15 outubro 2012

Poeira

 



Sherrie Rennie:


Inner-city Bred


 


 


1.


Nada me aquece neste muro construído


por minhas e outras mãos. Ouço vozes solitárias


de um fado torturado e infinito. Cada vez mais fria a ausência


do teu abraço. Ao meu lado o silêncio esfíngico


de alguém que desiste. Que sem querer mergulha na guitarra


e dedilha a dor permanente da realidade.


 


2.


Nego o passo para o monótono aviso da destruição


nego a inevitável avalanche da tristeza


uma apatia tão sem nexo nem solução


que nega o lampejo e a atração


pelo apetecível abismo.


 


3.


À minha volta a poeira desmaiada da cidade


sem ruas visíveis nem faróis fugazes.


Procuro algumas velas iguais à tremeluzente


incerteza que nos habita na usual capacidade


de apagamento que antecede a idade


das cinzas.


 


4.


Parto aplicadamente o tijolo em que


transformo os velhos pedaços deste


tecido envelhecido que


enforma o todo que já


foi habitado por


mim.


 

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