15 julho 2010

Direitos, liberdades e garantias

A propósito das declarações de Carlos Queiroz sobre uma suposta entrevista que teria dado ao SOL, e da reacção do SOL ao não divulgar as supostas gravações da entrevista para protecção das fontes, mais uma vez me espanto com a forma como a classe jornalística se protege a ela própria, com raras excepções, por acção ou omissão, perante tais atentados ao direito, à dignidade individual e à tão proclamada ética jornalística.


 


Hoje em dia, com a justificação da total liberdade de expressão e da salvaguarda do interesse público, todos se acham detentores da possibilidade de violar o mais elementar direito à privacidade. Deixou de haver respeito pelas comunicações electrónicas, parecendo natural a publicação de emails, não tendo nada a ver com protecção de fontes nem com interesse nacional, como foi o caso da vergonhosa actuação de Carlos Santos, personagem que se passeou fugazmente pela blogosfera, dando conta de um desequilíbrio de personalidade assinalável, além de falta de carácter, e que foi acarinhado, protegido e usado por vários bloggers.


 


A publicação em jornais como o SOL de fragmentos cirúrgicos de material pertencente a escutas, que deveriam estar em segredo de justiça, é o dia-a-dia da nossa informação. A própria escuta de conversas em restaurantes dá azo a acusações absolutamente idiotas e a comportamentos inaceitáveis da parte dos que se dizem perseguidos politicamente.


 


Neste momento, e desde a última campanha eleitoral para as legislativas, a liberdade de expressão passou a ser um bem apenas permitido a algumas pessoas que se arrogam o direito de julgar quem tem ou não credibilidade para escrever ou falar. São os polícias morais da nossa blogosfera, que moveram um ataque ignóbil ao blogue Câmara Corporativa, nunca conseguindo explicar qual o crime praticado pelo ou pelos autores do blogue, para além da discordância política com o que lá se escreve. Avançam agora contra o blogue Aspirina B, transformando em pecado de cobardia o uso de pseudónimos na blogosfera.


 


Mais extraordinário virem essas acusações de profissionais de informação, que sabem a importância e as razões dos anonimatos e das fontes não identificadas, que prometem proteger a todo o custo.


 


A manipulação e a intimidação das pessoas que pertencem à área do PS, principalmente à área do governo, é um verdadeiro atentado aos direitos, liberdades e garantias individuais. Estranha forma de defesa da liberdade de expressão.

5 comentários:

  1. ... além de tudo, quem assobiou para o ar no episódio lamentável do CS, só porque não lhe tocava directamente... aos princípios disse nada. Quanto ao resto, como me dizia ontem um velho amigo, já com uma certa idade, daqueles que distingue bem o essencial do acessório e destrinça o fait-divers do problema: deixei de comprar jornais.

    :)))

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    1. Leal Conselheiro15:16

      Não se meta nisso, mdsol.

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    2. Muito obrigada pelo conselho. Só que já chega muito tarde. Desde o momento em que, pela leitura dos diferentes post , me apercebi do caso CS manifestei a minha repulsa. Manifestei-me aqui, no Defender o Quadrado, n' A barbearia do senhor Luís e, nesta última fase, fui ao corta-fitas colocar directamente uma pergunta ao próprio.

      Eu sei que, a esta hora, quem quer que o senhor Leal Conselheiro seja, estará a pensar: mas quem é que se julga para supor que o que pensa, ou não pensa, tem alguma relevância? Apesar de eu privilegiar a "boa vizinhança", de não ser uma vip da blogosfera , de manter um espaço que é um Tzero acanhado e sem vista para o mar e, sobretudo, pelo modo lúdico que assumo, ainda assim, há coisas básicas às quais não fico indiferente. Exactamente por estar aqui de um modo lúdico aceito muito mais depressa um jogador de fraco desempenho do que um jogador batoteiro, manhoso que, a meio, resolve quebrar regras básicas de convivência aceites tácita ou declaradamente.

      Eu sei que, a esta hora, quem quer que o senhor Leal Conselheiro seja, e se teve generosidade suficiente para ainda estar a ler isto, provavelmente estará a pensar: porque é que o faz, se o que diz é irrelevante para o mundo? Muito simples, senhor Leal Conselheiro, estas coisas que mexem com o lado ético não vivem de decisões para o mundo, mas de decisões para nós próprios, marcadas pela impossibilidade de se ser neutro [Posso acreditar em muitas neutralidades, na neutralidade ética, não acredito. Só se ignoram uns valores para se promoverem outros, por exemplo].

      Simples e sem motivações rebuscadas que não me pertencem nem na forma nem no sentido.

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    3. Obrigada, Mdsol, pela frontalidade.

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  2. A liberdade de expressão só existe para eles. São uns comilões.

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