20 agosto 2016

De marfim

clockworklove paper burning.jpg


Tjep.


Clockwork love paper - burning


 


 


Seria de marfim


etérea a cor e suave de mãos


o doce olhar final sobre o teu rosto.


Seria de coral


firme cantata que os lábios reconheceriam


por entre todas as flores que se enterram


nascentes de água perfumada na estranha


pálida e sombria palavra de escravidão


pelo amor


pelo reino


pelo pão.


 


Ao chegar ao cume da montanha


para lá de qualquer horizonte perdido


as ruas de um passado já deserto


abrem as neblinas encrespadas


e as velas dos navios naufragados


desfazem-se nas asas dos pássaros


de ébano


de fumo


de lume.


 


E assim terá que ser.


Encolhemos de terror e de bravata


lambemos os dedos e choramos as perdas


decididamente mergulhados no tempo que nos resta


por dentro da dor da preguiça do lodo


vamos criando raízes e sugando o mundo


por ti


por mim


por nós.


 

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