As farófias tomam conta da vida política. Por um lado, ficamos mais leves e mais doces. Tal como as farófias, as ideias derretem-se e é como se nunca tivessem existido. Ocupam o lugar do ar batido entre as claras, fofas, leves, como espuma.
Ao lado das farófias só o canto, o bel-canto, para ser mais precisa, a voz funda e vibrante, a postura da boca e das cordas vocais, os olhos que sonham o horizonte, enquanto o som treinado de uma laringe educada se faz ouvir aos ouvidos das gentes simples. Lá lá lá lá lá lá…
Ao lado das farófias e do bel-canto soa a família, a que se tem e a que se queria ter, os filhos, os cães, os periquitos, as tartarugas, os beijos, as mãos dadas, o eu amo-o profundamente, o ser brincalhão, os romances e os pastéis de nata.
E assim vamos nós, das farófias para o bel-canto, da mensagem pascal para as cadelas, do cor-de-rosa para o cor-de-laranja, do que não interessa nada para o que não tem interesse nenhum.
Terrível! E terrivelmente certeiro!
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