Já por diversas vezes ficou bem provado a minha total ausência de clarividência política. Confesso a minha incapacidade para perceber vários fenómenos na sociedade portuguesa.
O primeiro é o fato de uma enorme percentagem dos meus concidadãos pura e simplesmente se absterem de votar. O alheamento e o encolher de ombros, a par do permanente ruído dos queixumes, são uma marca identitária que me custa a aceitar.
O segundo é o sentido de voto que resulta destas eleições, após quatro anos de empobrecimento e retrocesso. Escusamos de versejar e tentar relativizar a perda de maioria absoluta da coligação de direita. Para mim é mesmo incompreensível que tenha ganho, por muito ou por pouco.
O terceiro é a atitude de António Costa que, desde a primeira hora, teve o meu apoio. Após tão estrondosa derrota – não esqueço que defendi que era ele que poderia levar o PS ao governo, substituindo António José Seguro da sua liderança invertebrada, não tem uma palavra para o combate interno que, fatalmente, se seguirá. Mesmo que não se demitisse, e admito que até seja importante manter a serenidade neste período imediatamente anterior às presidenciais, o que estaria à espera era que, pelo menos, anunciasse a realização de um Congresso extraordinário onde poderia reforçar (ou não) a sua liderança. O PS vai precisar de ter um líder incontestado e, neste momento, ou António Costa assume o risco de pedir que o desafiem e lhe disputem o lugar de Secretário Geral, ou o PS vai continuar em lutas internas enfraquecendo-se e esboroando-se.
Mas claro, isto sou eu que não entendo o resultado das eleições. Uma coisa é certa – teremos PAF por mais uns belos tempos. Este modelo foi sufragado e o PS terá que ter força para conseguir negociar algumas das suas bandeiras eleitorais.
Quanto às presidenciais – e que tal o PS repensar também a sua estratégia? É que se anuncia mais uma estrondosa derrota, seja ela com Sampaio da Nóvoa ou com Maria de Belém.
Não sei se teremos uns bons anos de PAF, porque se António Costa se manter parece-me que irá votar contra todas as medidas e a primeira será a do OE.
ResponderEliminarAcho que um dos principais motivos pelos quais perdeu, foi a fraca campanha eleitoral que o PS teve.
Até a sua atitude de que o PS não precisaria de ninguém para governar caso ganha-se mostrou que ele não estaria aberto e disponível a negociações.
Acho que num momento como este em que não existe uma maioria absoluta, é necessário e urgente um entendimento entre PS e coligação, para o bem do país, pois a instabilidade política ira fazer tremer os mercados e vamos ficar pior do que estávamos.
Quanto as presidências também sou a favor que os possíveis candidatos do PS não me parecem grandes alternativas, lá esta a não ser que mudem algo, de certo iram ter nova derrota.
Sobre as presidenciais, ouviu-se de Jorge Coelho (quem diria?!) na noite eleitoral a proposta que me parece mais assisada: «PS deve abster-se de apoiar algum candidato na primeira volta das presidenciais»
ResponderEliminarRelativamente a António Costa, parece-me que é cedo para anunciar o que quer que seja. Acho que ele ontem esteve bem, sobretudo fartou-se de gozar com os jornalistas que já lhe tinham tirado as medidas do caixão. O PS deverá agora conduzir uma discussão interna, em que provavelmente Costa terá mesmo que oferecer um Congresso e Primárias à oposição interna. Mas julgo que esta se enfraqueceu e muito com a candidatura de Maria de Belém e outras facadinhas nas costas do Secretário-Geral, por muito que o Dr. Beleza jure o contrário
ResponderEliminar(alguém o imagina a ele ou a Brilhante Dias como sucessores de Costa?). Quanto à proposta de Jorge Coelho, não tem pés nem cabeça, é atirar a toalha ao tapete antes da luta, ou um candidato presidencial tem o apoio da máquina do PS, ou perde clamorosamente para o PáF-Marcelo à primeira volta, como bem disse Pacheco Pereira. O ideal era mesmo que aparecesse um terceiro candidato/a. Mas se a escolha for entre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, devolvam a palavra aos militantes e simpatizantes, façam primárias e ponham os dois a discutir um com o outro, para percebermos o que defendem e para ganharem espaço mediático ao Propagandista-Mor da Direita...
Uma (fraca) palavra de conforto: não está só no inconseguimento. Saudações amigas.
ResponderEliminarAssim começou a noite das facas longas:
ResponderEliminarAntónio Costa tem de se precaver porque os Seguristas não lhe vão dar descanso. Ainda não digeriram a derrota nas Eleições directas. Mas o mais bonito e´ que estes Seguristas neste momento não se apercebem que estão a dar ouro ao bandido. Estão a fazer o jogo da direita.
Não se lembram do que foi noticiado nos jornais após o debate entre António Costa e Jerónimo de Sousa que elementos da Coligação PAF avisaram a CDU que estavam a perder simpatias no eleitorado. A partir daí a Coligação CDU começou com ataques e mais ataques ao PS e António Costa. Ao ouvir esses ataques a Coligação PAF regozijava-se de contentamento. E´ o que acontece neste momento. PAF e comunicação social estão nas suas quintas. Só que agora quem faz esse “trabalho” são quem se intitula PS.
Daqui faço um apelo a António Costa que não desista e quando marcar o congresso extraordinário que se candidate a novo mandato. Que dê oportunidade aos simpatizantes do PS que possam votar nas directas. Depois quero ver quem tem dedos para tocar viola.
Sim, sim, os papões dos mercados. Não acordemos a besta sem rosto!
ResponderEliminarEstou saturada desta linguagem do medo, esta linguagem obscena dos neoliberais, dos neocapitalistas, do raio que vos parta.
Irra!
O PS está mal e não é de agora...
ResponderEliminar1º- Apesar do 'palavreado' e das referências históricas, de facto, o PS abdicou de ser "republicano" e "socialista"/social democrata, desde o 'Blairismo/nova via', seguindo-se a sua captura ideológica e prática pelo neoliberalismo ...
2º- Tal como o PSD (ambos partidos do centrão de interesses e negociatas), o objectivo da 'entourage/corte dirigente' é o benefício próprio, a subida a todo o custo, a obtenção de 'tachos' e benesses, o controlo de grupos e apoiantes, com o associado atropelo de regras democráticas, manipulação, falta de ética, falta de crítica e liberdade de expressão, o mascarar de malfeitorias e incompetências, o engano e burla de militantes e simpatizantes -- que, não sendo parvos nem tendo estômago para tal, afastam-se desmotivados, desinteressados do convívio com este tipo de 'políticos' e aprendizes. O objectivo destes politiqueiros é o assalto/instalação (rotativa e partilhada com o PSD) no poder político para repartir 'tachos' e benesses entre os seus 'barões', familiares, amantes, sócios de negócios/empresas e jotas mais 'aguerridos' ... , destruindo a militância e secções, fechando sedes, não discutindo política, nem medidas, nem moções, nem programas, nem candidaturas, nem métodos, nem resultados, ... transformando o Partido (associação política sem fins lucrativos)numa sociedade anónima de capitais/ 'donativos/ investimentos' privados e públicos, com uma minoria de grandes accionistas, um grupo de accionistas/ dirigentes/tachistas/ cortesãos e uma maioria de micro-accionistas acéfalos e papalvos.
3- Não tendo sido feitas as imprescindíveis reformas e o afastamento das 'maçãs podres', o partido tem vindo a decair (tal como o desinteresse/ abstenção dos cidadãos tem vindo a aumentar). Fala-se em 'facas longas' mas não havendo 'tomates' para as usar, vão utilizando facadinhas, armadilhas e venenos- o resultado é bem pior, e não se limpa nem levanta o Partido.
Afastar o Secretário-geral (este, o anterior, o próximo...) é apenas esconder a porcaria debaixo do tapete... e aumentar mais divisões/ facções, deixando espaço para os mais aguerridos/matreiros subirem ao poder ...independentemente da sua (in)competência, da avaliação crítica das causas e factores, da responsabilização, da definição de rumo ... e da necessária "revolução" interna... e externa, da política portuguesa e europeia.
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Zé T.