Um mês depois da tragédia, evocando respeitosamente as vítimas, acompanhando a dor dos seus familiares, agradecendo o heroísmo anónimo dos que combateram o fogo e dos que testemunharam e testemunham solidariedade, relembro a exigência de apuramento total de factos e de responsabilidades, e de reconstrução imediata, em clima de trégua eleitoral local, aliás à medida da ilimitada generosidade do povo português.
Sessenta e quatro mortos interpelam-nos, exigindo verdade, convergência e reconstrução, com a humildade de assumirmos que os poderes públicos não corresponderam às expectativas neles depositadas.
«...com a humildade de assumirmos que os poderes públicos não corresponderam às expectativas neles depositadas.»
ResponderEliminarQuando no quotidiano todos clamam por mais autonomia e menos Estado ( desde as autarquias aos particulares ) , invocar que os poderes públicos não correspondem sempre e só quando há desgraça, é uma tremenda hipocrisia. Ou alguém ouviu Marcelo defender antes medidas como a posse administrativa de terras abandonadas/desordenadas ?Tivesse sido Cavaco Silva a sair-se com uma destas e poucos deixariam passar. Mas como o país está em lua de mel com Marcelo, o homem pode dizer tudo e o seu contrário que é só aplausos.
Marcelo Rebelo de Sousa disse o óbvio. E chamou à responsabilidade quem deve ser chamado. Não votei nele mas, felizmente, tem sido uma agradável surpresa, contribuindo para o serenar de ânimos em alturas bem difíceis. Tem sido aquilo que Cavaco Silva nunca foi, nem nunca entendeu o que significa - um Presidente da República.
ResponderEliminarDiscordo do seu conceito de "óbvio". Óbvio, para mim, é que sendo a referência Cavaco, até o Rato Mickey seria visto como uma melhoria. O resto não tem nada de "óbvio". Boa parte do problema dos fogos é simples incúria das populações afectadas. O conceito dominante de propriedade é o de que na minha eu faço ( ou não faço ) o que bem entender e ninguém tem nada a ver com isso porque é minha. O mesmo para quem decide montar negócios em caves clandestinas construídas em linhas de água. Ora não me recordo de ter ouvido a Marcelo uma única virgula sobre a matéria em nenhuma das imensas homilias com que nos prendou ao longo dos anos. O mesmo sobre as lógicas que imperam nos corporativismos do fogo. Mas se estiver enganado, cá estou para me penitenciar .
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