Nunca fui ao Salão Ideal nem sabia que tal sala de cinema tinha existido, quanto mais que fora a primeira sala de exibição cinematográfica de Lisboa.
Hoje, ao ler o Público, apercebi-me que ia ser reinaugurado como Cinema Ideal, na Rua do Loreto, a sua localização original. Fiquei muito curiosa e com grande vontade de lá ir. A ideia de uma reconstrução que devolva aos cinemas a sua mística, que os transforme em locais de convívio e bom cinema, sem que obrigatoriamente se passem os êxitos de momento, parece-me excelente.
Nunca me habituei às pipocas com Coca-Cola. Esta moda importada dos EUA, tal como o dia dos namorados e o dia das bruxas não me leva mais vezes ao cinema, bem pelo contrário. Neste caso (como em muitos outros) sinto-me retrógrada e fora de época. Tenho imensa pena, por exemplo, de terem acabado os bilhetes de cinema personalizados. Havia-os para todos os gostos e cada sal de cinema e cada filme eram especiais. Cheguei a juntar alguns, tal como de teatro e de museus, numa espécie de colecção da qual desisti rapidamente. Não sou mulher de coleccionismo.
A emoção do bilhete na mão, o escuro e o silêncio da sala, a comunhão de gargalhadas e de susto, de tristeza e de carinho, com a mole anónima à volta, era especial e mantém-se inalterada.
Recuso ver um filme no pequeno ecrã das televisões, mesmo de avantajadas dimensões.
ResponderEliminarPreciso do "escuro" da Sala do Cinema.
Preciso dos "arrumadores" com a sua lanterna.
Preciso do ruído das cadeiras.
Preciso do silêncio das cenas decisivas.
Preciso do intervalo no átrio, vendo caras conhecidas, no comentário apressado.
Preciso de ir ao café-cervejaria comungar das consonâncias e dissonâncias.
Boa Noite.
Bom Domingo.
ACÁCIO LIMA
PS- As pipocas e os amendoins é uma Praga, até de falta de higiene!!!!!!!!!