Nada de novo neste cantinho do mundo. Pode parecer que há uma frente imparável entre centrais sindicais unidas, fundadores da democracia a levantarem as massas, manifestações diárias e desacatos na Assembleia da República.
Na verdade, é apenas a banalização da demonstração do descontentamento. O governo continua lá, com uma maioria parlamentar que ainda não se desmanchou. A execução orçamental continua a ser horrível, sobe o desemprego, o défice e mantém-se a desvergonha e o mau gosto inexcedível de pessoas como Vítor Gaspar, que nem percebe que é melhor não tentar fazer humor.
Nada há, portanto, a dizer de novo, que não se tenha dito já milhares de vezes. Como não se consegue continuar a aumentar exponencialmente a desesperança e a depressão, habituamo-nos. O ser humano adapta-se a tudo para sobreviver.
Hoje, pelo menos, São Pedro deu-nos algumas tréguas. Esteve um dia lindo. Por isso decidi ir à Feira do Livro. Arrependi-me ao fim de 10 minutos. A Feira do Livro transformou-se no Hipermercado do Livro, em que há uns cestinhos para ir tirando livros de estantes cheias, propaganda e promoções a autores e a livros, tal como no Jumbo e no Continente, filas de gente para as caixas, desgraçados autores sentados a escrevinharem autógrafos para os eventuais leitores, muitas barraquinhas de gelados, de doçaria regional, água, café e sei lá que mais, para além dos balões, palhaços e carrinhos de bebé porque hoje era o dia mundial da criança.
Tenho um problema cada vez mais grave com estas manifestações culturais. Fugi a sete pés.
COMENTÁRIO AO POST “HIPERMERCADO DOS LIVROS”
ResponderEliminar01- O “Mercado” continua ser o mais importante “Macro Regulador”.
Os Economistas ainda não foram capazes de teorizar outro “Macro Regulador”, que o substitua.
02- O “Livro”, para chegar ao Leitor e ser lido, não foge, enquanto “Produto”, às leis da Indústria Livreira, e do Mercado, e fica enredado na Publicidade e nas Promoções.
03- O Sistema articula Autor e Industrial Livreiro, e sem esse entrelaçamento, cimentado pela Publicidade e a Promoção, o Livro não chega ao “consumidor” de leitura.
04- A Feira do Livro, as suas Promoções do “Livro do Dia”, as Sessões de Autógrafos dos Autores, anquilosou-se na não imaginação e na cópia dos “merceeiros” Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos.
O Marketing Livreiro, e a Distribuição Livreira estão no rebotalho da Gestão.
05- Apesar da mediocridade da Feira do Livro, e da sua falta de imaginação, o que me incomoda é haver um Rui Rio que inviabiliza a Feira do Livro do Porto, na sua postura de “Quando ouve falar em Cultura, rapa logo de uma pistola”. E “mata”.
06- Curiosamente o Livro, os Livros, os Autores dos Livros, entendem bem este Processo Encadeado da “Elaboração Conceptual”, da “Produção” e da “Distribuição”, nesta delícia de tornar o Real sempre mais apetecido e algo que não nos espartilha na incomodidade.
Bom Dia.
Boa Semana.
Saúdo a Autora do post, na sua ancoragem e interpretação do fluir do tempo político
ACÁCIO LIMA
Acácio, também tenho muita pena que não haja Feira do Livro no Porto. O facto de não gostar deste figurino apenas significa isso mesmo.
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