de certezas


Própria não é a vontade


Nos espaços vividos e imaginados


Apertam-se cercos muros


Desfazem-se corpos palavras


Obrigam-se olhos a varrer o chão


Aves sem asas nem bicos


Perdem a cor e o rumo


 


De repente reiniciam-se gestos


Sussurros códigos esperança


No urgente regresso da liberdade


 


2.


Na pesca respeitamos o peixe


No mar urdimos a rede


Para que a captura


Não se confunda com traição


 


Na caça respeitamos a lebre


Limpamos a arma os passos sedosos


Cuidamos das fugas


Das cruéis armadilhas


 


Nada evitamos na alma humana


Desde que receemos pela sobrevivência

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