O Ministro da Saúde não compreende a greve convocada pelos médicos.
O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, os médicos que defendem que a existência de uma carreira profissional estruturada em patamares a que se acede através de concursos públicos, em que a valorização profissional, a formação contínua, actualização permanente são indispensáveis para a avaliação curricular, os que defendem que a formação e diferenciação são indispensáveis à qualidade dos serviços, fazendo-se através de equipas integradas com várias gerações de médicos, em que a tutela e o apoio pelos médicos mais diferenciados faz parte da actividade assistencial, o que os médicos não compreendem como é que o Ministro Paulo Macedo defende as carreiras médicas alicerçando a constituição dos serviços em prestadores, pagos à hora, sem qualquer condição ou obrigação, para além do cumprimento estrito de um número de consultas/ cirurgias/ etc.
O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, é como se podem implementar taxas moderadoras que obriguem os doentes a pagar aquilo que não decidem usar, como exames complementares de diagnóstico ou mesmo técnicas adicionais, que fazem parte da decisão do próprio médico. Independentemente da percentagem que isso representa nas receitas do SNS, perverte o sentido do que são taxas moderadoras e impõe um imposto acrescido pelo usofruto de cuidados de saúde, o que afasta objectivamente do sistema quem tem menos recursos financeiros, além do abuso e da irrelevância da carga de impostos que existe.
Não sei quem se lembrou de abrir um concurso para recrutamento de médicos idêntico aos concursos para compra de detergentes de limpeza. Também não sei o que é mais assustador – se pensar que esta é a verdadeira intenção dos nossos governantes ou se estes acontecimentos resultam da inusitada incompetência de quem povoa os ministérios.
Concordo com quase tudo, mas discordo do tom que parece fazer crer que o SNS depende só de médicos. os médicos são um dos pilares profissionais do SNS, não compreender isto é um erro, que temos vindo a pagar caro.
ResponderEliminarCumprimentos
MCosta , falei dos médicos porque foi aos médicos que o Ministro da Saúde se referiu, porque foi para recrutamento de horas de prestação médica que o concurso abriu, porque é da decisão de médicos que as novas taxas moderadoras dependem. E não considero que o SNS dependa apenas dos médicos.
Eliminar01- O post, "Intencionalidade vs incompetência", não se limita a denunciar a perversidade, no campo laboral, da atuação do atual Ministro da Saúde.
ResponderEliminar02- Não se limita a tal, pois remete para uma crítica muita ampla às Políticas de Saúde seguidas pelo atual Governo.
E cito:
".....é como se podem implementar taxas moderadoras que obriguem os doentes a pagar aquilo que não decidem usar, como exames complementares de diagnóstico ou mesmo técnicas adicionais, que fazem parte da decisão do próprio médico. Independentemente da percentagem que isso representa nas receitas do SNS, perverte o sentido do que são taxas moderadoras e impõe um imposto acrescido pelo usofruto de cuidados de saúde, o que afasta objectivamente do sistema quem tem menos recursos financeiros, além do abuso e da irrelevância da carga de impostos que existe".
03- A atuação do atual Ministro da Saúde não cessa de constituir um atentado à Saúde Pública via os agentes médicos.
Basta atentar nas modalidades associadas à PRESCRIÇÂO PELO PRINCÍPIO ATIVO, que o Ministro utilizou para retirar aos Clínicos o exclusivo da Prescrição, outorgando-o a meros balconistas, e aos consumidores de farmacos, num incentivo à AUTOMEDICAÇÂO.
Logo, consagrando poderes sem adequado suporte científico.
Tudo retirando a SAÚDE PÚBLICA do Posto de Comando.
Visa o Ministro desqualificar os Médicos, para depois vir "justificar"- grifado, com essa desqualificação, mais uma redução salarial dos Clínicos.
04-Esta é a grande ocasião para os Profissionais Médicos largarem as vestes corporativas, para se lançarem na nobre defesa da SAÚDE PÚBLICA.
Boa Noite.
Bom Serão.
Cordiais e Afáveis Sudações de Muito Apreço
ACÁCIO LIMA
Acácio, a prescrição por DCI é uma prática aconselhada pela OMS, com regulamentação e especificações idênticas às da legislação aprovada. Essa medida é uma medida acertada, na minha opinião, tal como outras que se prendem com a concentração e reorganização da rede hospitalar. Mas as medidas que apontei acabam com o serviço nacional de saúde.
EliminarA OMS não é um "Oráculo", embora seja uma prestimosa Organização.
EliminarVide a posição da OMS na Toxicodependência, na questão do uso da Metadona.
Boa Noite, mas voltarei ao assunto, na 2ª Parte de "Discordâncias na Concordância".
Bom Serão
ACÁCIO LIMA