10 junho 2020

No fim de um lugar que desconhecemos

barcos julio pomar.jpg


Barcos - Júlio Pomar


 


No fim de um lugar que desconhecemos


uma porta que se abre devagar


nuvens de pó branco como veneno


glórias desfeitas passados que repisamos


um fluido esquecimento de tudo o que doemos.


 


Roufenha a voz que repete o fado


guitarras de pobreza aves sem destino


numa praia de arvoredos crivados de gaivotas.


Tiros de versos e azedume nas manhãs de brilho e nevoeiro


a porta que se fecha sem que vislumbremos


o futuro a que julgámos pertencer.


 


Outros serão os ventos outros os lugares de encanto


sempre nos gestos esta mansa loucura este canto


de flores e de mar de tempestades de navios e terra.


Esta soma de gente multiplicada por melancolia


este cheiro esta luz e o morno passarinhar da poesia.


 

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