Sócrates foi a votos no PS vencendo os seus três opositores, numas eleições directas em que a percentagem de participação foi de 89,95%. É claro que os seus concorrentes protagonizaram uma oposição decorativa, pelo que se perdeu uma oportunidade de haver uma disputa de liderança, se tivesse havido coragem por parte de alguns dos seus mais assanhados críticos. Mas estes estarão provavelmente à espera da derrota de Sócrates nas eleições legislativas para avançarem com as alternativas que, eventualmente, representem.
Seria igualmente importante que houvesse uma disputa de liderança nos partidos à esquerda do PS. A responsabilidade de fazer uma coligação, ou de haver um apoio parlamentar, que pudesse viabilizar um governo de esquerda, é igualmente do BE e do PCP.
Não foi só José Sócrates que não fez alianças à sua esquerda. Nenhum dos líderes do PS se coligou com o PCP, antes ou depois de eleições, para formar um governo estável. Tal como com o BE. A credibilidade das posições e das atitudes de ambos os partidos apenas têm dado razão ao PS e, recentemente, a José Sócrates.
Tal como Daniel Oliveira disse ontem, n'O Eixo do Mal, os partidos da dita esquerda deveriam ser capazes de tornar públicas as condições mínimas para poderem viabilizar um governo do PS. Segundo a sondagem divulgada pela TVI, se as legislativas fossem hoje PSD e CDS teriam, juntos, 50,9% dos votos, o que significa que a hipótese de uma maioria de esquerda não está de parte. Com as actuais direcções do BE e do PCP isso será impossível, visto que a cultura existente é a do protesto por princípio e como fim.
O PS tem a obrigação histórica de reforçar e de reavivar o seu contrato de cidadania, por uma sociedade que olhe para o desemprego, para as desigualdades sociais, para o mérito, para os serviços públicos de qualidade, para a modernidade, que aposte nas tecnologias de informação, na ciência, nas energias renováveis. O PS tem a obrigação de fazer da sua diversidade e da sua tolerância uma força, de se desenvencilhar do oportunismo, do vazio mental, da orla de políticos que dizem o mesmo, com as mesmas palavras e a mesma entoação, quais bonecos de repetição. O PS tem a obrigação de se responsabilizar por aquilo que prometeu e não fez. O BE e o PCP têm uma oportunidade histórica de deixar a retórica da esquerda arcaica e anti democrática, sacudirem os discursos com toneladas de pó e de bolor e criarem condições para que o eleitorado possa confiar e vote à esquerda.
Olá Sofia :)
ResponderEliminarFaço link no próximo Leituras Cruzadas... talvez já amanhã.
Bjs
excelente artigo,
ResponderEliminarmui oportuno no pais
e
suas condições concretas
certeiro nos vicios pessoais e de partidos
relativo esta coisa publica
que estes, partidos, são
como expressão do pais...
abraço
Muito bem!
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Muito bom artigo, Sofia
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ResponderEliminarNo PS não houve eleições
tão só unicidade
Enganou-se de partido. A unicidade é mais para os lados do PCP.
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