A memória das pessoas, principalmente das pessoas públicas, é condicionada pelo que a elas convém lembrar. As cerimónias oficiais de comemoração do 10 de Junho, foram mais uma oportunidade de ouvirmos, através do discurso de António Barreto, a hora apocalíptica que vivemos.
António Barreto refere-se a Portugal e aos seus governantes como se de duas populações se tratasse. Portugal, o bom povo enganado, os governantes, de que ele já fez parte, a perfídia que engana o povo. A perfídia dos últimos anos de governação do PS, como ficou bem subentendido, e não a perfídia anterior, não os governantes anteriores, dos quais não se recorda.
António Barreto é de Portugal, mas não é português, fez política, mas não é político, fala da sintonia entre governantes e da sintonia entre o povo e os governantes, esquecendo-se que há medidas e reformas que são odiosas ao povo, que a luta política se alimenta dessa incompreensão para quebrar os adversários. É assim agora, como o foi no passado, antigo e recente.
António Barreto apela ao apuramento de responsabilidades, mais uma vez na senda justicialista da punição das decisões políticas. António Barreto apela à revisão da Constituição, colocando nela o ónus dos governos minoritários, da falta de reforma na justiça, da falta de confiança entre os órgãos de soberania.
António Barreto assume a posição do Juiz em vez de assumir as suas opções políticas. Alterar a relação entre os vários órgãos de soberania significa um regime presidencialista ou um regime parlamentarista? Alterar o sistema eleitoral significa a possibilidade da existência de círculos uninominais, de duas câmaras, ou de considerar como expressos os votos em branco?
O Dia de Portugal serviu, mais uma vez, para alguém nos lembrar, do alto da sua tribuna, como somos feios, porcos e maus. Sem a mais pequena centelha de espírito inovador ou motivador, lembrando as gestas do povo, do bom povo português quando bem conduzido, os egrégios avós ressuscitaram apenas para morrerem de novo, arrepiados perante este julgamento sumário, comum, injusto e, cada vez mais, tristemente inútil.
Comentário ao Post de Sofia Loureiro dos Santos- "Julgamento Sumário"
ResponderEliminar01- O Tomy Barreto, como era conhecido em Coimbra, no início dos anos 60, do século passado, era um "Homem"(e depois conto a "história"), não era "juiz", não era "justicialista", defendia e lutava por um "Estado de Direito", não tratava as pessoas como "subalternos e menores", não era "elitista", não era um "moço de recados", não vivia à "custa dos contribuintes", e, até era "generoso": despia a sua camisola na Praça da República, e oferecia-a ao primeiro esfarrapado que enxergava.
Entretanto, o Tomy ficou algures na Europa.
02- Regressou o António, mas não me alongo a pintar a sua figura. O descrito acima por Sofia M. L. dos Santos, diz tudo, e dispensa-me de me ocupar de tal.
O "justiceiro" António, está descendo do pelourinho, após ter procedido à "execução sumária" dos nossos compatriotas, incluindo-me a mim.
Boa Noite.
Bom Serão.
PS- Conto agora a "história".
Anos atrás, um Polícia bateu à porta de uma República de Estudantes em Coimbra. Pediu recato e menos alarido.
Suavemente, completou o pedido com palavras doces: "Senhores Doutores, eu compreendo o vosso estridente comportamento, pois, eu, antes de ser "Polícia" era "Homem"".
Cordiais Saudações
Acácio Lima
ACÁCIO LIMA
ENGENHEIRO MECÂNICO E CONSULTOR TÉCNICO-ECONÒMICO
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Sometimes the war has to be done, we survive if we kill. The sound of the guns is an entire life in the ears of the Soldiers, and when they shut the eyes at night, they ask, what for and why did we kill those men. We have no answers and may be no one has. We fight for survival in every war, but there are people who win with the war, and some still order to others Soldiers to fight for her own profit:
EliminarTHE PLATOON
Let's go platoon
to discover soon
now no more talk
put the gun, walk!
-
in arms the gun
just ready to fire
take care of sun
forget the desire!
-
just walk in line
and the trail see
see if some mine
kills you or me!
-
start, don't push
and see around
see all the bush
what can found!
-
a Seargent returns
said the command
now walk in turns
and wacth the land!
-
they heard sound
of the other side
and a river found
put them beside!
-
shoot granades
the seargent said
thank to Hades
if no one is dead!
-
in the front line
all the guns talk
and i shoot mine
put them to walk!
-
one of them rest
and seems to cry
and in the forest
we see him die?
-
the Helis in air
are calling for us
then pair and pair
land joins thus:
-
firing those things
and let them burn
till the helis wings
to our home turn!
-
Eugénio dos Santos
Vejo o dia de Portugal como o dia de nos encontrarmos como nação, de glorificarmos o longo passado comum, de acreditarmos no presente e continuarmos unidos rumo ao futuro. Não foi assim que o entenderam os oradores das cerimónias oficiais. Um aproveitou para destilar o seu ódio a Sócrates que já considerou um delinquente político na linha da reles vendetta made in máfia. O outro, magistrado máximo da nação, enredou-se num discurso de banalidades, quase sem sentido, para não ter de dizer coisa nenhuma.
ResponderEliminarSua excelência o Presidente da República, parecia ter descoberto a pólvora ,ao apelar ao regresso às aldeias do interior e à actividade agrícola. Mas o senhor Presidente deve ter memória curta, porque omitiu quem foi o principal responsável pela destruição da agricultura e das pescas. Mau grado a política da PAC ser uma imposição externa, uma factura que tivemos que pagar para entrar na Comunidade, só lhe ficava bem assumir essa responsabilidade.
Já o discurso do Dr. Barreto, muito apreciado pelos media,na linha de superioridade moral a que nos habituou, é um desfilar de acusações, apoiadas em meias verdades, contra os política, a política e os governantes. Até parece que António Barreto nunca foi governante nem político. O facto é que o foi e errou como erram todos os que têm que agir. Quando se é treinador de bancada nunca se erra. E tem sido esse o papel de Barreto há muito tempo por falta de clube.
A política em democracia faz-se com políticos sujeitos a contextos e conjunturas específicas e que umas vezes agem de forma correcta e outras não. Fazer política sem políticos, significa recorrer a seres iluminados e concebidos sem pecado, que por norma e lição histórica dá no que dá. Barreto tem direito a analisar a realidade como bem entender. Não tem é direito de aproveitar o importante cargo para que foi designado, nem o ponto alto das cerimónias do 10 de Junho para, contra o espírito do dia da portugalidade, atacar,desmoralizar e desunir.
ResponderEliminarEu também já estou farta de discursos repetitivos,persecutórios,colados politicamente a uma perspectiva malsã da nossa vida política e social .
Quer ele o linchamento de Socrates, por ter cometido erros, mas não há lugar para os supostos criminosos do BPN e BPP ,e outros com o mesmo crachá , de forma clara e inequívoca.
Bem podia sair de cena que só alimenta os profissionais da maledicência e deixa o povo extenuado.
Alguém devia estar atento a este orador de lugar cativo, não ande a fazer por aí outras maldades...
O Moralista Inimputável do Regime
ResponderEliminarJá ano passado o agora aparentemente vitalício presidente das com.do 10 de Junho me tinha surpreendido.
Afastado da guerra colonial por razões presumo respeitáveis e de ordem académica, enquanto a juventude da sua altura se batia em África , aprimorava ele a sua consciência democrática na civilizada Europa.
Apesar disso, produziu perante a formatura militar, onde pela 1ª vez “desfilaram” ex-combatentes da guerra colonial, um discurso impróprio de quem se tinha á guerra baldado, mas de enorme sabujice para aqueles velhos tropas sedentos de reconhecimento. Acusou na altura a Nação de inconsiderar os seus ex-combatentes, único argumento que consola quem participou numa guerra perdida.
Este ano foi ainda mais longe. Esquecido do seu passado politico, onde emerge a sua acção de vingador da classe agrária alentejana, enquanto ministro da agricultura de Mário Soares, materializada no desmantelamento da reforma agrária do PCP sem uma alternativa minimamente consistente e de futuro, produz um conjunto de acusações triviais, bebidas numa qualquer mesa de café e ao alcance de qualquer mentecapto.
É absolutamente inadmissível que a data dita de “dia de Portugal” seja capturada por qualquer auto-iluminado, partidário ou pseudo independente para retirar dividendos da disputa politica partidária.
Porque é disso que se trata e foi disso que o discurso de António Barreto tratou.
É por isso uma atitude lamentável que não honra o espírito que deve presidir a uma comemoração que a todos os portugueses interessa.
A arrogância moralista e intelectual, assumida em circunstâncias em que o consenso é requerido causa desprimor a quem a exibe e torna o individuo inimputável civicamente
Rodrigo Castro.
EliminarNão gostei do discurso de António Barreto deste ano, mas considero a homenagem que fez aos ex-combatentes, a 10 de Junho de 2010, justa e corajosa, e considero-a tardia em relação ao que já deveria ter sido feito, após o 25 de Abril. As minhas razões estão expostas no post que escrevi na altura: (http://defenderoquadrado.blogs.sapo.pt/669306.html)
todas as homenagens, feitas por quem tenha moral para as fazer
EliminarLi os diversos comentários a este post de S. M. L. S., e verifico a boa Memória de todos.
ResponderEliminarA Memória da História.
Este rapaz não aprendeu nada na Suiça, a menos as regras que servem aos "Moços de Recados".
Boa Tarde.
Bom Domingo.
Boa Semana.
Cordiais Saudações de
ACÁCIO LIMA
O (vitalício?) Barreto
ResponderEliminarDesignado para presidir às comemorações do dia de Camões e assumir a causa dos ex-combatentes do 'ultramar', foi, em 2010, uma espécie de valente soldado Barreto (não confundir com o personagem de Jaroslav Hasek) que usou a experiência militar adquirida nas paradas de Genéve e mais tarde comprovadas, como intrépido guerreiro, ao defender os agrários da CAP nas picadas do latifúndio alentejano.
Este ano atribuíram-lhe o papel que melhor lhe encaixa, o do idiota útil que pede justiça em nome da Pátria, como se estivesse isento de qualquer responsabilidade na situação a que o país chegou. Ainda há por aí “paredes” que nos remetem para esses tempos de destruição da que poderia ter sido uma das maiores transformações sociológicas que Portugal conheceu desde a fundação.
Ele e Cavaco complementam-se, por isso se entendem e, quem sabe, se prolongam. O Nobre que se cuide...
Com que então a colectivização das terras sob o controle estrito do partido comunista "poderia ter sido uma das maiores transformações sociológicas que Portugal conheceu desde a fundação"?... E
Eliminarparece ter sido uma pena a sua "destruição"...
Pelos vistos, as críticas ao ancilosamento intelectual de António Barreto até já servem de pretexto para dissertações de quem passou a noite de 9 para 10 de Novembro de 1989 a dormir sem notícias de Berlim...
Não exageremos...
Usar a casa de terceiros para dirimir opiniões não faz muito o meu jeito, mas, já agora, gostaria de lhe dizer que, sendo homem de vigílias, estava bem acordado na noite que refere e também na de 25 de Abril de 1974. Exultei com ambas.
EliminarNão quero exagerar, mas não sei se esta última se lhe aplica, por isso desejo-lhe boas caçadas... nas coutadas, se for o caso.
Farsante! Se isto são os "intelectuais", pois boa sorte, Povo português, que bem precisas...
ResponderEliminarBarreto, ex-comunista exilado na Suíça , regressou com o 25 de Abril e iniciou a sua "lavagem" ideológica tornando-se militante do PS, prestando o seu primeiro serviço de militância nos Açores onde ajudou a implantar o PS com um zelo notável. Cedo se percebeu que os seus projectos não tinham nada a ver com a esquerda e quem o seguiu de perto adivinhava que procurava algo do estilo "Pingo Doce", plataforma da direita rica que dá estatuto a quem se preste a dar um certo cunho intelectual ao ambiente do feijão frade e do grão-de-bico. Já será comendador? Deve ser!
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