19 agosto 2018

Função pública - envelhecimento e rejuvenescimento

Nada tenho contra o envelhecimento activo e a possibilidade de trabalhar após os 70 anos, seja no sector privado ou no público. Mas tenho algum receio que o término da reforma compulsiva aos 70 anos para a função pública, venha a ser, com o tempo, a manutenção do trabalho compulsivo a partir dos 70 anos. É claro que as condições dos trabalhadores hoje são muito diferentes das que existiam em 1926 (data da lei). Mas penso que há que ter em atenção inúmeros aspectos, não só a esperança e a qualidade de vida actuais, em comparação com as do início do séc. XX.


 


A realidade é que temos uma função pública com quadros envelhecidos, a precisar urgentemente de substituição e renovação. Já há muito que defendo que a reforma deveria ser gradual e que os últimos anos de actividade dos trabalhadores deveriam adaptar menos tempo e mais flexibilidade de horários a funções de formação e supervisão dos mais novos, aproveitamento da experiência e do saber dos mais velhos nas actividades diárias, para que, a pouco e pouco, se integrassem e renovassem as gerações, com a preparação simultânea de uma reforma activa e produtiva.


 


O desemprego jovem é grande pelo que o que me pareceria lógico era reduzir a idade da reforma e não incentivar a manutenção dos postos de trabalho após os 70 anos. Até porque a número de trabalhadores que tem esperado pelo limite de idade para se reformar é cada vez mais escasso, tendo sido de apenas 387 em 2017. Se as reformas forem cada vez mais exíguas, como é o caso, não me espanto que os trabalhadores possam pedir para continuar a trabalhar depois dos 70 anos, não porque de facto o desejem, mas porque se arriscam a ter sérias dificuldades económicas se não o fizerem.


 


É importante não desperdiçar o saber e a experiência de tanta gente notável que, aos 70 anos, tem ainda muito para dar à comunidade. Mas também não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar a força renovadora dos jovens que anseiam entrar no mercado de trabalho, sem o qual não podem assumir as suas vidas, privando-as do seu direito a serem cidadãos plenos, podendo ter os seus filhos, contribuindo para a sociedade com motivação, energia e competências diferentes das dos seus pais, e também para a economia do país.

3 comentários:

  1. Anónimo19:02

    Esta "medida" traz água no bico.

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  2. Smiley Lion20:42

    Prof. Manuel Antunes, Prof. Gentil Martins, Prof. Daniel Sampaio, Dr. Eduardo Barroso

    Aparentemente esta "rapaziada" acima mencionada não fez verdadeiramente o seu trabalho nos Hospitais PÚBLICOS (que nós pagamos). Se o tivessem feito teriam previsto e planeado a sua saída ao longos dos anos e deixariam não sementes de árvores, mas sim um bosque de árvores feitas e prontas a frutificar o trabalho. Assim, se continuam imprescindíveis aos 70 anos, não foram assim tão "bons"!! Além disso continuam a prestar mau serviço ao fazerem "forcinhas" para abrir portas a "reizinhos" e outros eternamente "imprescindiveis" .......

    Nota: seria engraçado ver alguns "imprescindíveis" a correr, atrás de um camião de pirilampo amarelo, durante as madrugadas cá no meu bairro...

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