Ainda não se sabe nada do resultado das conversações entre PS, PSD e CDS, com o objectivo de se chegar a um acordo que mantenha este governo em gestão até Junho de 2014 e que fortaleça o país para renegociar o memorando da Troika.
No entanto já estamos a assistir a um crescendo de arrogância da parte de Passos Coelho que, tanto no debate da moção de censura dos Verdes como, posteriormente, no inusitado directo do seu discurso ao PSD, reafirma a vontade do governo de obrigar o Presidente a aceitar a remodelação governamental, insinuando que é esta maioria que tem legitimidade para cumprir a legislatura e manter a política de austeridade até agora seguida.
Tal como Pacheco Pereira disse ontem, na Quadratura do Círculo, o PSD tem conseguido ligar o ónus da crise política à eventual recusa do PS em assinar um acordo, quando foi o governo que desencadeou a crise política mais recente.
Defendi e defendo que António José Seguro tudo faça para que seja encontrada uma base de entendimento que permita estabilidade até às eleições antecipadas de Junho, reafirmando e levando os partidos do governo a inflectirem o rumo político e, perante a Comissão Europeia, o FMI e o BCE, cerrarem fileiras na renegociação do memorando. É muito importante que o PS não assine qualquer acordo, mas um acordo que permita o país sair deste atoleiro. Convém que deixe bem claro que a crise não é sua responsabilidade e que, pelo contrário, está a tentar resolver o imbróglio deixado pelo governo.
Não se percebe como é que António Costa não faz ideia do que está a ser negociado. Não se está a perceber nada, para além de uma reviravolta nas posições negociais. Caso o PS não consiga marcar bem as diferenças, não deverá nunca assinar o acordo. Há limites que não podem ser ultrapassados.
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