Por muito que tente ser fria, realista, distante, pragmática e que observe os meus princípios do alto da sua pureza, confesso a minha secreta e imensa satisfação pelas palavras de Carlos César na Assembleia da República, pelo júbilo de uma nova esperança, pelo limiar da possibilidade de haver outra forma de governar.
À falta de argumentos em relação à total e estrita observância dos preceitos democráticos e da Constituição, a nova ordem é atacar o próprio Parlamento, denegrindo o papel dos deputados, insultando-os e tentando demonstrar que é um antro de ente corrupta e preguiçosa. O que mais me incomoda é a adopção deste mesmo tipo de comentários por pessoas que me habituei a admirar, como António Barreto. Feios, porcos e maus, estes deputados de esquerda que tiveram o topete de se concertar para assumirem uma alternativa de governo.
O espírito dos inquisidores desperta infelizmente também nas alas mais fundamentalistas do PS. É só observar o bulling a que estão sujeitos aqueles que não estão de alma e coração com esta solução governativa.
Vale a pena atentar bem no que disse o líder parlamentar do PS: (...) o Parlamento é um espaço de representação cívica e não um campo de batalha. De convergências e de controvérsia, mas marcado pela concidadania (...) quando os políticos divergem não se devem tornar inimigos (...).
Sofia, também gostei muito da intervenção de Carlos César e também sou profundamente partidário de uma forma mais apaziguada de fazer política.
ResponderEliminarEntretanto, quanto à sua frase "É só observar o bulling a que estão sujeitos aqueles que não estão de alma e coração com esta solução governativa", deixo-lhe a seguinte pergunta: qual tem sido o socialista mais atacado e criticado por outros socialistas estes dias?
Deixo-lhe já a resposta: António Costa.
Sim, AC tem sido o mais visado de todos nestas semanas. E, tristemente, com o seguinte truque: os críticos acham que têm direito a criticar - e têm - , mas os mesmos críticos acham que não "têm o direito" de ser criticados. É um dispositivo antigo, mas não passou a ser menos tortuoso pela sua antiguidade.
Cumprimentos, com sincera estima.
Habituou-se a admirar António Barreto? Não a fazia uma representante da classe dos ingénuos.
ResponderEliminarPorfírio, obrigada pelo seu comentário.
ResponderEliminarIncomodam-me muito as manifestações de falta de tolerância democrática, seja de quem for. O bulling político está na moda e é-me muito desagradável assistir a essa forma de combate político, especialmente entre aqueles que, espero (esperava), venham mudar essa tradição, que é péssima. Por isso gostei tanto de Carlos César e do gesto de António Costa, hoje, ao cumprimentar Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, no fim da sessão da Assembleia.
Certo. Mas o meu ponto era a sua "acusação" de bullying político aos socialistas que não estão com esta solução. E não vejo fundamento para esse ponto. E, francamente, não gostaria de ver ninguém cair no truque useiro de "eu tenho direito a discordar, mas de mim ninguém pode discordar".
ResponderEliminarCom a mesma franqueza do comentário anterior, acrescentaria que é sempre simpático que quem participe nestas conversas não caia em qualquer desse e doutros truques useiros mais comuns, nomeadamente o do: "bullying político aos socialistas que não estão com esta solução? Não dei por nada (ou derivado)." O argumento de quem anda distraído e "não vê fundamentos" estende-se desde Maria Antonieta, que não sabia que o povo, à falta de pão, não tinha posses para comprar brioches, até aos comunistas que esperaram por 1989 para descobrir que os regimes do Leste da Europa eram um fiasco total.
ResponderEliminarA. Teixeira, a franqueza deve servir-se com substância. Dê-me, por favor, exemplos do tal bullying político e eu responderei claramente o que acho. Não use a desculpa da franqueza para evitar ser concreto. A actual direcção do PS tem sido acusada de tudo e mais alguma coisa (ver, por exemplo, entrevista de um secretário nacional no tempo da anterior direcção do PS ao Público de sábado passado, acusando a actual direcção de ser uma deriva esquerdista e dizendo que Catarina Martins foi mais moderada na campanha do que os dirigentes do PS). Os comentadores bebem todas as palavras de qualquer crítico à actual direcção - e ninguém diz que isso seja bullying político. Mas, quando peço exemplos do tal bullying contra os críticos, respondem-me ao lado. Repito: franqueza é falar claro e concreto, não é retórica sem substância. Nunca usei as minhas funções no PS para chamar traidor ou desleal a quem discorda, contrariamente ao que aconteceu noutras alturas. É por isso que levo esta discussão muito sério e não estou disposto a deixar-me levar por vagas proclamações.
ResponderEliminarPorfírio,
ResponderEliminareu não disse expressamente que tinham sido membros do secretariado do PS a fazerem bullying político, e estou certa que todos terão tido até um cuidado redobrado em limitar as críticas. Mas os comentários que se lêem escritos por várias pessoas que, pelo menos, são simpatizantes do PS são, para dizer o mínimo, muito desagradáveis, e não me dei conta de que houvesse alguma nota de demarcação por parte dos elementos do secretariado ou perto dele. Por isso, mesmo que, objectivamente, não tivesse havido palavras menos corteses de militantes afectos à actual direcção, há o silêncio cúmplice. E é isso que me desagrada muito pois são métodos de intimidação que se assemelham demais aos que foram utilizados por exemplo pelos anónimos atacantes dos apoiantes de Maria de Lurdes Rodrigues, por exemplo. Não é uma questão de graduação, mas uma questão de existirem e de serem tolerados.
Pronto, Sofia, então não foram os membros do secretariado. Nem, se calhar, dirigentes regionais. Nem, se calhar, dirigentes nenhuns. Talvez militantes de base. Talvez simpatizantes. Talvez, sei lá. E, portanto, pede-se que a direcção do partido critique críticas que andam por aí. Se alguém fizesse isso, diriam então que os dirigentes censuravam os outros por se pronunciarem. Entretanto, a direcção do partido tem ouvido as acusações mais absurdas, mas isso é o direito de criticar, enquanto o contrário é bullying político. Sofia, sabe que sempre fui de falar claramente, e claramente lho digo: a sua acusação é parcial, por isso injusta. Creio, sabendo quem a Sofia é, que não foi injusta deliberadamente. Nesse caso, não pesando os vários aspectos da questão, talvez tenha sido imponderada.
ResponderEliminarUm abraço, Sofia, com a consideração e a estima de sempre. Mas a consideração e a estima nunca me fazem esconder as diferenças de apreciação. Oxalá eu estar aqui a comentar comentar comentar não seja considerado bullying político...
Porfírio Silva, por mim satisfaço-me com a magistral resposta que a Sofia lhe deu. Mas não gostaria de o deixar sem resposta quanto aos tais exemplos de bullying que me duraram cerca de um minuto a repescar da internet: (1) (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=908646399221264&set=a.108434182575827.17796.100002277384933&type=3&fref=nf)
ResponderEliminar(2) (https://www.facebook.com/193465624017798/photos/a.193471420683885.45453.193465624017798/1015027338528285/?type=3&theater) Faço-o apesar de desconfiar que serão exemplos que se apressará a classificar "ao lado". Porque, pelo que agora escreveu apercebi-me que o "seu lado" ficar-se-á pelo secretariado e pelas responsabilidades que se poderão assacar a quem evolui por lá perto. Mas olhe que há um outro Mundo. Onde as pessoas se podem lamentar por maus comportamentos que testemunhem sem que a intenção seja maleficamente responsabilizar António Costa ou os seus próximos.
Porfírio,
ResponderEliminarcom a mesma estima temos, de facto, diferenças de apreciação. Não acho a minha injusta nem imponderada. Quanto à parcialidade do comentário, parece-me que padecemos do mesmo mal e não, não estava à espera de comunicados oficiais a condenar maus comportamentos. Quanto ao bullying , ele é desprezível em qualquer dos lados ou facções.
Como também gosto de falar claramente, parece-me que tenta desvalorizar a desqualificação a que estão a ser sujeitos os críticos desta solução governativa. Da parte do PS tenho visto bastante mais virulência em relação a quem não concorda com a estratégia de António Costa do que o contrário.
E pode continuar a comentar, este e todos os posts que lhe apetecer, que eu não me vou considerar vítima de bullying político...