15 dezembro 2011

Um dia como os outros (106)

 



(...) A única razão que se pode encontrar para não haver devolução do dinheiro aos portugueses está nos objectivos de política macroeconómica. É preciso travar o consumo privado para reduzir as necessidades de financiamento externo - por muito que se apele ao "consuma português", o conteúdo importado das nossas compras é bastante elevado. E, desse ponto de vista, faz sentido que se reduza o rendimento disponível.

Mas, se o objectivo é travar o consumo privado, por que não substituir o imposto extraordinário por uma poupança forçada? O dinheiro que cada um de nós entregou ao Estado em imposto extraordinário seria aplicado em títulos de dívida pública (certificados do Tesouro, por exemplo), sendo devolvido num prazo pré-definido - por exemplo, no fim do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro.

O que ganhava o Estado e o País? Financiamento mais barato - as taxas cobradas pelos ditos mercados são superiores -; oferecia a alguns portugueses a experiência educativa de poupar; e daria uma pequena boa notícia: os sacrifícios também podem ter algum retorno, pequeno que seja, no curto prazo. No limite, até podia devolver uma parcela do imposto extraordinário a famílias com rendimentos por pessoa mais baixos. (...)

Helena Garrido


 

1 comentário:

  1. Em 2 momentos no passado,em que,pela força dos sindicatos(por exemplo,quando Isabel Côrte-Real,com Cavaco Silva /PM,negociou o (ainda)Sistema Retributivo da F.P...)houve necessidade de "secar liquidez",indutora de inflacção ( 20 %,na altura...)ou pagando 1/2 do subsídio de Natal com certificados de aforro,ou criando as "poupanças-reforma",para evitar o consumo exagerado de produtos importados,a começar pelas cebolas e batatas...(a seguir ao PREC,deixaram de se produzir,porque...faziam CALOS!...).
    Cumprimentos...

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