08 agosto 2022

O misterioso caso...

Como tenho andado arredada destas lides de mares e maresias, de praias e areais algarvios, de modas veranis e de veraneio, pareço uma campónia embasbacada de cada vez que vejo algumas modernices, muito engraçadas umas, muito irritantes outras.


As bolas de Berlim passaram a ser uma miríade gastronómica variadíssima, com recheio de chocolate, caramelo e Nutella, bolas de alfarroba, beterraba e Spirulina (!!!!) – devem ser as variantes saudáveis e ecológicas. Não se vê ninguém a vender gelados, nem batatas fritas, nem água, sequer, mas as línguas de sogra ainda resistem.


bolas de berlim.jpg


As duas peças dos biquínis já não precisam de combinar na mesma cor e padrão. Agora podem ser totalmente diferentes, o que é uma forma de, comprando-se apenas 2 terem-se 4 biquínis diferentes! As alças passaram a ser uma só - aqui compartilham a moda com os fatos de banho.


biquini 1.gif


Os vendedores ambulantes trocaram as estatuetas negras de pau negro (ou engraxado), os óculos e as bugigangas de contas, por grandes tapetes fininhos que, agora, substituem as antigas toalhas de praia. É vê-los aos magotes na praia, repetindo a palavra barato, com uma montanha de tapetes ao ombro. Há um vendedor que arrasa os meus nervos e os meus ouvidos todos os dias, inúmeras vezes, pois grita a plenos pulmões e canta uma cantilena vagamente parecida com o Guantanamera, importunando os outros veraneantes que, ainda por cima, ao contrário de mim, lhe acham graça. A verdade é que me parece ser o único a fazer negócio.


vendedor toalhas praia.jpg


Mas há um mistério que me anda a intrigar e a preocupar, porque eu também tenho preocupações climáticas e ecológicas: o desaparecimento das melgas e mosquitos. Este ano e, se pensar bem, também no ano passado, os mosquitos deixaram de zunir como os aviões e desistiram de me picar. Lembro-me de passar as noites de Verão a matar mosquitos, amaldiçoando as picadelas, as borbulhas, os repelentes, as comichões, indissociáveis das férias.


Mosquito.jpg


Após aturada e aprofundada pesquisa na internet encontrei alguma explicação. Tanto quanto percebi a evolução dos mosquitos necessita de água e climas moderados. Climas muito frios não são favoráveis. Por isso a redução da chuva e, principalmente das acumulações de água, podem diminuir a proliferação dos mosquitos (pernilongos) e das melgas (as fêmeas).


Cá por casa acham que a explicação pela qual as melgas deixaram de me atazanar a paciência e a pele se liga com a minha crescente importância e imponência. É precisa muita paciência.

2 comentários:

  1. A.Teixeira18:16

    Sobre melgas, recordo alguém que as denominava de «melgaças», o que até parecia conferir um conteúdo vaga(e irritante)mente simpático a tão nefasto(s) bicho(s).

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  2. Cristina Loureiro dos Santos20:55

    Mas agora as megas italianas desforraram-se
    Beijinhos

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