
(…) É dessa matéria terrestre, corporal, palpável, que temos sempre de partir para encetar outros voos, o que implica que, tal como na Bíblia, a linguagem aqui veiculada é eminentemente simbólica, fazendo apelo a uma dimensão metafórica latente em todas as palavras que proferimos, cujo alcance acaba por ser bem mais amplo do que seria o seu significado literal: “Suspendo a luz que semeia / A ânsia do teu perfume / Palavra que incendeia / O feno do meu ciúme // Recebe-me em fogo lento / Os beijos que te confortam / Desfaz-te do desalento / Das cordas que te sufocam”. (…)
O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas
4.
Suspendo a luz que semeia
A ânsia do teu perfume
Palavra que incendeia
O feno do meu ciúme
Recebe-me em fogo lento
Os beijos que te confortam
Desfaz-te do desalento
Das cordas que te sufocam
Se ainda sentes na sombra
O manto da descoberta
Esquece o medo que assombra
O sonho que te liberta
Livro 1 (pág. 18)
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