Cada vez que sai da torre de gelo onde se esconde, Cavaco Silva descongela e corrói com o seu azedume qualquer debate sério sobre qualquer assunto - neste caso a despenalização da eutanásia.
Do alto da sua grandeza moral, que os restantes pobres mortais só terão se nascerem várias vezes, sai a lingua viperina condenando a moralidade dos deputados, exortando os fiéis a identificarem aqueles que, em nosso nome (como os eleitos numa democracia representativa), decidirem sobre este assunto.
Tal como quando se falava da despenalização do aborto, lembrando-se a indispensabilidade da educação sexual e do planeamento familiar, para além do perigo do aumento em flecha do número de abortos que se iria transformar num método contraceptivo, já se reúnem os mesmos grupos para prever a horda de assassínios de gente abandonada, lembrando a importância dos cuidados paliativos.
É um assunto difícil pois mexe com as mais íntimas concepções de vida e de morte, com o sofrimento e com a dignidade de cada um de nós. Cavaco Silva levou a discussão para o campo da culpa - exactamente aquilo que se não deve fazer.
Nota: vale a pena ler esta opinião de Alexandre Quintanilha.

Olá Sofia, gostei desta reflexão e de poder ler a "opinião de Alexandre Quintanilha". Não vou deixar a minha opinião, apenas recordar que "existir não é sinónimo de viver".
ResponderEliminarA leviandade (como a de Cavaco Silva) com que se reduzem estes problemas a questões meramente morais ultrapassa a minha compreensão...