A democracia é um enorme problema. Principalmente nesta Europa imperial.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Tenho sido muito crítica de António José Seguro. Mas a verdade é que ultimamente tem tido iniciativa política, marcando a agenda e mostrando à troika que pode ser alternativa.
A carta enviada aos representantes do FMI, BCE e CE, seguida das conversas com os parceiros sociais, falando directamente com os decisores externos e com as forças da tão falada sociedade civil, são um bom sinal.
Espero que continuem estes bons sinais, porque todos os outros são deprimentes.
A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste
A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"
Convidei para o jantar... um poema
Havia rumor de passos de vozes ranger de tábuas
entre as rosas mistura de cheiros acres e baunilha.
Havia olhares prolongados de privações
anos de chão raspado por joelhos macerados.
Havia mãos diligentes que batiam ovos
zelosamente guardados em quartos de verão.
Infâncias de memórias casas de ventos
onde se depositam amenas tardes de feno.
Suspiro com leite-creme de beterraba e chocolate
O suspiro:
Batem-se 8 claras com uma pitada de sal em castelo bem firme, e juntam-se 400g de açúcar batendo sempre, durante mais um pouco, até ficar um creme branco e espesso. Espalha-se num tabuleiro e leva-se ao forno lento até cozer.
O leite-creme de beterraba e chocolate:
Cozem-se 200g de beterraba descascada e aos bocados em água, com raspa de 1 limão e de 1/2 laranja e 1 vagem de baunilha (aberta, raspada e cortada aos pedaços); depois de cozida escorre-se, retira-se a vagem da baunilha e reduz-se a puré (com a varinha mágica) juntamente com 1/2l de leite que, entretanto, ferveu com outra vagem de baunilha e 200g de chocolate preto (de culinária), cortado aos bocadinhos para ir derretendo. À parte misturam-se 8 gemas com 300g de açúcar, 2 colheres de sopa rasas de farinha e, a pouco e pouco, o restante 1/2 litro de leite. Côa-se o leite com a beterraba e leva-se ao lume, juntando com cuidado a restante mistura do leite, ovos, açúcar, farinha e leite. Deixa-se no lume até engrossar, torna-se a coar e está pronto.
Serve-se o suspiro banhado em leite-creme de beterraba e chocolate.
Esta é uma homenagem à minha avó.
Dos comentários ouvido na TSF - Bloco Central e Governo Sombra - e na SIC-N - Eixo do Mal - cheguei a algumas conclusões revolucionárias, e que enformarão o meu viver democrático e republicano daqui em diante:
Daqui depreendo que a lei é variavelmente aplicável consoante se é Relvas, Paulo Macedo, Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Vítor Gaspar, João Semedo, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, Ana Avoila, ou até Clara Ferreira Alves, Pedro Adão e Silva, Pedro Marques Lopes, João Miguel Tavares, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes, Ricardo Araújo Pereira, Pacheco Pereira e muitos outros. Daqui depreendo que Miguel Relvas não conhece limites, mas que todos estes mentores das liberdades criativas sabem quais são os de Miguel Relvas mas não os deles.
Por isso visto a camisola de bonzo que se me cola à pele e que Clara Ferreira Alves tão apropriadamente desmascarou.
A partir de agora sempre que todos estes oradores aparecerem em conferências, lançamentos de livros, inaugurações de eventos ou quaisquer outras situações, é perfeitamente normal e até saudável, cantar, gritar, insultar, e até atirar ovos podres, visto que isso não belisca minimamente a liberdade de expressão de nenhum deles e é um direito que todos nós temos. A não ser que eles sejam cidadãos, e nós não. Ou é ao contrário?
Águas
E pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão
Acordar
Águas
Das fontes
calai
O ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas
Das fontes calai
O ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar
Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas
Das fontes calai
O ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar
Agora é que vai ser: o apuramento culinário e a capacidade de irmanar com os melhores cozinheiros, de todos os géneros e feitios, inventando iguarias de fazer rebolar de gozo o paladar de vários comensais, está ao meu alcance.
Após aconselhamento internáutico, parti rumo ao El Corte Inglés, em busca do afamado ralador Microplane. Mas vim de lá com vários apetrechos e muito agradavelmente surpreendida pela cortesia, conhecimento e afabilidade dos comerciantes, que simpaticamente me arranjaram um maçarico para queimar açúcar, com o respectivo gás e lição prática de uso, termómetro para pontos de açúcar e saca-rolhas que, espero eu, funcione bem.
Tudo isto porque quero aceitar este convite. Já tenho o poema e já imaginei o doce. Só que, entre a ideia e a sua concretização, vai alguma distância. Principalmente se há percalços como o talhar do leite-creme, e coisas semelhantes. Nada que me impeça de continuar a inventar, audaciosamente, até à volúpia aveludado de um leite-creme inovador, desconstruído e reafirmado.
Este é, de facto, o pior Presidente da nossa era democrática, responsável por muita de descredibilização da classe política. Não o único, mas um dos principais. É quase inacreditável.
Aqui está uma manfestação de resistência pacífica, inteligente e irónica. Na verdade até bastante justa.
Grândola Vila Morena foi uma das senhas para o Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974. Foi uma das senhas para a instauração de um regime democrático, o contrário do que os arruaceiros do movimento Que se lixe a Troika fazem quando a utilizam, de forma a conspurcá-la, tal como a conspurca o Ministro Miguel Relvas ao fazer chacota do acompanhamento musical desafinado e grosseiro, no Clube dos Pensadores.
Ao contrário do que Pedro Adão e Silva e Luís Delgado disseram, não me parece que isto seja um movimento inorgânico. Parece-me um movimento de uma minoria antidemocrática que, infelizmente, tem a compreensão dos media e dos comentadores, que ontem, na SIC-N, ao abordarem os desacatos à volta de Miguel Relvas nas redes sociais, apenas mostraram opiniões que validam e desculpabilizam este tipo de contestação.
Pois ela parece-me não só orgânica, organizada e orquestrada, como o contrário da oposição a um governo eleito democraticamente. Não conheço alternativas à democracia representativa, não sei o que é a democracia de rua, parafraseando a pergunta no forum da TSF.
Isto é um festim para as vanguardas esclarecidas e para ditadores frustrados, e está a tornar-se perigoso. Prefiro ministros como Miguel Relvas, que podem ser apeados e demitidos por Presidentes da República e por eleições livres e democráticas, que contestatários como os estudantes lixados pela troika, que nem sequer entendem o que é o protesto político, a pessoas surdas e incapazes de discutir alternativas, por muito desesperadas que estejam.
Desesperados e lixados estamos todos, com este governo, com esta Europa, com esta Troika, e mais ficaremos se a democracia da rua vencer.
Nota: Outras opiniões, que vale a pena ler:
Paulo Pedroso - Portugal está a desaprender a liberdade
Valupi - No país do Miguel Relvas
Diogo Serras - Alternativa zero
O que se está a passar neste momento, com hordas organizadas de pseudo democratas a manifestarem-se em todo o lado onde aparecem ministros, nomeadamente Miguel Relvas, é uma distorção do direito à indignação e da liberdade de expressão. Este governo foi escolhido livremente pelo povo, em eleições livres. Isto que se está a tentar fazer, é a ditadura de uma minoria autoritária que assume a vontade de uma maioria que, quando é chamada a decidir, decide de outra forma.
É vergonhoso. Não gosto do governo ou do Ministro. Mas isto é o contrário do debate democrático. Miguel Relvas fez mal em tentar alinhar na brincadeira. Não só fez uma triste figura como isto não é uma brincadeira.
Wayne Chisnall
1.
Sei que tenho memórias de um tempo feliz
daquelas memórias que servem para aconchegar os rigores da passagem
da vida. Sei que existem nalgum recanto do cérebro trancadas
em portas invisíveis. Mas não as encontro
essas memórias de tempos idos em infâncias despreocupadas e seguras.
2.
Impossível este amor sem vício nem dor
este diário sem carne amarrotada e madrugadas insones.
Impossível este amor de liberdades aprisionadas
pelo hábito e pela culpa. Impossível querer sem ter
a cruel lucidez da incerteza e mesmo assim amar
sem pejo nem lonjura sem o tempo que perdura em nós.
Clint Eastwood & Jamie Cullum
& C.Kyle & Michael C. Stevens &
Nino Carmona & Jose Miguel
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now The tender breeze
Blows
Whispers through
My Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engine humms
And bitter dreams
Grow heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
Realign all
The stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh,how I've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
A Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
These streets
Are old
They shine
With the things
I've known
And breaks
Through
The trees
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
May I be
So bold and stay
I need someone
To hold
That shudders
My skin
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So realign
All the stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh
How i've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And better dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
(...) Do que quero falar é do topete revolucionário de um dos seus barítonos mais mediáticos, o advogado Garcia Pereira, que se terá dialecticamente esquecido que foi por vontade do povo, o tal que é quem mais ordena, que ele não teve assento nas cadeiras mais abaixo do hemiciclo quando para isso se candidatou¹. (...)
1Recebeu apenas 14.419 votos (1,23%), quando precisaria de um pouco mais de 22 mil…
Por outro lado, estando os caminhos do PS cada vez mais óbvios na sua inanidade e mediocridade, o país enfronha-se na crise, o mais calmo que lhe é possível, e cada vez mais desiludido, alheando-se das coreografias e da indigência dos nossos representantes. É como se visse um mau filme, mal realizado e mal interpretado. Nada apaga a revolta silenciosa contra a iniquidade de um estado policial, a quem já ninguém respeita e suporta. É extraordinária falta de competência e de vergonha.
É muito interessante ouvir as pessoas que tanto defenderam a decisão de João Paulo II em levar o seu papado até à morte, levando a sua cruz, tal como Cristo fez (lembro-me de ter ouvido isto), declararem a sapiência deste Papa ao renunciar antes de Deus assim o decidir.
Os caminhos do Senhor são sinuosos e insondáveis.
Uma das reformas mais importantes a fazer no SNS é recentrar o atendimento em estruturas inseridas nas comunidades, retirando aos hospitais uma enorme quantidade de doentes, profissionais e custos que, direccionados para apoios domiciliários, de enfermagem e consultas de especialidades perto dos cidadãos, seriam bastante mais bem aproveitados.
A medicina moderna centra-se nas necessidades, prioridades e qualidade de vida dos indivíduos, personalizando as terapêuticas à uma determinada doença de um determinado doente. O esforço da investigação tem prosseguido o objectivo de disponibilizar medicação que possa ser efectuada pelas próprias pessoas, de forma a manterem o mais possível os seus afazeres sociais e profissionais.
Os custos de uma medicina cada vez mais sofisticada devem ser criteriosos, investindo-se na qualificação e diferenciação da carreira de Enfermagem, reconhecendo-lhes e validando competências que, em muitas circunstâncias, já exercem, pois são estes profissionais que administram a medicação, acompanham diariamente os doentes, observando, registando, monitorizando e avaliando efeitos secundários, esclarecendo dúvidas de familiares e cuidadores, apoiando psicologicamente os fragilizados em todo o processo patológico.
Não é possível manter doentes nos hospitais, num ambiente mais desumanizado, massificado, oneroso e ineficaz. Não se percebe a razão da ausência de consultas de especialidade de gastrenterologia, ginecologia, cardiologia, medicina dentária, pediatria, medicina física e de reabilitação, endocrinologia, e outras, nos Centros de Saúde, para diagnóstico e seguimento das mais diversas patologias, reservando-se os hospitais para os casos graves, de intervenções mais sofisticadas e delicadas, libertando os profissionais e os recursos para o que necessita de outros meios e de outro tipo de equipamentos.
Os avanços tecnológicos nas várias áreas, nomeadamente de informação, a melhor qualificação das pessoas e o desenvolvimento das especializações nas várias carreiras de profissionais de saúde deveriam ser incentivados e aproveitados a favor dos cidadãos, assim como na rentabilização e reorganização para a verdadeira e consistente sustentabilidade do SNS. Onde estão as propostas dos partidos da oposição, mais precisamente do PS, para esta função estatal?
Na Fundação Oriente está uma interessantíssima exposição - CARTAZES DE PROPAGANDA CHINESA - A ARTE AO SERVIÇO DA POLÍTICA.
O culto das personagens mitificadas do comunismo chinês, com Mao Zedong em omnipresente destaque, o aproveitamento da cultura e das tradições para a propaganda, a alegria obrigatória, os camponeses, os operários e os estudantes, o livro vermelho de Mao, as óperas revolucionárias, e até alguns panfletos, revistas e cartazes nacionais, da nossa própria época revolucionária, de um passado que nos parece quase irreal a esta distância. É como olharmos para a nossa infância – sabemos e lembramo-nos do que se passou, mas como se tivesse sido com outra pessoa.
Era uma autêntica máquina de guerra, que triturava e amalgamava todas as manifestações de arte popular, até os teatros de marionetas e de sombras. As ditaduras são todas iguais, dos pioneiros à mocidade portuguesa, da estética dos uniformes às criações paternalistas e moralizadoras da perfeita felicidade dos oprimidos, das pobreza escondida à justificação das arbitrariedades.
O desfecho da suposta candidatura de António Costa à liderança do PS, após aquela cena teatral deixou-me perplexa e extremamente desiludida. Esperava, ou seja, ansiava por alguém que lesse a situação do país e que a colocasse bem à frente das suas particulares ambições. O que me parece é que, como diria alguém que conheço, António Costa amarelou. Com receio de não conseguir ganhar as eleições internas, arrumou a questão da credibilidade do PS como alternativa política.
Passos Coelho tem o caminho aberto para acabar a legislatura. O desemprego ultrapassará os 20% e o Estado será mínimo, como máximos serão o êxodo dos mais jovens, as necessidades dos mais velhos, o assistencialismo caritativo e a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.
Vale a pena ler o artigo de Fernanda Câncio, no DN (e no Jugular).
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...