31 dezembro 2021

Que sejamos felizes

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No último dia de 2021 fazia um post assim titulado.


Há uma nuvem que perpassa por 2020 e 2021. Quase parece que os anos estão congelados, suspensos, tanto como suspendemos e congelámos as nossas vidas.


No último dia do último ano também tínhamos umas eleições perto. Essas previsíveis, enquanto as próximas o são menos.


Imprevisibilidade, é mesmo a palavra que me ocorre quando penso no ano de 2022.


Porque vou aprendendo, à medida que os anos passam, que tudo pode mudar de um momento para o outro, que o que sabemos certo pode transformar-se no incerto.


Perigosos tempos os que passamos.


Que sejamos felizes, É mesmo o que mais importa. Que sejamos felizes nós por fazermos felizes os outros.


Até para o ano.

28 dezembro 2021

60 pinguins

60 anos.jpg


Alguém me parabenizou com uma imagem de 60 pinguins.


Mesmo sem explicar o que esta piada privada significa, fica bem de ver que os 60 anos vierem ter comigo, ou eu deixei de fugir deles.


É realmente muito. Não sei porque são iguais aos 50 e, se calhar, também aos 40.


Os anos passam e eu sinto-me igual, com a excepção dos dias em que me sinto com 1000. Para mais, os últimos (2020 e este) não existem na minha mente, embora tenha a certeza de que irão perdurar na minha memória.


Muito obrigada a todos quantos se lembraram de mim, neste dia que acaba por ser sempre um marco, e ao qual atribuímos significados que, na maioria das vezes, não têm significado nenhum.


Para o ano haverá mais..... espero.

19 dezembro 2021

Dormências

HARRIE FASHER.JPG


Harrie Fasher


 


Olho para o dia como sucessão de segundos


cada qual mais longínquo e inatingível.


Deslaçado o corpo e dormente a alma


arrasto a vontade de alargar as brumas da noite


fumos cinzentos mantos pesados


uma diáfana impalpável realidade virtual


que vai protelando transferindo adiando


desde o imperceptível estremecer da madrugada.


 

12 dezembro 2021

Cadernos de Dominguizo

cadernos de dominguizo.jpg


A minha amiga Ana Marques Pereira é uma mulher extraordinária.


Não só como clínica, rigorosa, competente, empática, informada (tratam-se doentes, não doenças), com quem tive o privilégio e o prazer de trabalhar durante alguns anos, mas também como pessoa interessada na vida, na História, nos livros, nos manuscritos, na arquitectura, nos objectos, nos ingredientes, na indústria, enfim, em tudo o que se relacione com cozinhas, gastronomia e alimentação humana ao longo da História.


Interessada e interessante, consegue verter os seus conhecimentos para vários livros e conferências, cursos e palestras, com a animação de quem está a contar uma história policial, com a erudição e a simplicidade de quem sabe, de facto, muito.


Também com ela partilho o gosto pelos policiais e pelos heróis de Agatha Christie. Talvez esse gosto tenha sido uma das razões pela escolha da Medicina como profissão - a procura do diagnóstico através das várias pistas que são os sinais e os sintomas, o relacionar tudo isso, o conhecer o corpo e também a personalidade do doente que nos conta, saber escutar e fazer as perguntas certas.


Pois a Ana Marques Pereira lançou ontem mais um livro interessantíssimo - Cadernos de Dominguizo. É um livro que relata a forma como descobriu imensas coisas sobre uma abastada família da Beira Baixa (séc. XIX) através de 2 cadernos de receitas manuscritos, que tinha comprado há já bastante tempo.


Uma verdadeira história policial, cheia de pistas que se vão estudando e esgotando, cheia de conhecimento, referências, citações e explicações, bem contada, num livro lindo e muito bem feito.


Parabéns a ela e a quem com ela trabalhou para que o livro se transformasse numa realidade. E a Alexandra Prado Coelho que tão bem o comentou.


E não se esqueçam! Se também escreverem à mão as vossas receitas culinárias, não se esqueçam de as compilar, dar-lhes um título, assinarem e datarem! 


Aqui está uma bela surpresa de Natal.

Arroz de Natal....

frango a fugir.jpg


 


Arroz de frango ou de pato? De peru ou de marisco?


Arroz ou massa? Estrelinhas ou lacinhos? Ou esparguete?


Frango inteiro ou algumas partes? Cozido e desfiado ou guisado e inteiro?


Com legumes ou com chouriço? Com farinheira? Morcela? Ou com ervilhas e milho?


Com tomilho ou com coentros? Com salsa? Com aipo?


Mas que dúvidas existenciais.


Mas que indecisões incomensuráveis.


Mas que insatisfação inexcedível.


 


Inovemos:


Frango desnudo e desfeito, em cama de legumes variados e cogumelos, envolvido por arroz agulha e polvilhado de coentros.


 


Cozer muito bem 2 membros inferiores de frango e 2 peitos, sem peles, em água com sal, pimenta, aipo, cenoura, alho, louro e um pouco de cebola. Reservar o frango e coar a água.


Refogar cebola, alho, pimento vermelho, um pedacinho de gengibre, cogumelos, aipo, couve coração e um pouco de bacon em fatias, com azeite, sal e pimenta. Depois de tudo já bem refogado e ligado, deitar lá para dentro o frango desfiado, arroz agulha e a água de cozer o frango (a água é sempre o dobro do arroz).


Depois do arroz já pronto, polvilhar com coentros (afinal foi salsa) aos bocadinhos.


Servir e comer.

01 dezembro 2021

Vento Sardo


Marisa Monte & Jorge Drexler


 


Vento que levanta a onda


Que carrega o barco


Que ondula o mar


 


É o mesmo que vai dar na praia


Que levanta a saia


Rodada de oiá


 


Hay tiempos de andar contra el viento


Cuando el contratiempo comienza a soplar


Então o vento que é de aragem


Bate no varal pra me dar coragem


 


O vento que vem de longe


Quem sabe da fonte do vento solar


O vento que é o movimento do ar


 


Vamos levantar a vela


Abrir a janela


Ventilar a dor


 


Vamos a nombrar al viento


Celebrar su aliento


Purificador


 


Pampero, Terral, Tramontana,


Alisio, Santana, Siroco, Mistral


 


Levante, Minuano y Cierzo


Y mil más que el verso quisiera nombrar


 


Às vezes o vento muda


Sai batendo a porta faz tudo voar,


O vento é o temperamento do ar


 


Sopro


Sopra


Soprará


 


Sopro


Sopra


Soprará


 


Vento que levanta a onda


Que carrega o barco


Que ondula o mar


 


É o mesmo que vai dar na praia


Que levanta a saia


Rodada de oiá


 


Hay tiempos de andar contra el viento


Cuando el contratiempo comienza a soplar


Então o vento que é de aragem


Bate no varal pra me dar coragem


 


O vento que vem de longe


Quem sabe da fonte do vento solar


O vento que é o movimento do ar


 


Sopro


Sopra


Soprará


 


Soprará


 

Direi sempre que sim

direi sempre que sim.JPG


(Ask again, yes)


Duas famílias que vivem lado a lado e que uma tragédia separa. No entanto, alguma coisa de muito forte as mantém unidas, ao longo dos anos em que não se vêem.


Uma história atravessada por uma imensa tristeza e melancolia, mas ao mesmo tempo de esperança, em que se celebra o amor como a cola dos cacos em que nos vamos transformando.


Gostei muito.

Realidade virtual

Não sei mesmo que sociedade estamos a construir.


O anúncio de Natal deste ano, da NOS, é bem exemplificativo de como incentivamos o desligar da realidade.


Nada serve, nada estimula, nada completa o desejo de uma criança (filha única, com pais a que não faltam recursos económicos, numa idílica casa no meio da neve) a não ser o que não há. Apenas com isso ela se satisfaz.


A perfeição do mundo está na nossa imaginação. Mas neste anúncio o mundo é um holograma do que não há.


Que mensagem é esta? Como a conseguimos incluir na retórica do Natal, para não dizer no espírito do mesmo?


Estranho. E assustador.


"A urgência da bondade"

Desde ontem que esta frase não me sai da cabeça.


Ouvi-a, por acaso, num programa da Antena 1, a propósito do Natal, e foi dita por Joel Neto.


Nada de mais simples e difícil: a bondade.


Por isso urgente.

Vacinas (COVID-19)

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Our World in Data

Conclusões?

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Worldometer

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