
Barcos - Júlio Pomar
No fim de um lugar que desconhecemos
uma porta que se abre devagar
nuvens de pó branco como veneno
glórias desfeitas passados que repisamos
um fluido esquecimento de tudo o que doemos.
Roufenha a voz que repete o fado
guitarras de pobreza aves sem destino
numa praia de arvoredos crivados de gaivotas.
Tiros de versos e azedume nas manhãs de brilho e nevoeiro
a porta que se fecha sem que vislumbremos
o futuro a que julgámos pertencer.
Outros serão os ventos outros os lugares de encanto
sempre nos gestos esta mansa loucura este canto
de flores e de mar de tempestades de navios e terra.
Esta soma de gente multiplicada por melancolia
este cheiro esta luz e o morno passarinhar da poesia.
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