08 dezembro 2012

Clima totalitário

 


O que mais impressiona é o clima de perseguição que se instalou na sociedade portuguesa. As notícias dos milhões que alguns ganham e gastam, o apelo à inveja mais mesquinha, o incentivo ao espionar os vícios, pecadilhos e inconsistências de cada um, o insulto permanente aos servidores públicos, a tentativa de criminalização de opções políticas, tudo são razões para destruir pessoas, instituições, ideias.


 


O gozo com que se fala do fato de Guterres ter assumido a responsabilidade por erros durante a sua governação, convidando anteriores governantes a expiarem em público os seus pecados, é assustador e faz lembrar as reeducações dos cidadãos nos antigos países comunistas. A voragem com que se julgam as políticas que olham para o estado como garante de serviços públicos é assustadora.


 


Ainda ontem ouvi um responsável político dizer, com uma voz de evidência absoluta, que não se pode investir em mais linhas de metro no Porto porque a empresa é deficitária. Tudo o que significou em termos de qualidade de vida da população, que tem melhor serviço de transporte, a requalificação urbana a que se assistiu, nada disso é tido em conta. Tal como a destruição do que foi a política de requalificação das escolas, verdadeiramente deprimente.


 


Todos os motivos servem para fazer crer às pessoas que não têm direito a transportes rápidos e de qualidade, a estradas seguras que permitam rápidas ligações terrestres, escolas confortáveis, seguras, agradáveis e estimulantes, centros de saúde e hospitais onde se tratem os doentes com qualidade e dignidade, reformas que permitam uma vida acima do limiar de pobreza.


 


O que mais impressiona é termos governantes que consideram óbvia a necessidade de não se responsabilizarem, enquanto representantes eleitos, pelo bem-estar dos seus concidadãos.


 

3 comentários:

  1. Tudo o que refere é,infelizmente, verdade.
    Estamos perante o ressurgimento de tudo quanto, do ponto de vista cívico, caracterizou o pensamento salazarista, e enformou o chamado estado novo.
    Acredite que é com um misto de tristeza e revolta que o o afirmo.
    E inquieta-me não sentir uma verdadeira reacção a esse sinistro quadro.

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  2. ACÁCIO LIMA15:41

    COMENTÁRIO AO POST "CLIMA TOTALITÁRIO"

    01- O meu destaque vai para o primeiro parágrafo, com os apontamentos sobre a inveja, a morbidez do assalto à vida privada e a tentativa de criminalizar as opções políticas. O provincianismo e o espírito inquisitório à boa maneira salazarista.

    02- Brilhante é a “rotulação” “…. reeducação dos cidadãos nos antigos países comunistas”, ao aludir-se o achincalhamento perverso das declarações de A. Guterres.

    03- A referência ao Metro do Porto, levar-nos-ia a desmontagem do que é referido, comummente, por “Empresas Públicas de Transportes, ditas “Deficitárias””.

    Simplificando: a gestão destas empresas envolve a determinação / avaliação dos custos unitários das passagens – tarifas.

    Quando o Poder Político entende que esse custo, se suportado integralmente pelo consumidor- utilizador, é demasiado gravoso, decide substituir-se a ele, e inscreve no Orçamento uma verba, a outorgar à empresa operadora, que poderá, assim, praticar tarifas menos gravosas.

    Se o Poder Político avalia mal a subvenção ou se procede a um redução arbitrária, do que se propunha pagar ao Operador, este, contabilisticamente fica “com uma gestão deficitária”.

    O que temos, nesse caso, é uma manipulação com propósitos ideológicos, de promover o descrédito da gestão das Empresas Públicas, induzindo “perdas contabilísticas”.

    Mas o grave é, sem dúvida, o apontado no post. Esse desdém pela “qualidade de vida” das populações.

    04- No seu todo, o post teve o título adequado.
    Tudo o anotado configura, de facto, um “CLIMA TOTALITÁRIO”.

    Boa Tarde.
    Bom Fim de Dia de Descanso.
    Boa Semana.
    Saudações Cordiais e Afáveis de Muito Apreço

    ACÁCIO LIMA

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