
Não tenho por hábito olhar-me ao espelho. Não sei muito bem porquê, mas a pressa e o desinteresse são sempre dominantes. Por outro lado, nunca me achei bonita, por isso a motivação também não é grande.
Quando me olho atentamente é porque há alguma coisa próxima de preocupação de saúde – tenho algumas alergias e supervisiono manchas que se vão tornando mais notórias. Quando me vejo inadvertidamente há sempre uns segundos em que me pergunto quem é a pessoa à minha frente e, à medida que os anos passam, mais estranheza encontro nesse olhar.
Outro dia aconteceu um desses encontros de mim comigo. Após as obras de remodelação, a luz da casa de banho é muito melhor, mais branca e mais intensa. Descobri admirada que havia qualquer coisa brilhante que cintilava, espalhada pelo meu cabelo, que parecia um pó. Depois de ter sacudido rapidamente com a mão, percebi que não era pó cintilante, nem qualquer bocado de estuque que estivesse a desmoronar-se. Apenas os cabelos brancos que, num curto intervalo de tempo, se multiplicaram e se generalizam na minha cabeça.
Tornei a sacudir, com as duas mãos, alisando com os dedos o penteado despenteado que sempre uso, tentando disciplinar a finura e a revolução que quotidianamente se travam. Os brilhantes mudaram de lugar, mas lá continuam. Mesmo sem querer, durante uns meses parecerei penteada para festas inexistentes, até que haja mais branco e menos brilho na minha pessoa.
Sempre considerei que os cabelos brancos tornam as pessoas mais bonitas. Há até casos em que o grisalho obtido as torna mais apelativas, mais sensuais. É lindo de ver!
ResponderEliminarNo caso, e no mínimo, a Sofia tem agora a obrigação de passar a ver-se ao espelho.
Espelho meu, espelho meu, mais alguma branca de apareceu?
Sim, tem razão. Também gosto de ver alguns cabelos grisalhos e brancos.
ResponderEliminarVou tentar estar mais atenta.