Jérôme Dern: Septembre
Agosto está a terminar, branco, quente, vazio, frustrante, avassalador.
Sem causas nem coisas, arrasto-me em estado de negação pelos dias, controlando os gestos, mais vagarosos e pensados, mais precisos e estudados. A noite está à minha espera, as horas desenrolando-se nuas, o calor que sobe pela garganta, que transpira pela pele, alaga o corpo e o lençol.
O país parou, como pára todos os anos, mas não para fermentar ideias em pousio, que não as tem. Para escancarar vinganças e ódios, disparates que preenchem os olhos ávidos de algo que não seja a própria vida.
A terra há-de recuperar, do braseiro e do sono, a chuva virá retemperar os gostos e, quem sabe, devolver esperança e sonhos.
Setembro é um mês lindo, sim.
ResponderEliminarÉ o mês do recomeço.
Beijinhos, Sofia, bom regresso :))