É cada vez mais difícil perceber a razão da cobrança de impostos que, por sua vez, são cada vez mais altos. A segurança social, a saúde e a educação deixaram de ser um direito para todos. A opção pelo estado mínimo resulta num estado que deixou de assumir como seus a obrigatoriedade de prover esses serviços públicos.
Neste momento já há acesso condicionado pelos rendimentos aos serviços de saúde e ao ensino superior – há pessoas que não se tratam porque não têm dinheiro; há pessoas que não vão para a universidade, ou que a deixam, porque não têm dinheiro.
Nas comissões parlamentares alguns deputados horrorizam-se com o dinheiro despendido na remodelação das escolas públicas. Para eles quem recorre ao ensino público não tem direito a instalações desenhadas por arquitectos de renome, não tem direito a energias limpas, não tem direito a tecnologias de informação de ponta, a pinturas nas paredes, a pátios e cantinas de grande qualidade.
A noção do estado pequeno, pobre, mínimo, medíocre, é herdada do moralismo espartano que regressa. Em vez dos impostos contribuírem para a inovação, para a investigação, para o que de melhor há em termos de práticas, de tecnologias, de procedimentos, em vez de termos um estado exigente, que recrute os melhores, que lhes dê condições de trabalho dignas e incentivadoras, em vez de termos um estado que sirva de exemplo em todas as áreas, temos serviços públicos à medida da pobreza crescente, do desinvestimento na igualdade de oportunidades, da marginalização dos mais fracos.
Hmmm... isto aconteceu alguma coisa ao Barata Lima.
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