06 setembro 2014

Haja esperança


 


Estive a ouvir aplicadamente as entrevistas de António José Seguro e António Costa à RTP e a de António Costa à TVI (não encontrei nenhuma recente de António José Seguro).


 


As críticas que se fazem a António Costa pelo facto de não apresentar medidas concretas aos problemas que se apresentam têm dois objectivos: um deles é, de facto, tentar perceber o que António Costa pensa e propõe; o outro, bastante versado pelos seus opositores, é a tentativa de que se comprometa com promessas que poderão ser utilizadas para o atacar na próxima campanha para as legislativas.


 


Nesse aspecto acho que António Costa se defendeu bem - propõe uma estratégia para o país, um plano de ideias gerais. A esta distância das próximas eleições, com as eventuais modificações que seriam bem vindas na política europeia, inclusivamente o problema da disciplina orçamental, o incentivo ao emprego, etc., compreende-se a contenção que tem. Por outro lado estará provavelmente a guardar-se para a próxima batalha eleitoral.


 


Mas gostaria muito que se tivesse rebelado contra a pergunta que lhe fez Paulo Magahães, falando da tralha socrática. É revoltante a forma como se tornou corriqueiro o achincalhamento de todos quantos trabalharam e defenderam a política dos governos de Sócrates. O que é a tralha socrática? É Maria de Lurdes Rodrigues, Correia de Campos, Pedro Silva Pereira, Carlos Zorrinho? O próprio António Costa? Seria muito refrescante e higiénico que António Costa se demarcasse das políticas com que não concorda sem aceitar tacitamente o insulto a Sócrates e ao grupo que o apoiou e que com ele trabalhou.


 


Quanto à entrevista que António José Seguro deu a Fátima Campos Ferreira, sinceramente, e bem sei que não sou isenta, foi confrangedora.


 


A sondagem da Aximage e os resultados que vão surgindo da disputa pelas federações no PS, são demonstrativas de que os militantes do PS não estarão assim tão satisfeitos com a liderança de António José Seguro, ao contrário do que os seus apoiantes sempre quiseram fazer crer. Esperemos que a inscrição dos simpatizantes seja mais expressiva e que as primárias sejam bastante concorridas.


 


Enfim, haja esperança - nas primárias e em tudo o resto.


 


Acrescento e esclareço: eu preferiria bastante que António Costa falasse já para o país, que nos enchesse com o que pensa fazer. Acho que prcisamos todos de acreditar que há alternativa a esta esgraça.

2 comentários:

  1. Se reparar bem, o Paulo Magalhães costuma usar com os convidados, expressões provocatórias retiradas do discurso político de figuras públicas, para dar oportunidade a uma resposta - assim interpreto.

    No caso a que se refere, a expressão do jornalista invoca um artigo de Marques Mendes, publicado em 2013 no Correio da Manhã, intitulado “A tralha socrática”, em que MM escreve que os apoiantes de José Sócrates estão de regresso para “fazer a vida negra” a António José Seguro e que pretendem voltar ao poder “cavalgando às costas de um novo líder".

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  2. António M Pinto, eu sei que foi Marques Mendes que teve esse arroubo de criatividade. Continuo sem perceber as razões porque se continuam a contratar e a ouvir pessoas como ele, que se presta a ser a correia de transmissão de uma parte do governo. Falta-me compreensão para este género de coisas. Mas o facto de o jornalista ter sido provocador não impede que se lhe responda que essa linguagem é inaceitável. Gostaria muito de ter ouvido António Costa dizer-lhe isto.

    Habituámo-nos a achar normal o insulto, o cinismo e a hipocrisia, com a "desculpa" de que é da natureza da política. Eu não acho normal, acho mesmo degradante.

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