Tenho visto as imagens de violência em Londres que passam repetidamente na televisão e no YouTube, com grande preocupação e revolta.
Tenho ouvido e lido as opiniões de várias pessoas, tentando explicar o que se passa. Todos queremos que haja explicações e culpamos a sociedade, a crise financeira, a falta de perspectivas de futuro, o desemprego, o defraudar das expectativas de gerações que não conseguem atingir aquilo que lhes foi prometido e propagandeado, o racismo, a xenofobia, todas as culpas de uma sociedade que se enche de minorias marginalizadas, de descontentamentos latentes e crescentes, que qualquer rastilho faz detonar e que os gangs de criminosos aproveitam e amplificam. Há uns anos foi Paris, agora é Londres, com passagem por Atenas. A crise europeia é económica, financeira, social e de valores. O materialismo e o consumismo desenfreado criam e alimentam excluídos que constituem um caldo de tensão constante.
Mas todas essas explicações me parecem insuficientes e vazias perante a constatação de uma total ausência de noções básicas de convivência, de companheirismo, de solidariedade, de decência pura e simples. Para além dos diagnósticos já por todos efectuados, não podemos deixar de nos revoltar e de repudiar os actos criminosos e o vandalismo a que se assiste, a destruição pela destruição, o aproveitamento e o sacrifício dos mais frágeis e desamparados. Uma sociedade democrática não pode deixar de usar a força da autoridade e de pugnar pela defesa dos cidadãos, sob pena de eles próprios se transformarem em vingadores autoproclamados e de formarem novos grupos de criminosos.
Não podemos aceitar que seja inevitável, como não podemos desculpar a existência de monstruosidades. Seria muito importante que os líderes políticos assumissem a responsabilidade de olhar para o que se está a passar e invertessem o rumo das exigências ao comum dos cidadãos, assegurando-lhes um dos valores mais importantes para o ser humano – a paz e a segurança.
Nota: Vale a pena ler Ferreira Fernandes e Helena Garrido.
Há que reprimir a violência sem contemporizações, prender os responsáveis e castiga-los de forma exemplar. No entanto, não estou muito optimista no que diz respeito ao combate aquilo que leva a transformação de grupos de jovens em matilhas de hienas (para usar a expressão feliz de Ferreira Fernandes). Ate ao momento em que violência extravase dos bairros pobres onde teve lugar, e as vitimas sejam mais do que pacatos jovens e comerciantes de classe media, e duvidoso que as elites se preocupem muito com isso. Afinal, o saque efectivo a classe media perpetrado pela gula de banqueiros e afins faz empalidecer quaisquer pilhagens que estejam a ter lugar...
ResponderEliminarTinha o recorte do JFFernandes("Um Ponto é Tudo",DN...)para comentar no meu blogue,a Sofia ultrapassou-me,brilhantemente;assino por baixo.
ResponderEliminarResta-me "apôr"uns apontamentos "a latere",agora inúteis:
-Para uma jornalista portuguesa,sobre as imagens: SCUM não é o circunlóquio que usou;é,mesmo,ESCUMALHA.
-Os "indignados" só fumam Philip Morris e afins,e só usam a água da torneira(mais de 80 items de exigência,como sabe...)para LAVAR CARROS E MOTOS - QUATTRO.