1.
Desejamos a transparência da água
mas não suportamos a realidade das vísceras
em plena laboração não queremos na montra
os contorcionismos da mente os fugitivos olhares
que encerram medo e cobardia.
Desejamos muito o que não podemos ser.
2.
Na mesa deserta os despojos
de uma vida enrolados em sacos
preparados para um qualquer destino.
Os papéis amarelecem e através
dos óculos algumas letras aumentadas
lembram quem as escreveu.
As casas deviam morrer com as pessoas
esfumarem-se com os despojos das vidas
que acolheram.

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