
Como todos as cidades e vilas do Alentejo, Pavia tem casas térreas, brancas, com cores contrastantes a rodear as portas e janelas. Tudo respira sossego.
Era quase hora do almoço e o largo estava vazio, com um pequeno café num dos lados, uma mesa de alumínio cá fora encostada à parede, ladeada por duas cadeiras também encostadas, de face para a rua. A sugestão de um aperitivo foi muito bem recebida, mas pedi para irmos para o centro da vila, pois haveria, com certeza, mais movimento.
Só que, após uma busca infrutífera, de alguns metros nas ruas que saíam do largo, onde estava uma igreja e o edifício da Junta de Freguesia para além de um coreto, percebi que estávamos mesmo no centro.
O aperitivo constou de licor de poejo (uma maravilha alentejana) e um vermute, antes de nos aventurarmos ao almoço.

O Retiro dos Motoristas foi o escolhido, mesmo à saída da vila. No pátio havia uma pequena aglomeração de homens à volta de um churrasco, que assava frangos. Entrados e sentados, com larga distância social como mandam as boas regras higiénicas pós-COVID-19, foi-nos mostrado o cardápio: os pratos do dia eram chispe com grão e lombo assado no forno, acompanhado de batatas fritas e arroz, mais uma salada. Rematámos com pudim de café, e tudo a um preço bastante módico.

Muito bom almoço, na verdade, simples, bem temperado e barato.
Regressados calmamente a Arraiolos, aproveitei para ler o livro que levava enquanto o sol iluminava o quarto, pois os candeeiros mantinham-se mortiços e tristes. Tarde calma e serena, sem sobressaltos nem correrias, jantar de novo outros petiscos e, após um revigorante pequeno almoço, acabou-se o desconfinamento alentejano.
Soube bem, embora o objectivo inicial não tenha sido cumprido. Mas estas escapadelas pontuais refrescam o quotidiano rotineiro e recarregam os meses seguintes.
"Não sabia que havia / Uma igreja numa anta / ..."
ResponderEliminar"Soube bem, embora o objectivo inicial não tenha sido cumprido. Mas estas escapadelas pontuais refrescam o quotidiano rotineiro e recarregam os meses seguintes."
ResponderEliminarGostei muito desta partilha. Nunca fui a Pavia, pelo que foi excelente acolher este relato tão especial.
Bom fim de semana!
Obrigada pelos comentários. Gosto de fazer estas pequenas crónicas de viagens. Quando as releio relembro-as e revivo-as.
ResponderEliminarFicou a faltar falar da impertinente cabaça que se vê na fotografia, uma cabaça que teimava em implicar com uma cabeça...
ResponderEliminarPois, verdade!
ResponderEliminar