15 novembro 2020

Dos modernos e tecnológicos contos do Vigário

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Ontem coloquei umas coisas a vender no OLX. Mal tinha acabado de publicar os anúncios recebo um telefonema de alguém com voz e sotaque bastante rústicos, para me dizer que estava interessado em comprar as peças. Muito surpreendida com a rapidez da decisão de compra, confirmei a minha disposição de venda não tendo sido questionado o preço, o eventual estado mais ou menos depauperado. Prometeu-me o levantamento das ditas peças em minha casa, no dia seguinte. Mais disse que queria pagar de imediato por MB WAY.


Apesar da rapidez e da aparente facilidade de tão inédita transacção, perguntei porque não pagava depois de ter as peças. A resposta veio despachada, dizendo-me que só precisava dos números para completar o pagamento.


Depois de perguntar várias vezes a que números se referia lá acabou por dizer que era o PIN.


Transacção de imediato cancelada com interrupção abrupta da ligação, da minha parte, depois de perguntar se estava a brincar comigo.


Imediatamente a seguir telefona outro rústico, dizendo que se tinha enganado no número do telemóvel para o pagamento, e que precisava dos números do PIN. Aí já não achei tanta piada.


Depois de desligar o telemóvel vi que tinha um sms do serviço MB WAY, avisando-me que tinha havido 2 tentativas de uso do PIN que estava errado e que me restava uma tentativa.


Ou seja, os rústicos tinham usado o meu número de telemóvel para tentar pagamentos com MB WAY e usaram um qualquer PIN, tentando engodar-me para lho dar.


Depois de uma pesquisa pela internet com as palavras burlas e MB WAY, lá estava bem visível o esquema. Para quem não esteja familiarizado com o MB WAY, a rapidez e o despacho dos burlões podem baralhar os incautos e induzi-los a colaborar. Mesmo assim o pedido do PIN deve acender todas as campainhas e despertar todos os alarmes.


Mais um conto do Vigário. Esta nunca me tinha acontecido.

1 comentário:

  1. Eu compro e vendo na net há, sei lá, desde 2000, tempos do Miau, até do Mercado Livre brasileiro em que cheguei a enviar dóllars escondidos por carta e esperar que passado umas semanas receber a encomenda. Nesse tempo ainda não havia coisas como o Paypal. Comprei a vendedores de muitos países do mundo. O primeiro portátil Pentium veio dos Estados Unidos (recondicionado) por 200€ quando por cá custavam uns 1500€. Comprei em África, Europa, por onde calhasse e depois, muitas vezes, revendia cá com uma margem de lucro para mim. Nessa altura os colegas chamavam-me "o cigano cibernético"! Nunca tive problemas. Nem mesmo no Brasil, e há um cerco preconceito cá contra os "esquemas" dos brasileiros. Mas onde cheguei mesmo a ter problemas foi cá, e não tivesse na altura uns amigos advogados, que rapidamente chegaram ao meliante e tinha lerpado 150€. Antes, sites como o MIAU tinham um feedback dos vendores/compradores (como o eBay), algo que não acontece com OLX, Custo Justo. E assim é sempre um risco. Há um outro tipo de fraude a acontecer em Portugal. Gente geralmente de países africanos que contactam as pessoas e que também compram sem ver. Ainda recentemente comprei um móvel a uma senhora que era a primeira vez que vendia, e disse-me que foi contactada por alguém que dizia estar na Costa do Marfim e que mandava um contentor por barco para lhe comprar as mobílias, mas depois mais adiante disse que ela só tinha que pagar 90€ para desbloquear uma burocracia qualquer. Felizmente ela não caiu no conto do vigário, mas é sempre preciso estar atento.

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