
Hoje foi quando barrava o pão com manteiga. De repente apareceste, com as tuas mãos desajeitadas, a pegar numa chávena grande para que eu te deitasse o café, antes de rumares ao teu assento no escritório.
Outras vezes, quando me emociono a ver um filme, o que não é nada difícil nem raro, vejo-te a entrar pela porta, com aquele sorriso ternurento e gozão, que me deixava irritada e envergonhada, pela fraqueza que mostrava, mesmo sendo a ti.
Não precisava de marcar um encontro contigo, pois encontrávamo-nos, mesmo sem combinarmos. Numa pergunta, numa razão, numa ternura, numa discussão, numa espera, num silêncio, num desespero, numa diversão.
Acabaste por faltar ao último encontro, sem me dizeres porquê.
E eu, mesmo que não queira, ainda te espero, mesmo que saiba que não vens. Podias, pelo menos, encostares-te a mim, como costumavas fazer, e dizeres os disparates que me faziam rir. Só mais esta vez. Só mais uma vez.
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