30 janeiro 2021

Resistir

Nestes tempos sem abraços


Colhemos os passos


No som da memória


Nestes tempos sem história


Sorvemos instantes


Nos olhos distantes


 


Insistimos


Resistimos


Não desistimos


 

27 janeiro 2021

Inaceitável

A AstraZeneca, após ser financiada pela União Europeia para o desenvolvimento e produção da vacina contra a COVID-19, vem agora assumir que não cumprirá o contrato de entrega das doses.


A reacção da União Europeia só pode ser esta.



"As empresas farmacêuticas, os produtores de vacinas, têm uma responsabilidade moral, social e contratual que precisam de garantir", afirmou, considerando que "a perspectiva de que a empresa não tem de cumprir, porque assinámos um contrato de "melhores esforços" não é correcta, nem aceitável".



Espero bem que esta posição inaceitável da Farmacêutica seja revertida. Mas os negócios e os milhões que se prespectivam não pronunciam nada de bom.

Das armas repressivas

Controlo da pandemia - segundo a TSF.



Quem quer sair de casa para "fruir de momentos ao ar livre" ou passear animais de estimação pode comprovar que vive por perto com um comprovativo de morada, nomeadamente a carta de condução ou qualquer recibo de água, eletricidade ou telecomunicações.


Para adquirir bens essenciais podem ser apresentadas faturas ou outros comprovativos da compra, bem como uma declaração sob compromisso de honra.


Usar um carro para usar a exceção que permite sair de casa para ter um "momento ao ar livre" está claramente proibido.


(...) o Governo decidiu, de uma vez por todas, usar a arma repressiva das forças de segurança para terminar com aquilo que está a acontecer no país (...)



Extraordinário.

Das Presidenciais

PRESIDENCIAIS 2021.jpg


Presidenciais 2021


 


E o nosso Presidente, sem supresa absoluta (só relativa pois conseguiu mais votos que em 2016), é Marcelo Rebelo de Sousa.


O seu estilo veio para ficar. O mais importante é que é um democrata. Mas a sua hiperactividade e omnipresença vão manter-se, se é que não aumentam. Ontem, na presença do Primeiro-ministro e da Ministra da Saúde, numa visita ao Hospital das Forças Armadas, respondeu a perguntas sobre prioridades de vacinação e etc., como se fosse o Governo inteiro.


A propósito - os governantes só se lembram das Forças Armadas nestas ocasiões, em que os encómios são mais que muitos. Fora de situações de aperto, as Forças Armadas são desprezadas, passando a ideia subliminar que não servem para nada. Convinha, de facto, ouvir o que dizem os militares e tentar ter o seu sentido de servir.


Tal como Ana Gomes serviu a democracia, ao candidatar-se a Presidente da República. Há muitos assuntos em que não concordo com ela, mas admiro-lhe o espírito combativo e a força das suas convicções. Penso que ajudou a mobilizar os eleitores.


Quanto ao resultado do Chega, foi enorme e é assustador. Cabe aos partidos democráticos demonstrar o vazio e a cobardia das ideias que defende. E cabe aos partidos democráticos trabalharem para que ninguém se sinta excluído do nossos regime, da solidariedade e da tolerância.

23 janeiro 2021

Dos comprovativos necessários.....

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Acho que estamos a entrar no reino do disparate descabelado e generalizado.


Portanto, eu preciso de fazer exercício físico, e tenho-o feito 4 vezes por semana, com uma PT. É a melhor (e única) forma de combater a obesidade, a hipertensão arterial, a ansiedade, e comprovadamente prevenir inúmeras doenças, da diabetes à demência, passando pela oncológica.


No meio de uma pandemia, em que foi decretado o confinamento geral, gostaria de saber a razão pela qual é preciso um comprovativo para mostrar à polícia, para que esta não me multe por fazer exercício físico na rua.


Não é possível ir aos ginásios - locais fechados. Não é possível ir aos complexos desportivos, como o do Jamor, para treinar ao ar livre - estão interditados. Não se percebe qual o benefício para o impedimento da transmissão viral. Será que são o vento e a chuva a espalharem o vírus? Estão enclausurados nas nuvens?


A minha PT, com imenso receio de ser multada por dar treinos, coloca-se a mais de 2 metros de distância, de máscara, grita por cima da ventania ordens de agachamentos e lounges, comigo de corta-vento e gorro, transportando colchão e halteres. Temos ido para um sítio ermo, desabrigado e sem gente nem casas à volta, para evitar ajuntamentos, mas um pouco longe para ir a pé, até pelo tempo invernoso que se tem feito sentir.


Fiquei agora a saber que não podemos ir de carro e que tenho que ter um comprovativo de morada para apresentar, caso a Polícia mo peça.


Exactamente - comprovativo de morada para poder estar num ermo, ao frio e à chuva, a treinar. Isto quando há artigos científicos que especificam que a transmissão viral é muito mais frequente indoors do que outdoors e que o fitness é uma das actividades que podem (e devem) ser efectuadas, precisamente ao ar livre.


Estamos a atingir um nível de paranóia e demência assustadores. Nada disto ajuda a combater a pandemia, só agrava. Principalmente a pandemia do pânico, que nunca foi bom conselheiro.

Das INverdades

Tenho visto, em notícias de rodapé nos noticiários televisivos, que Portugal tem o maior número do mundo em óbitos e número de caso por COVID-19. Nunca aparece a informação relativa à ou às fontes que usam para tão alarmantes e assustadoras notícias.


Fui procurar fontes internacionais:



  • Dados do Jonh Hopkins:


letalidade john hopkins 23_01_2021.png


Letalidade - Portugal - 1,6%


moratlidade 1m john hopkins 23_10_2021.png


Óbitos por milhão de habitantes - Portugal - 9648


 



  • Dados do Worldometer: ranking de Portugal no Mundo e na Europa em relação ao número de óbitos por milhão de habitantes (em 27º e 20º lugares, respectivamente) e ao número de casos por milhão de habitantes (16º e 10º lugares, respectivamente).


ranking covid worldometer 23_01_2021.png


Qual o objectivo de mentir tão descaradamente?

22 janeiro 2021

Ana Gomes

ana gomes.jpg


 


Nem marmelo nem Marcelo


nem Ventura de martelo


a Marisa não me move


e João não me comove


do Mayan não reza a história


e do Tino nem memória.


É na Ana que acontece


o voto que ela merece.


 

Tudo para saber como e onde votar

Ir ao link https://www.recenseamento.mai.gov.pt/


para votar.PNG


Preencher e carregar em Pesquisar


ou


enviar um SMS grátis para 3838


escreve-se RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD


 


Tem que levar máscara e caneta.


No domingo vamos VOTAR

A raridade de um ser pensante e sensato


Para quem tiver interesse em saber quem é o Professor Jorge Torgal.

No domingo vamos VOTAR!

voto domingo.jpg


No domingo seremos mais que o medo, o egoísmo, a xenofobia, o racismo, a boçalidade, o machismo.


No domingo seremos mais que a pandemia, seremos uma democracia feita de gente inteira, que sabe que é nos tempos mais complicados e escuros que pode fazer a diferença.


No domingo encontraremos a caneta para assinalar a nossa escolha livre, a máscara para protegermos os outros, o gel para nos desinfectarmos de todas as ameaças virais, sejam elas de partículas invisíveis ou de inqualificáveis grunhos que aprenderam bem as lições trumpescas.


No domingo vamos esquecer as queixas, as dores e os isolamentos. No domingo vamos blindar-nos contra os maus presságios.


No domingo vamos vestir todas as cores da vida, vamos ajudar a vencer as adversidades. No domingo seremos nós a decidir.


No domingo – vamos VOTAR!

12 janeiro 2021

Corridinho pandémico

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Mário Costa


 


Vá de roda vai de roda


Vai de roda sem fartar


Já se foi e vem de volta


Vamos lá a confinar


Uma volta pra um lado


Fecha a porta por favor


A saltar pro outro lado


À janela sem andor


 


É preciso arejar


Com Inverno que frescor


Canta e dança mas sem par


Ser viral é um horror


Ora volta prá direita


Vamos lá todos votar


Ora torce bem à esquerda


Nesta estrada circular


 


Ora volta para cima


No carrocel da desgraça


Ora roda lá pra baixo


Abana bem a carcaça


Vá de roda vai de roda


Leva o vírus ao tapete


Vai na volta desta roda


Que a vida não se repete


 

10 janeiro 2021

Dos regimes que escolhemos

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Os debates das presidenciais foram dominados por André Ventura. Não que André Ventura se tenha mostrado merecedor disso, mas porque os media o elevaram ao centro de todas as atenções. Não só lhe deram protagonismo naqueles em que era um dos oponentes, na maioria dos casos pela demissão dos moderadores em cumprirem o seu papel, como nos outros em que a sua presença, mais uma vez assegurada pelas perguntas dos moderadores, era imposta.


Mais uma vez o papel dos media nas democracias é crucial, tanto pela indispensável necessidade da sua existência, pela pluralidade de opiniões e pelo escrutínio dos vários poderes, como pela capacidade de manipulação e modelação da opinião pública.


A forma como as prestações são avaliadas, nomeadamente a unanimidade das loas a Vitorino Silva, pela autenticidade, pela criatividade e pelo fantástico uso das metáforas, é espantoso. Chego mesmo a pensar que devo ter uns óculos diferentes dos restantes, pois tudo o que vi foi uma lamentável tristeza de inanidades ditas e reditas por alguém que se está a candidatar, é preciso que não nos esqueçamos, ao cargo de Presidente da República.


Debates de 30 minutos são tudo menos esclarecedores, mesmo que tivessem corrido brilhantemente. Na maioria dos casos as perguntas versaram tudo menos o que de facto importa na Presidência da República. Com raras excepções, como a postura dos candidatos aos acordos e maiorias de governo, por exemplo.


Para conhecer os candidatos, as suas posições políticas e éticas, a sua forma e opções de vida, era preferível entrevistá-los com calma. Assisti a duas entrevistas feitas por Rui Unas a Ana Gomes e a Tiago Mayan que foram muito mais informativas e interessantes que qualquer dos debates.


Penso que o mais importante objectivo destas eleições é reduzir ao máximo a abstenção e tentar mobilizar, no meio da pandemia, os cidadãos a votar. Temos de nos convencer que quanto mais longe estivermos das nossas obrigações cívicas, quanto mais nos demitirmos de intervir e de escolher, participando nos actos eleitorais, mais frágil será o nosso regime democrático.


E todas as eleições são importantes. Esta também é. De um momento para o outro o Presidente pode ser a peça fundamental da nossa vida colectiva. Para isso temos que escolher aquele que pensamos ser a melhor e mais apta pessoa para o desempenho dessas funções.


Os adeptos dos extremismos nunca se abstêm. Os moderados é que negligenciam esse seu dever. Basta assistir ao que se está a passar nos EUA. A omissão e o oportunismo de muitos dos que estavam perto de Trump, que permitiram que aquela criatura se candidatasse a Presidente e que, após a eleição, se mantivesse no cargo à custa de mentiras e de atitudes indignas e que envergonham os mais distraídos, são exemplos a que devemos estar atentos para que não se repitam aqui.


Não, André Ventura não tem graça, não é um fenómeno ridículo e residual. A verbalização dos mais negros instintos do ser humano passou a ser a norma, os insultos e a gritaria, o abandalhar da moral e da ética passou a ser vista como o novo normal, para usar um dos jargões da época.


Ouvi há dias alguém defender que a redução e quase desaparecimento dos hábitos de leitura têm como consequência um enorme encolhimento do vocabulário e da capacidade de elaborar pensamentos mais complexos, o que deixa os cidadãos acríticos e crentes nas mais diversas idiotices, presos dos aldrabões e vigaristas que proliferam. Se olharmos para os nossos aprendizes de Trump não podemos deixar de concordar.


Em tempo de pandemia há formas alternativas de exercer o direito de voto. Basta ir a este link para nos informarmos.


E pensemos, interroguemos as nossas consciências. Julgar os outros é muito mais fácil do que tentar perceber as dificuldades pelas quais passa tanta gente, pelos mais diversos motivos. O racismo, a xenofobia, o desrespeito pelas mais elementares direitos humanos nunca resolveu problemas, só causou caos, miséria e sofrimento atroz. As ditaduras nunca foram a resposta a pandemias, desigualdades, corrupção ou pobreza.

06 janeiro 2021

Tentativa de golpe nos EUA

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O que se está a passar nos EUA é inacreditável. Assistimos, em directo, à tentativa de golpe de Estado por parte dos apoiantes de Trump, acicatados por ele.


Espero que não seja um pronúncio do esboroar dos regimes democráticos. Convém pensar bem, antes de achar graça ao voto de protesto nestes movimentos e nestas criaturas, nomeadamente André Ventura. É que eles não têm mesmo graça nenhuma.

03 janeiro 2021

Populismo - aqui vamos nós

Foi verdadeiramente hercúleo o esforço que fiz para assistir ao inacreditável espectáculo de ontem, na TVI, em que um paineleiro futebolístico, uma pseudo moderadora de debates e um candidato a Presidente, tentando manter a todo o custo uma postura minimamente educada, ocuparam 30 minutos da mina atenção.


Um vómito é a forma mais rigorosa de descrever o que fui sentindo.


Arruaceiro, mal educado, populista, o inacreditável Ventura falou aos gritos por cima de tudo e de todos, lançando as mais famosas e, infelizmente, populares frases das tertúlias de cafés, viagens de táxis e estádios de futebol, caseiros ou públicos.


E é este um exemplo de candidato presidencial. É este um dos indivíduos que quer chegar ao poder:



  • Não gosta desta Constituição - mas, se fosse eleito, teria que jurar defendê-la, cumpri-la e fazê-la cumprir.

  • Achincalha os cargos dos representantes eleitos pelos cidadãos - como ele próprio - chamando-lhes inúteis, ao pretender reduzir para 100 o número de deputados, com o fantástico argumento de que não são necessários. Ele é mesmo um exemplo disso.

  • Cavalga a onda anti-políticos ao dizer que quer reduzir o ordenado dos deputados e dos detentores de cargos públicos, como se fossem muito bem remunerados. Aliás, defende a exclusividade da função de deputado, mas acumulou vários salários.

  • É um mentiroso compulsivo, dizendo e desdizendo-se a toda a hora.


Não deveríamos ter que perder tempo com semelhante pessoa mas, infelizmente, ele aí está. Ainda por cima todos os outros deputados o estão a levar ao colo, ao deixarem que use e abuse do seu auto satisfeito estatuto de vítima, quando o impedem de suspender o mandato de deputado para fazer campanha. Por muito que custe ouvi-lo, fazer com que branda o argumento de que o tentam calar é a forma mais rápida de lhe angariar o rótulo das verdades que eles não querem deixar o povo ouvir.


Triste e assustador. Pensávamos que estávamos imunes a este fenómeno, mas não estamos. O PSD e o CDS a caminho da irrelevância e o crescimento do Chega, são um destino que só evitaremos se tivermos grande capacidade de desmentir e desmontar tudo o que diz e representa - o pior que há em cada um de nós e na sociedade que formamos.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...